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Sexto município mais populoso do Brasil, com 2,51 milhões de habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2019, Belo Horizonte ainda guarda certos ares de cidade pequena e, a ausência de um comércio 24 horas consistente, é uma dessas características.

Apesar de uma vida noturna agitada e de ser conhecida nacionalmente como a “capital dos bares”, são poucos os estabelecimentos que realmente não fecham. São tão poucos, diante do tamanho e poder econômico da cidade, que sequer aparecem como uma categoria nas pesquisas realizadas pelas entidades de classe do comércio.

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O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, destaca um conjunto de fatores para essa realidade que, por vezes, causa estranheza em quem é de fora. A própria cultura do belo-horizontino, o crescimento do delivery e o fraco desempenho da economia brasileira tendem a ser os principais.

“Boa parte da explicação vem da questão cultural: o pessoal gosta de ficar em casa à noite e com a comodidade do delivery isso fica ainda mais acentuado. É possível notar a movimentação de motoboys por toda a madrugada. Existe também a questão da lei do silêncio. Muitos comerciantes se sentem intimidados e preferem não estender as atividades além das 22 horas”, explica Souza e Silva.

Alguns setores, porém, vêm apostando no modelo de atendimento e alguns corredores, ainda que timidamente, vêm surgindo, como as avenidas Raja Gabaglia, Amazonas e Cristiano Machado e rua da Bahia. Elas começam a agregar serviços como petshops e clínicas veterinárias, salões de beleza e lavanderias, por exemplo. Eles se somam a outros mais tradicionais como drogarias e lojas de conveniência em postos de combustíveis.

“Aos poucos outros serviços vão ampliando o horário de atendimento até se tornarem 24 horas. A CDL-BH, por exemplo, tem um coworking que já atende diuturnamente. Claro que o volume de pessoas é bem menor de madrugada, as pessoas ainda estão conhecendo essa possibilidade”, pontua o presidente da CDL-BH.




Panificadora – Quem já se convenceu que atravessar a madrugada pode ser um bom negócio foi a Trigopane. A padaria, com unidades nos bairros Buritis e Sion, ambos na região Centro-Sul, tem atendimento 24 horas, disponível de segunda a sábado desde junho de 2019. Apenas na madrugada de domingo fica fechado. As lojas físicas ficam com as portas abertas de segunda a quinta até a meia-noite, às sextas e sábados até uma da madrugada e aos domingos encerra às 23 horas. O atendimento de madrugada ocorre através de uma grade, de forma que o cliente não tem acesso ao interior das lojas. Estão disponíveis todos os produtos de mercearia bem como: bebidas geladas, lanches prontos, pratos congelados, snacks, vinhos e destilados, hortifrúti, açougue e alguns produtos panificados. Para implementar o novo horário foram contratados 10 profissionais, entre atendentes, operadores e seguranças.

De acordo com o gerente de Marketing da Trigopane, Igor Silva, o número de clientes que chegavam às unidades no horário próximo ao fechamento é cada vez maior. Essa mudança de comportamento do consumidor levou à tomada da decisão. Atualmente, o atendimento fora do horário convencional corresponde por 3,5% do faturamento mensal das lojas.

“Com o cotidiano cada vez mais corrido, poder contar com uma loja que tem de tudo, como a Trigopane, é de grande ajuda para muitas pessoas. Os principais fatores que avaliamos antes de oferecer esse atendimento 24 horas, foram além da demanda crescente por parte dos clientes a questão operacional e logística. Precisa ser de uma forma que seja sustentável para empresa e assim poder perdurar e melhorar essa operação noturna”, afirma Silva.

Malhação – De outro lado, mesmo quem tem o atendimento estendido como um dos seus diferenciais não encontrou ânimo para a empreitada em Belo Horizonte. A rede de academias Selfit, franquia de origem baiana, tem duas unidades em Belo Horizonte, nos bairros União, na região Nordeste; e Cidade Jardim, na região Centro-Sul.

Segundo o gerente de Expansão da Selfit, Erick Lima, a unidade do Centerminas tem que obedecer o horário de funcionamento do centro de compras. Já a do bairro Cidade Jardim ainda precisa de um ecossistema mais consolidado para ampliar o horário de atendimento.

“Acredito que Belo Horizonte tenha potencial para esse tipo de atendimento, mas ainda estudamos a possibilidade. Um quesito importante, além da segurança, é ter outras atividades 24 horas por perto. Não é o nosso segmento que puxa esse modelo, mas outros como alimentação ou a existência de serviços como hospitais, por exemplo”, avalia Lima.




Para ele, a decisão não está ligada diretamente ao tamanho da cidade e o que fideliza o cliente é a comodidade. Ter um planejamento ajustado e olho nos custos é fundamental para não transformar a solução em dor de cabeça. “Tem custos operacionais a mais que uma tradicional como segurança, energia, encargos trabalhistas, água. Tudo isso tem que entrar na conta. É uma matemática complexa que inclui marketing e comunicação. Além disso, esse é um público mais volátil, que se torna fiel pela comodidade. É uma decisão pra ser avaliada com cuidado”, completa o gerente de Expansão da Selfit.

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