Bangalore, Índia – A Bristol-Myers Squibb anunciou a compra da Celgene por US$ 74 bilhões, criando uma empresa farmacêutica com uma série de medicamentos para tratamento de câncer e marcando uma das maiores fusões já registradas no setor.

A transação criará uma companhia com nove tratamentos para câncer e receita de mais de US$ 1 bilhão e acontece depois que a Celgene comprou a Juno Therapeutics, desenvolvedora de uma droga experimental para tratamento da doença, por US$ 9 bilhões, apostando na terapia de receptor antígeno de células T, conhecido como CAR-T.

A Bristol-Myers foi pioneira na área de imunoterapia com o medicamento Yervoy e, posteriormente, com o Opdivo, mas está sob pressão à medida que o medicamento Keytruda, da rival Merck, aumenta sua participação no mercado de tratamento de câncer de pulmão, o segmento de oncologia mais lucrativo.

As negociações começaram em setembro, com a Bristol-Myers se aproximando da Celgene, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.

O analista da BMO Capital Markets, Alex Arfaei, disse que o acordo aborda um tema que é prioridade para a Bristol na diversificação de sua atuação em imunoterapia, classificando a aquisição de uma boa oportunidade, mas cara.

“Este acordo proposto não dá um sinal confiável sobre as perspectivas independentes de crescimento da Bristol”, disse Arfaei em nota para clientes.

O aumento da concorrência entre os principais tratamentos contra o câncer de ambas as empresas e os contratempos clínicos ocorridos no ano passado levantaram preocupações dos investidores com suas perspectivas futuras.

As ações da Celgene perderam 38,6% do seu valor em 2018, enquanto as da Bristol-Meyers perderam 15,2%.

Os acionistas da Celgene vão receber uma ação da Bristol e US$ 50 em dinheiro por cada papel da Celgene detido. O valor representa um prêmio de 53,7% em relação ao preço da ação da Celgene na quarta-feira.

As empresas esperam concluir a transação no terceiro trimestre deste ano. A porção em dinheiro será financiada por uma combinação de dinheiro em caixa e emissão de dívida. (Reuters)