Mais que um público que assiste a tudo que a marca divulga, as empresas precisam construir uma comunidade que se engaja - Crédito: Divulgação

Foi-se o tempo em que a estratégia para divulgar a marca e produtos era simples e linear. Se antes bastava misturar um pouco de publicidade na TV com anúncios em outdoor ou jornais, agora é preciso muito mais para atingir esse cliente que é multitelas e cada vez mais on-line. Para ajudar empreendedores a entenderem mais sobre esse “cliente digital”, o Grupo Locaweb realizou, em Belo Horizonte, os eventos Locaweb Digital Conference e Tray E-commerce Conf, no Ouro Minas Palace Hotel, região Nordeste da Capital.

Um dos palestrantes do evento, Rafael Martins, CEO da Share – empresa de educação em comunicação e inovação -, lembrou que a propaganda de marcas mudou muito nos últimos anos. Ele destacou que, há poucos anos, as empresas gostavam de contar vantagens sobre seus produtos e serviços. Depois, essa estratégia passou a não fazer mais sentido e surgiram outras estratégias como merchandising, comerciais com entretenimento, inserção da marca em filmes e séries e até entretenimento puro.

“Um exemplo de propaganda que é entretenimento puro é o filme do Lego. Quando foi que a gente imaginou que ia assistir a um filme de uma marca e ainda pagar ingresso no cinema por ele? A verdade é que saímos do estágio de contar vantagem para contar histórias”, disse.

Martins também lembrou que, mais que um público que assiste a tudo que a marca divulga, as empresas precisam construir uma comunidade que se engaja. E, para isso, o segredo está no que a empresa está dizendo.

“Você precisa ter uma conversa relevante. Não tem mais a ver com fazer emocionar, mas com fazer sentido”, frisou.

A relevância do discurso também foi uma defesa de Rafael Kiso, fundador da mLabs – plataforma de gestão de mídias sociais. Segundo ele, o recomendável é que 80% do conteúdo de uma marca nas redes sociais seja sobre “coisas que ela sabe” e apenas 20% sobre o que ela vende.

“As pessoas não estão procurando novas propagandas para consumir, mas novas experiências. Todo mundo é especialista em alguma coisa, então aproveite seu know how e fale sobre isso”, disse.

O especialista também lembrou que a maioria dos usuários na internet “gravita” em torno daquilo que dá a eles capital social, que aumenta sua conexão, que aprofunda sua experiência e economiza seu tempo. Segundo ele, estratégias que considerem esses princípios têm grandes chances de sucesso.

Marketplace – Opção de muitos empreendedores, o marketplace também precisa ser bem explorado para trazer retorno real ao negócio. Vendedor há 10 anos nessa plataforma e especialista no assunto, Alex Moro falou ao público do evento sobre a importância de enxergar o marketplace como um meio para o negócio e não o fim dele. Ele explicou que o empreendedor precisa pensar na sustentabilidade e na diferenciação de sua loja e não entrar em uma briga por preço na plataforma.

“O marketplace está cheio de desafios: briga desleal de preços, vendedores que não emitem nota fiscal, entre outros problemas. Mas, não entre nessa disputa. Precifique corretamente seu produto, não olhe para a concorrência e muito menos compare seu bastidor com o palco do outro”, destacou.

Moro também trouxe algumas dicas básicas, como a importância de softwares, que podem reduzir custos e permitir que a empresa cresça “sem que o gestor fique maluco”. Ele também recomendou atenção aos processos, cuidado com a qualidade dos anúncios e convidou a todos a manterem o mindset de empreendedor.

“Ninguém vence alguém que não desiste. E isso tem a ver com mentalidade porque não adianta ter processo e software se você desiste porque mercadoria foi extraviada”, frisou.