Para Paulo Paiva, o crescimento econômico não é um destino inexorável das nações - Crédito: Fabio Ortolan

Foi lançado ontem, na sede da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), no hipercentro da Capital, o “Programa ACMinas pela produtividade”, com o objetivo de contribuir e apoiar as empresas associadas à entidade com ações para a melhoria de sua gestão empresarial. Como resultado, melhorar a qualidade de produtos e serviços e a produtividade das empresas, assegurando sua competitividade no mercado e garantindo sua sustentabilidade.

Durante o evento de lançamento, o presidente da ACMinas, Aguinaldo Diniz Filho, destacou a importância de levar o tema para um debate nacional. O Brasil ocupa a 71ª posição no ranking das economias mais competitivas do mundo, no ranking de competitividade elaborado pelo Fórum Econômico Mundial. No documento, divulgado em outubro, que considera 141 países, o País melhorou uma posição em relação ao ano passado.

No ranking de 2019, que considera resultados do ano de 2018, Singapura ficou em primeiro lugar, seguida pelos Estados Unidos e Hong Kong. A melhor posição história do Brasil no ranking, divulgado desde 1997, aconteceu em 2012, quando ocupou a 48ª posição.

São 12 pilares levados em consideração: instituições, infraestrutura, adoção de tecnologia da informação, estabilidade macroeconômica, saúde, habilidades, mercado de produtos, mercado de trabalho, sistema financeiro, tamanho do mercado, dinamismo nos negócios e capacidade de inovação.

“Precisamos melhorar a produtividade e a competitividade de todos os setores. Esse é um problema principalmente nas pequenas e médias empresas (PMEs). Isso é determinante para o desenvolvimento do País, já que elas são responsáveis por 54% dos empregos formais no Brasil e 80% do total de empregos”, analisou Diniz Filho.

Durante apresentação no evento, o ex-ministro do Trabalho e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo Paiva, disse que é preciso deixar de lado a ideia de que o crescimento econômico é um destino inexorável das nações.

“O crescimento econômico não é um fenômeno natural. Ele é o resultado das decisões do governo e da sociedade. Hoje temos uma situação em que o Estado é obeso e a produtividade anêmica. Existem muitos fatores que impactam a produtividade, muitos deles externos, que dizem respeito à economia; e outros internos, que têm a ver com a empresa, os empresários. Além deles temos outros atores que podem ajudar a melhorar esse quadro como as escolas de negócios”, pontuou Paiva.

Para o vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant, a baixa produtividade é uma das causas da baixa competitividade amargada pelo Brasil e, mais, pela desigualdade vivida pelo País. E mais do que uma questão técnica, é uma questão também política.

“Esse é um problema crônico e, como tal, de solução difícil e demorada. Hoje, a falta de qualificação da nossa mão de obra é mais um componente. Antes a melhora da economia garantia a melhora automática nos níveis de emprego. Hoje, com a revolução tecnológica, isso não acontece mais. Precisamos decidir qual país queremos construir. O Estado tem que conduzir esse processo”, afirmou Brant.