Casas Bahia demitiu quase 12 mil funcionários desde 2023
O Grupo Casas Bahia reduziu em quase 12 mil o número de funcionários desde 2023, ano marcado por um plano de transformação adotado pela companhia para cortar custos e tornar a operação mais eficiente.
O movimento de redução de pessoal acompanhou o fechamento de lojas e a diminuição de investimentos. Mesmo após uma melhora dos indicadores operacionais em 2025, a empresa voltou a reduzir sua estrutura neste ano, antes de pedir recuperação judicial no domingo (16).
A nova rodada de cortes, que atingiu cerca de 3.000 trabalhadores e veio acompanhada do anúncio de fechamento de 298 lojas, foi suspensa pela Justiça na terça-feira (18). Ainda cabe recurso da decisão.
Procurada, a Casas Bahia afirmou que o processo de reorganização envolve diferentes frentes e períodos, e os documentos apresentados no pedido de recuperação judicial contemplam informações mais amplas sobre os desligamentos realizados. A varejista diz que medidas adotadas foram necessárias para adequar a estrutura ao novo dimensionamento da operação.
O TRT-10 (Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região) determinou o restabelecimento provisório dos vínculos e proibiu novas demissões coletivas sem negociação prévia com os sindicatos. A decisão, porém, não obriga a reabertura das unidades.
A Casas Bahia vinha reduzindo sua estrutura desde 2023, quando lançou o Plano de Transformação, estratégia voltada a cortar custos e melhorar sua rentabilidade. Em junho daquele ano, o grupo tinha 41.866 funcionários; no fim de 2023, eram 37.958.
O movimento continuou em 2024, quando o quadro caiu para 31.739 pessoas, e em 2025, quando chegou a cerca de 30,3 mil. No primeiro trimestre de 2026, eram 30.306 funcionários e, três meses depois, 30.117. Em três anos, a companhia cortou cerca de 11.749 postos, ou 28% do quadro.
O enxugamento também atingiu as lojas. Em 2023, o número de unidades caiu de 1.127 para 1.078. Em 2025, foram fechadas outras 34 lojas, levando o total de 1.076 para 1.042. Naquele ano, a companhia reduziu em 4.576 o número de funcionários, de 35.068 para 30.492, e afirmou que as medidas buscavam retirar estruturas que não geravam valor e aumentar a eficiência.
Corte de pessoal trouxe melhora operacional
O enxugamento da estrutura veio acompanhado de uma melhora nos indicadores operacionais. A margem Ebitda ajustada, que mostra quanto do faturamento sobra como resultado operacional antes de itens como juros, impostos, depreciação e amortização, passou de 6,1% no primeiro trimestre de 2024 para 9,8% no quarto trimestre de 2025.
A companhia também registrou R$ 2,2 bilhões em fluxo de caixa livre da firma em 2025, R$ 1,2 bilhão acima do ano anterior.
O problema é que a melhora operacional não resolveu todas as dificuldades financeiras. Os juros continuaram pesando sobre o resultado, dentre outros fatores como competição. Em 2025, o CDI médio passou de 10,8% para 14,3%, aumentando o custo financeiro da companhia.
No primeiro trimestre de 2026, a empresa ainda apresentava melhora operacional. O Ebitda ajustado chegou a R$ 597 milhões e o fluxo de caixa livre, a R$ 852 milhões. Ao mesmo tempo, porém, registrou prejuízo de R$ 1,06 bilhão, pressionado principalmente pelo resultado financeiro.
A situação se agravou no segundo trimestre. A companhia informou que seguradoras restringiram o crédito comercial oferecido aos fornecedores e que uma tentativa de captação internacional não se concretizou. Com menos acesso a recursos, passou a comprar menos mercadorias.
O estoque caiu de R$ 5,39 bilhões para R$ 4,23 bilhões entre o primeiro e o segundo trimestre, uma redução de R$ 1,16 bilhão.
Foi nesse momento que a companhia passou a falar em uma Fase 2 do Plano de Transformação. A ideia era adequar a estrutura ao menor volume de negócios, o que incluía novas reduções de lojas e de pessoal. A empresa provisionou R$ 502 milhões para despesas de reestruturação, incluindo a reorganização do quadro de funcionários.
Os cerca de 3.000 cortes anunciados em agosto não aparecem na evolução do quadro dos balanços porque ocorreram depois do fechamento do segundo trimestre. Eles vieram junto ao fechamento das 298 lojas e ao pedido de recuperação judicial, que envolve uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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