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Ansiosamente aguardada por todos, a reabertura de bares e restaurantes exige uma série de mudanças nos hábitos de empresários, trabalhadores e consumidores do setor.

As medidas de higiene e distanciamento social talvez sejam a face mais visível de todas essas mudanças. Salões com capacidade reduzida, redução ou até extinção de serviços self service e fim dos guardanapos de pano devem ser algumas das novidades.

Se a ordem é compartilhar o menor número de itens possível, o que fazer com o cardápio que passa de mesa em mesa e de mão em mão?

A sugestão do grupo de pesquisadores liderado pelo professor do Departamento de Computação da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Élder Cirilo, é digitalizar os cardápios.

A ideia surgiu de conversas com donos de bares e restaurantes do Campo das Vertentes. A maioria pensou em plastificar os cardápios para facilitar a limpeza, mas a solução digital foi encarada por muitos como uma versão mais prática e atrativa para os clientes e facilmente atualizada. Assim surgiu o Menuh.

“Temos um grupo de pesquisa na universidade e o aplicativo é fruto da experiência do laboratório. A ideia veio a partir de conversas com vários empresários da região. Com a opção digital ele pode manter o cardápio do tamanho que quiser e é mais fácil atualizar. Não é um aplicativo de vendas, ele reúne os cardápios de vários estabelecimentos e pode ser acessado de casa ou dentro do restaurante. Muitos estabelecimentos, especialmente os que não atendiam por delivery, atendiam muito no WhatsApp. Então criamos um botão que direciona o cliente para o WhatsApp do restaurante. Essa é uma facilidade que faz com que o contato e a compra sejam feitos diretamente, sem a intermediação e o custo dos aplicativos de venda e entrega de alimentos”, explica Cirilo.

Por enquanto, o Menuh está disponível na plataforma Android para as cidades de São João del-Rei e Tiradentes. A versão para IOS já está pronta de deve ser disponibilizada nos próximos dias.

Para fazer parte, o comerciante precisa preencher um pequeno cadastro com os dados do negócio no menuh.dcomp.ufsj.edu.br. Depois é só preencher o cardápio com os pratos, uma pequena descrição e o preço. O acesso das empresas e dos consumidores é gratuito.

“Como um projeto de extensão, essa é uma contrapartida que a universidade oferece à sociedade. A tecnologia e a ciência têm essa capacidade de atender às necessidades da sociedade no curto prazo. No Brasil, a pandemia mostrou que essa possibilidade vem dos serviços públicos, especialmente das universidades públicas”, pontua o professor.

A expectativa é de que, com o tempo, o aplicativo ganhe novas ferramentas e funcionalidades, podendo, inclusive, gerar um novo negócio ou uma nova empresa na região que é conhecida pelo turismo gastronômico.

“Essa uma ideia que pode gerar novas demandas de interface e ferramentas, como atendimento automatizado, por exemplo. Vamos seguir ouvindo e pesquisando as necessidades dos nossos usuários. Ele pode virar um novo modelo de negócios no futuro ajudando os comerciantes não apenas da nossa região”, destaca o pesquisador.