Meteoric deve investir US$ 498,4 milhões no projeto de terras-raras no Sul de Minas
O estudo de viabilidade definitivo (DFS, na sigla em inglês) do projeto de terras-raras Caldeira, no Sul de Minas Gerais, prevê investimento total de US$ 498,4 milhões (aproximadamente R$ 2,5 bilhões na cotação atual) pela australiana Meteoric Resources.
Divulgado na sexta-feira (31), o documento aponta US$ 356 milhões em custos diretos, US$ 97,1 milhões em indiretos e US$ 45,3 milhões de reserva de contingência.
A licença de instalação (LI) do empreendimento, que será implantado no município de Caldas, é esperada para o último trimestre de 2026. A licença prévia (LP) foi concedida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) em dezembro de 2025.
Os resultados do DFS devem contribuir para a conclusão das negociações de acordos de compra da produção (offtake) e de financiamento do projeto. A decisão final de investimento (FID, na sigla em inglês) está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Pelo documento, a construção tem duração estimada de 26 meses, incluindo os trabalhos preliminares e uma margem de contingência de seis semanas.
É indicado no estudo de viabilidade definitivo que a primeira produção de carbonato misto de terras-raras do Projeto Caldeira será em 2029, após a emissão da licença de operação (LO) pelo órgão ambiental. Anteriormente, a diretoria da Meteoric projetou que o arranque das operações poderá ocorrer no segundo semestre de 2028.
Na fase de construção, a expectativa é de que 1.200 empregos sejam criados. Quando estiver em funcionamento, o empreendimento deve empregar 520 pessoas.
- Leia também: Meteoric negocia venda de parte da produção do Projeto Caldeira para a sul-coreana Posco
Vida útil da mina e volumes de produção
Ainda conforme o estudo de viabilidade definitivo do Projeto Caldeira, a vida útil da mina inicialmente será de 20 anos. Há potencial de expansão e prolongamento, considerando que a Meteoric explorou apenas 10% das áreas que tem direito no Sul de Minas.
A planta de processamento foi projetada para produzir em torno de 25 mil toneladas anuais de carbonato misto de terras-raras, a partir do processamento de seis milhões de toneladas de argila iônica, operando continuamente ao longo do ano com 91,3% de disponibilidade.
O mix de produção do empreendimento inclui terras-raras magnéticas leves e pesadas, consideradas essenciais para indústrias críticas. Por exemplo, neodímio-praseodímio (NdPr), utilizados na fabricação de ímãs permanentes para veículos elétricos, robótica, motores industriais e turbinas eólicas, e disprósio-térbio (DyTb), empregado em ímãs de alta temperatura para os setores de defesa e aeroespacial.
No primeiro momento do projeto, a Meteoric produzirá apenas o carbonato misto de terras-raras. Entretanto, avalia instalar uma unidade de separação de óxidos no Brasil, de acordo com o DFS. Em maio deste ano, o diretor-executivo da companhia, Marcelo de Carvalho, afirmou ao Diário do Comércio que a empresa já decidiu realizar a segunda fase da cadeia produtiva no País e agora estuda o capex e o cronograma da nova etapa do Caldeira.
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