A Wit Soccer já fez testes com 280 candidatos a jogador de futebol e encaminhou quatro para clubes - Foto: Viviane Sousa

Com uma solução inovadora para captação de atletas de base, a startup mineira Wit Soccer vai expandir a atuação no Brasil e no exterior. Por meio de uma plataforma on-line, a empresa rompe com as barreiras geográficas e encontra, em qualquer cidade, crianças e adolescentes que sonham em se tornar jogadores de futebol. Com dois escritórios em Belo Horizonte, a empresa realizou, até o momento, dois testes presenciais com 280 candidatos e encaminhou quatro atletas para clubes. A expectativa é, em 2019, abrir cinco unidades no País, além de filiais nos Estados Unidos e na China.

O CEO da Wit Soccer, Taciano Pimenta, explica que a empresa foi criada em 2017, mas foi no ano passado que a operação começou a funcionar com um projeto-piloto. De acordo com ele, a seleção de atletas acontece em dois momentos, sendo o primeiro totalmente on-line. Segundo ele, qualquer pessoa pode fazer cadastro na plataforma e se submeter ao teste on-line. O empreendedor explica que a prova consiste em um exercício simples de tocar a bola em uma parede e rebatê-la com uma ou ambas as pernas. O teste deve ser filmado e enviado pela plataforma.

“O teste foi construído com base em uma média do desempenho de atletas de alta performance. Dessa forma, quando o teste de um candidato é satisfatório o próprio sistema envia um alerta para um técnico que vai avaliá-lo”, explica. Segundo ele, o processo segue com a convocação dos candidatos selecionados no teste on-line para um teste físico presencial.

Esse segundo processo tem um custo para o candidato de R$ 180. A startup, por sua vez, oferece a todos os candidatos participantes do teste físico um relatório técnico, tático e comportamental, além de uma classificação de maturação em médio, tardio ou adiantado.

Após o segundo teste, os candidatos que se destacarem são encaminhados para clubes profissionais. De acordo com o CEO, a Wit Soccer também ganha uma comissão dos clubes em caso de venda do atleta no futuro. Ele destaca que a solução ajuda não apenas os clubes a encontrarem talentos escondidos pelo Brasil e pelo mundo, mas também os próprios candidatos, que ganham uma oportunidade real de chegarem a esses clubes. “No processo tradicional de olheiro a decisão é restrita ao olho humano. Nossa plataforma considera muitas coisas: o atleta pode até não ter ido bem em um jogo, mas somos capazes de avaliar suas habilidades, como rapidez em campo”, afirma.

Até o momento, a Wit Soccer realizou dois testes presenciais em Belo Horizonte, sendo o primeiro com 130 atletas avaliados. Nesse teste quatro atletas se destacaram, sendo que três foram encaminhados para o Cruzeiro e um para o Novos Horizontes. O segundo teste foi realizado com 150 atletas, dos quais outros quatro se destacaram. “O teste foi feito no fim do ano quando os times estavam de férias e, por isso, ainda não fizemos os encaminhamentos. Mas, nossa intenção é encaminhar três meninos para o Atlético e uma menina para o Chapecoense”, adianta.

Segundo o CEO, apenas o segundo teste foi monetizado, o que rendeu à startup um faturamento de R$ 18 mil em 2018. Para 2019, a meta é aumentar consideravelmente esse número, chegando a uma receita de R$ 1,5 milhão até dezembro. O salto no faturamento será possível por causa da expansão da empresa para outras cinco regiões do Brasil. “Nossa meta é realizar dois testes físicos por mês, sendo cada um com 400 atletas.
Além de Minas Gerais,

queremos chegar a candidatos de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, além de cidades no Nordeste e Centro-Oeste”, afirma.

A internacionalização também é uma realidade para a startup, que já conta com parceiros em Xangai, na China. “Estamos em fase de mapeamento do mercado e a ideia é iniciar uma operação em agosto”, afirma. Outro mercado de interesse da Wit Soccer são os Estados Unidos. No país, as negociações ainda estão pouco avançadas, mas a empresa já está trabalhando na captação de parceiros. A expansão para todos esses mercados será possível a partir da captação de investimentos pela startup. De acordo com o CEO, em fevereiro, a empresa vai abrir uma rodada para captar US$ 450 mil.