Meteoric negocia venda de parte da produção do Projeto Caldeira para a sul-coreana Posco

O fornecimento envolve até 30% do material que será produzido no empreendimento localizado em Caldas, no Sul de Minas
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Meteoric negocia venda de parte da produção do Projeto Caldeira para a sul-coreana Posco
Foto: Divulgação / Posco

Até 30% da produção de terras-raras do Projeto Caldeira, em Caldas, no Sul de Minas Gerais, poderá ser vendida pela Meteoric Resources à Posco International Corporation por um período de até sete anos. O fornecimento de carbonato misto está previsto em um memorando de entendimento (MoU), assinado na segunda-feira (27), em São Paulo.

O documento propõe a adoção de um mecanismo de precificação independente, referenciado inicialmente pelo Asian Metal Index. O modelo final será definido em negociação, incluindo potenciais pisos de preço e divisão de ganhos nas altas do produto.

O acordo de parceria estratégica não é vinculante, está sujeito a novas tratativas comerciais, diligência, aprovações internas e execução da documentação definitiva. Embora não revelem números, a companhia australiana e a sul-coreana pretendem negociar volumes anuais significativos e as discussões seguem em andamento.

Projeto Caldeira deve começar a produção em 2028

A Meteoric tem avançado com o desenvolvimento do Projeto Caldeira. A empresa afirma em comunicado que o estudo de viabilidade definitivo tem previsão de conclusão ainda para este ano e a decisão final de investimento deve ser tomada em 2027.

Conforme informado anteriormente, a Meteoric já obteve a licença prévia para o empreendimento, aguarda a licença de instalação, que autoriza o início das obras de construção, e espera começar a produzir no segundo semestre de 2028.

Já a Posco tem acelerado esforços para garantir e diversificar sua cadeia de suprimentos de minerais críticos e estratégicos. Em comunicado, a empresa afirma que processará os materiais do Projeto Caldeira por meio de seu negócio de separação e refino para produzir óxidos de terras-raras e fornecê-los a fabricantes de ímãs permanentes.

Recentemente, a Posco e a norte-americana ReElement Technologies formaram uma joint venture para construir um complexo de refino de terras-raras e fabricação de ímãs permanentes nos Estados Unidos. As fases iniciais de desenvolvimento do empreendimento abrangem a produção de três mil toneladas por ano de óxidos de terras-raras a partir de 2028 e expansão para seis mil toneladas anuais a partir de 2030.

Testes metalúrgicos do Projeto Caldeira confirmam que o carbonato de terras-raras da Meteoric tem baixa impureza e poderá ser processado pela Posco sem etapas adicionais de refino, otimizando o fluxo de processos de ponta a ponta.

Apoio ao processo de financiamento com possível aquisição de ações

Além da compra de parte da futura produção do Projeto Caldeira, o memorando prevê que a Posco apoie o processo de financiamento do empreendimento. A companhia sul-coreana poderá adquirir uma participação acionária na Meteoric, sendo que o eventual equity está sujeito a negociações separadas e diligência, e também auxiliar a empresa australiana no acesso a agências de crédito à exportação e instituições financeiras da Coreia do Sul.

Pelo MoU, ainda haverá troca de conhecimento e cooperação tecnológica entre as partes para o desenvolvimento em longo prazo de outras etapas da cadeia de terras-raras no Brasil.

“A Posco é uma das empresas compradoras, produtoras e industriais de commodities mais respeitadas do mundo. Por isso, recebemos com entusiasmo o interesse no Projeto Caldeira e a perspectiva de parceria e colaboração de longo prazo. Este é um desenvolvimento importante para a crescente relação entre Brasil e Coreia, duas das principais economias e destinos de investimento do mundo”, afirma o CEO da Meteoric, Stuart Gale.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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