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Rede de apoio encolhe e renúncias crescem entre mulheres com filhos no mercado de trabalho

Estudo aponta o enfraquecimento da rede de apoio feminina após a maternidade
Rede de apoio encolhe e renúncias crescem entre mulheres com filhos no mercado de trabalho
Crédito: Freepik

Conciliar maternidade e carreira no ambiente corporativo ainda impõe um custo elevado às mulheres. Pesquisa da Todas Group e da Nexus, realizada com 1.534 mulheres em cargos de liderança em grandes empresas e multinacionais, revela que 79% das mães relataram algum tipo de obstáculo de gênero na trajetória profissional, percentual superior ao registrado entre as que não têm filhos (73%).

Um dos achados mais relevantes do estudo é o enfraquecimento da rede de apoio feminina após a maternidade. Entre as profissionais sem filhos, 45% afirmam ter sido ajudadas principalmente por outras mulheres ao longo da carreira. Esse percentual cai para 38% entre as mães. “Essas diferenças sinalizam uma ruptura de aliança que acontece justamente no momento em que o apoio seria mais necessário. Os números mostram que a chegada dos filhos parece criar uma barreira invisível que afasta colegas, mentoras e aliadas”, observa a cofundadora da Todas Group, Dhafyni Mendes.

A percepção de barreiras também é maior entre as mães: 33% delas relataram ter enfrentado muitos obstáculos para crescer por serem mulheres, ante 28% das profissionais sem filhos. E uma em cada quatro entrevistadas afirmou ter renunciado à maternidade ou ao desejo de ter filhos para avançar na carreira.

As renúncias se distribuem de forma desigual entre os dois grupos. O autocuidado lidera entre as mais citadas pelas mães (74%), seguido do tempo com a família (67%), índice 33 pontos percentuais acima do registrado entre as sem filhos (34%). A saúde mental foi mencionada por 48% das mães, contra 59% das demais.

Relação com os homens

A pesquisa também mapeou a dinâmica com colegas homens. Entre as mães, 57% disseram que algum homem dificultou seu crescimento por ela ser mulher, percentual que cai para 43% entre as que não têm filhos. Por outro lado, 56% das mães afirmam que algum homem já as defendeu em situação de preconceito no trabalho, ante 44% das não mães.

As atitudes mais citadas pelas mães como essenciais para que os homens sejam aliados reais foram a defesa ativa da licença-paternidade e a divisão do cuidado com os filhos (65%), e o respeito ao tempo de fala das mulheres (58%).

Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, os dados revelam uma transformação nas condições, não necessariamente na trajetória. “A maternidade não necessariamente interrompe a carreira, mas altera profundamente as condições em que ela acontece. O que vemos é uma combinação de maior percepção de barreiras, redução da rede de apoio e aumento das renúncias, especialmente em aspectos pessoais e familiares”, afirma.

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