A Athor Bikes investirá R$ 10 milhões na sua fábrica em Lagoa da Prata | Crédito: Divulgação/Athor Bikes

O interesse das pessoas de manter o corpo ativo mesmo com as academias de ginástica fechadas e a intenção de fugir das aglomerações do transporte público, durante a pandemia de Covid-19, aumentaram a demanda por bicicletas em todo o País.

Com pedidos programados até 31 de dezembro de 2020 e avanço de 100% das vendas nos últimos meses, a Athor Bikes, fábrica localizada em Lagoa da Prata, no Centro-Oeste de Minas, vai expandir a produção.

De acordo com o fundador e diretor da empresa familiar, Pedro Paulo Gomes de Castro, cerca de R$ 10 milhões deverão ser investidos entre terreno, obras civis e maquinários, o que resultará em uma capacidade de produção de mil bicicletas por dia. Atualmente, estão sendo fabricadas 450 unidades/dia, número próximo da capacidade instalada e que só não está maior por dificuldades na aquisição de insumos.

“Começamos pequenos em 2011, em um galpão de mil metros quadrados. Aos poucos, fomos crescendo e hoje temos nossa sede própria em um terreno de 7 mil metros quadrados, com seis mil metros quadrados de área construída. Já tínhamos um projeto de expansão, mas a pandemia – e as dificuldades geradas por ela – acabou se tornando uma grande oportunidade”, avaliou.

Dessa maneira, a empresa já prospecta uma área de 20 mil metros quadrados para a nova fábrica. Conforme o empresário, os investimentos deverão ocorrer no próximo exercício e as operações a partir de 2022, com a geração de, pelo menos, mais 50 postos de trabalho. Hoje, são 180 entre funcionários diretos e indiretos.

Novos mercados A elevação da capacidade de produção vai permitir que a Athor atenda novos mercados e inicie a internacionalização da empresa. “Já temos algumas conversas com clientes na Colômbia, Argentina e Paraguai e pode ser que os embarques se antecipem para 2021”, adiantou.

A empresa responde por cerca de 3% do mercado brasileiro e possui compradores em 13 estados diferentes, mas a maior demanda se concentra em Minas Gerais.

Sobre a pandemia e as medidas de distanciamento social, incluindo o fechamento de centros esportivos e de treinamento e o receio das pessoas quanto à aglomeração, o empresário afirmou que, em um primeiro momento, o impacto foi negativo. As operações chegaram a ficar suspensas por cerca de 15 dias e as vendas caíram drasticamente.

No entanto, a partir de maio, começou-se a observar elevação nos pedidos, que se manteve por junho e julho, inclusive para os meses seguintes, e a expectativa é de uma produção de 10 mil bicicletas/mês até o fim de 2020. Com isso, a empresa, que iniciou o ano projetando um aumento de 30%, deverá fechar com algo próximo de 50%.

“E, no ano que vem, a expectativa é alcançarmos um novo patamar, com um leque amplo de clientes. A verdade é que essas mudanças impostas pelo coronavírus também fizeram as pessoas reverem conceitos, a valorizar antigos costumes. As bicicletas infantis, por exemplo, voltaram a ser opção de presente para os pais”, comentou.

Ao todo, são mais de 40 modelos disponíveis no portfólio, entre produtos das linhas infantil, adulta e de alta performance, produzidas a maior parte em aço e também em alumínio. Os clientes cadastrados chegam a 5 mil entre redes varejistas, bike shops, empresas de e-commerce e outras como a MRV Engenharia e Gerdau. No caso da construtora, os equipamentos são disponibilizados nos empreendimentos residenciais.

Em relação à composição das bicicletas, Castro explicou que são dezenas de fornecedores de insumos nacionais, mas que a empresa ainda importa componentes da China, como corrente, roda livre, freio, câmbio, entre outros. Conforme ele, 40% dos insumos são importados e 60% são nacionais (sendo 40% produzidos pela própria a Athor).