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Acordo entre Supermercados BH e Epa pode criar gigante de R$ 34,6 bilhões

União das redes promete preços mais competitivos, mas levanta dúvidas sobre concorrência e pressão sobre pequenos fornecedores
Acordo entre Supermercados BH e Epa pode criar gigante de R$ 34,6 bilhões
Foto: Reprodução/Redes sociais

O acordo entre Supermercados BH e Grupo DMA, controlador de redes como Epa e Mineirão Atacarejo, pode criar uma gigante supermercadista de R$ 34,6 bilhões. O negócio, antecipado pelo Diário do Comércio, foi confirmado nesta quinta-feira (30), por ambos os grupos e depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A projeção é do economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinicius Carlos, a partir de dados mais recentes do Departamento de Economia e Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O documento aponta que a rede comandada por Pedro Lourenço é a quinta maior do País em faturamento, totalizando R$ 25,7 bilhões. O DMA, por sua vez, conta com faturamento anual de R$ 8,9 bilhões, ocupando a 14ª posição.

Segundo o economista, essa integração pode criar uma das maiores redes supermercadistas do Brasil, com mais de 600 lojas espalhadas por diversos estados. “Isso vai consolidar a rede no Sudeste e abrir um potencial muito grande no Nordeste. Se considerarmos que o BH já ocupava o quarto lugar em faturamento no País, a soma pode alcançar R$ 34,6 bilhões, ampliando a concentração do setor”, avalia.

Consumidor pode ganhar, mas mercado acende alerta para concentração

Para o consumidor, a parceria entre Supermercados BH e o controlador do Epa deve melhorar a experiência de compra, viabilizando preços mais competitivos. Segundo o economista, a partir da sinergia entre as redes, haverá maior capacidade de buscar novos fornecedores, negociar produtos de forma mais vantajosa e colocá-los à venda de maneira mais otimizada, com redução de custos.

Por outro lado, Vinicius Carlos explica que pequenos e microfornecedores tendem a enfrentar maior pressão por preços e condições comerciais, o que pode atrair a atenção do Cade, com possibilidade de imposição de restrições. As redes menores também devem sentir o impacto competitivo e, caso não se reinventem, podem perder espaço no mercado, diante da dificuldade de alcançar condições de negociação semelhantes.

“A consolidação exige uma reorganização do setor e pode demandar limites regulatórios para evitar pressão excessiva sobre a cadeia produtiva”, finaliza o economista.

Acordo entre Supermercados BH e Epa divide consumidores e reforça estratégia de expansão

Nas redes sociais, a integração entre Supermercados BH e Epa dividiu opiniões. Parte dos consumidores demonstra otimismo, apostando em melhorias na qualidade dos produtos, especialmente em categorias como frutas e carnes. Por outro lado, há um receio crescente de concentração de mercado, com preocupações sobre redução da concorrência, além de impactos nos preços e na diversidade de ofertas.

Em nota oficial, o Supermercados BH informou que a iniciativa visa “potencializar ganhos de escala, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a capacidade de atendimento ao consumidor”, com foco na experiência de compra, na ampliação do sortimento e na otimização da logística.

Vale lembrar que, conforme apurado com fontes ligadas ao mercado, o interesse já circulava entre executivos do setor e estaria atrelado a uma aproximação societária para fortalecer a operação do DMA em um cenário financeiro adverso, tanto para o grupo quanto para o varejo em geral.

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