Australiana Lynas vai comprar megaprojeto de terras-raras no Sul de Minas

Multinacional fechou acordo preliminar para adquirir a Meteoric Resources por cerca de R$ 3,5 bilhões
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Australiana Lynas vai comprar megaprojeto de terras-raras no Sul de Minas
Foto: Divulgação/ Meteoric

A australiana Lynas Rare Earths fechou um acordo preliminar para adquirir a também australiana Meteoric Resources, dona do Projeto Caldeira, localizado em Caldas, no Sul de Minas Gerais. A transação está estimada em 968 milhões de dólares australianos, aproximadamente R$ 3,5 bilhões na cotação atual.

O Projeto Caldeira reúne o maior recurso mineral conhecido de óxidos de terras-raras em argila iônica fora da China. Os investimentos previstos para o desenvolvimento do empreendimento são de US$ 498,4 milhões, conforme estudo de viabilidade definitivo (DFS, na sigla em inglês) publicado pela Meteoric em julho.

De acordo com comunicado divulgado pelas companhias na quarta-feira (30), a transação será realizada integralmente por meio de ações. Pelo acordo, os acionistas da Meteoric receberão 0,0207 ação da Lynas para cada papel da empresa. Após a conclusão da operação, eles deverão deter cerca de 5,9% do capital da Lynas, considerando a base totalmente diluída.

A operação ainda depende de uma série de condições, entre elas a aprovação dos acionistas da Meteoric, da Justiça australiana e das autoridades brasileiras responsáveis pela análise de mudanças de controle envolvendo minerais críticos e estratégicos.

Pelo cronograma indicativo divulgado pelas empresas, a assembleia de acionistas da Meteoric está prevista para janeiro de 2027. Se todas as autorizações forem obtidas, a conclusão da aquisição é esperada para março de 2027.

O conselho de administração da Meteoric já recomendou que os acionistas votem a favor da transação, na ausência de uma proposta superior e sujeito à conclusão do especialista independente de que o arranjo atende aos melhores interesses dos acionistas.

Todos os diretores do conselho da Meteoric, que juntos possuem 2,6% das ações ordinárias em circulação da companhia, confirmaram a intenção de votar a favor, sujeitos a essas mesmas condições, assim como Tolga Kumova, maior acionista da empresa, e suas entidades associadas, que juntas possuem cerca de 6,7% das ações emitidas da companhia.

A Lynas possui operações na Austrália e na Malásia e é, atualmente, a única produtora comercial de óxidos de terras-raras leves e pesadas separados fora da China.

O Projeto Caldeira oferece potencial de integração com as operações de processamento da Lynas na Malásia. Também há possibilidade de a companhia desenvolver as atividades de separação de terras-raras no Brasil, agregando valor à cadeia produtiva no País.

Em maio, a Meteoric havia anunciado que avançaria na cadeia e realizaria a separação de óxidos no Brasil, embora o foco, naquele momento, fosse desenvolver a primeira fase do Projeto Caldeira, voltada à produção de carbonato misto de terras-raras.

Como parte do acordo, a Lynas também concordou em disponibilizar à Meteoric uma linha de financiamento interina de até 110 milhões de dólares australianos, destinada à continuidade do desenvolvimento do Projeto Caldeira, aos custos relacionados à implementação da transação e às necessidades de capital de giro durante o processo.

Sobre o autor

Rafael Tomaz

Editor e chefe de reportagem do Diário do Comércio desde 2019. Atuou como repórter entre 2007 e 2018. Graduado em Jornalismo pela Newton Paiva. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/rafael-tomaz

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


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