Com exceção da universidade, o Izabela Hendrix vai suspender as atividades | Crédito: DIVULGAÇÃO / IZABELA HENDRIX

O ensino privado, que antes da crise sanitária somava mais de 60 mil alunos em todo o Estado, pede socorro. Enfrentando, duramente, os reflexos do isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus, a atividade, tanto em Belo Horizonte quanto em Minas Gerais, foi uma das que mais sofreu prejuízos econômicos. É o que mostra pesquisa realizada pelo Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), em parceria com o Instituto Ver.

A possibilidade de as aulas presenciais não retornarem neste ano e, ainda, a falta de perspectivas a médio prazo, implicaram em uma série de danos para as escolas particulares, principalmente de Educação Infantil, bem como a recomposição do Calendário Escolar e no cumprimento das horas obrigatórias para o ano letivo.

Nesse contexto, muitas famílias estão inadimplentes com a escola ou cancelaram as matrículas, o que fez com que muitas instituições renegociassem descontos nas mensalidades e aderissem aos programas de manutenção de renda do governo federal na esperança de manter o emprego de professores e funcionários.

Segundo o levantamento, no Estado, uma média de 32,2% de professores e 42,7% dos funcionários administrativos tiveram redução salarial durante a pandemia. A educação infantil sofreu o maior impacto, com 48,9% dos professores afetados.

Após a suspensão das aulas presenciais no Estado, a média da inadimplência do pagamento das mensalidades foi de 37,4%, liderada também pela educação infantil, com 40,9%. Os cancelamentos de matrícula atingiram um patamar de 26,2%, com 30,1% no segmento da educação infantil, de acordo com os dados da pesquisa.

A presidente do Sinep-MG , Zuleica Reis, explica que, por não existir obrigatoriedade de matrícula para crianças de 0 a 3 anos e com a flexibilização das horas para os alunos que têm matrícula obrigatória, a educação infantil sofreu mais os impactos da suspensão de atividades.

“Logo no início da pandemia, as famílias não apostaram que a condução das atividades a distância serviria para desenvolver as habilidades necessárias para os alunos. Agora, sem expectativa de retorno, os pais acabaram tirando os filhos das escolas”, afirma.

A pesquisa não conseguiu levantar o número de instituições que fecharam as portas de forma definitiva, especialmente por serem estabelecimentos pequenos, espalhados por diversos municípios mineiros. No entanto, o sindicato estima que este número seja de 25% em todo o Estado.

Incertezas – Em pronunciamento ontem, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) afirmou que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) está preparada para abrir as escolas a qualquer momento, mas que por se tratar de uma crise sanitária, não se pode levar em consideração apenas os aspectos econômico e social e, sim, o risco de contágio. Sendo assim, ele ressaltou que não há data definida para autorização de retomada das atividades das instituições de ensino na Capital.

Zuleica Reis ressalta, porém, que o Sinep-MG apoia a decisão do Estado de retomar as aulas nos municípios que estão na onda verde, seguindo todos os protocolos necessários para evitar contaminação, uma vez que a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) acenou para a não existência de risco.

“Em Belo Horizonte, estamos com os níveis bem baixos, mas a autorização depende do prefeito. Desde maio insistentemente procuramos estar junto com o comitê municipal para mostrar as questões que têm afetado principalmente a educação infantil. Fomos atendidos uma vez pelo o prefeito e desde então a educação particular sequer é considerada no município de Belo Horizonte”, diz.

Segundo a presidente do sindicato, a falta de expectativa e as incertezas do município sobre retorno das atividades letivas faz com que as escolas não saibam como vão se organizar para o período de 2021.

“Vamos ter um colapso na educação municipal, porque representamos 55,19% da educação infantil no município e, com o fechamento das escolas e falta de expectativa de retorno, simplesmente os pais não vão ter para onde levar os filhos quando as aulas retornarem e as escolas não têm condições de abrir matrículas para 2021. É uma situação muito dramática, a tragédia está posta e o prefeito tem obrigação de saber o que está acontecendo com o município que ele administra”, conclui.

Escolas tradicionais não resistiram à pandemia

Os desafios financeiros foram a principal causa da suspensão das atividades do Colégio Metodista Izabela Hendrix, anunciada ontem, por meio de nota divulgada pelo Instituto Metodista Izabela Hendrix, mantenedor do colégio e do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix.

Apesar das mudanças na gestão, enxugamento do quadro administrativo, medidas não operacionais, aperfeiçoamento da proposta pedagógica e redução nas mensalidades, a Educação Metodista afirmou que a sustentabilidade da instituição foi comprometida pela crise financeira que se arrastava há quase duas décadas.

“Em decorrência do atual cenário, com profundo respeito e gratidão aos/às docentes, funcionários/as técnico-administrativos/as, aos pais e familiares, aos milhares de alunos/as formados/as e à comunidade, o Colégio Metodista Izabela Hendrix anuncia, portanto, a suspensão de suas atividades”, diz a nota.

Em nota, ainda, a Educação Metodista destacou a excelência do ensino da instituição, além do reconhecimento e qualificação de professores e qualidade na formação de alunos.

O Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix segue com atividades para o próximo ano e ampliará o portfólio, adequando-se às necessidades do mercado, além de oferecer duas novas graduações.

Educação infantil – No início de setembro, os impactos econômicos sofridos pela educação infantil levaram a Unidade de Educação Infantil do Colégio Imaculada da Conceição de Belo Horizonte (CIC BH), coordenada pela Rede Filhas de Jesus, a encerrar as atividades a partir de 30 de dezembro deste ano.

“Considerando que grande parte das famílias de nossas crianças, no direito que lhes assiste em tomar medidas preventivas de contágio e de ajuste financeiro, tomou a iniciativa de cancelamento dos contratos de prestação de serviços educacionais no ano de 2020, tornando inviável a sustentação financeira da Unidade Educação Infantil CIC BH”, consta em comunicado enviado aos pais e responsáveis.

Ainda no comunicado, a instituição informou que as atividades letivas, presenciais ou virtuais, previstas para a conclusão do ano letivo de 2020, serão prestadas regularmente.

Segundo fontes, o prédio, antes ocupado pelo jardim de infância do Colégio Imaculada da Conceição – Unidade Belo Horizonte, localizado na rua da Bahia nº 1.762, foi adquirido pelo Claretiano Rede de Educação, que vai transferir para as instalações a educação infantil da sua unidade hoje localizada na rua Aimorés nº 1.583.