Comunicação corporativa equilibra estratégias e reputação em prol do negócio
Entender as nuances e limites da comunicação corporativa em um mundo cada vez mais fragmentado e, ao mesmo tempo, de comércio globalizado, é o desafio da décima edição do Seminário Abracom Minas de Comunicação Corporativa. O evento, promovido pela regional mineira da Associação Brasileira de Agências de Comunicação Corporativa, acontece no dia 2 de julho, na Hotmart, no bairro Floresta, na região Leste de Belo Horizonte, e tem como tema “A comunicação entre bolhas & pontes”.
No centro do debate: reputação, influência, pertencimento e o papel estratégico da comunicação na formação de comunidades.
De acordo com o diretor regional da Associação Brasileira de Agências de Comunicação Corporativa (Abracom) em Minas Gerais, Rafael Araújo, o papel da comunicação é construir pontes flexíveis e resistentes. O profissional de comunicação corporativa precisa ser habilidoso e corajoso para dizer para a própria empresa que ela não pode tomar determinadas decisões. E isso fica ainda mais importante em um ano de eleições como 2026.
“A eleição sempre nos choca e é um sinal de como vai ser a relação com as marcas no futuro. As marcas estão sendo muito mais julgadas e pressionadas pela sociedade do que antes, mas nem toda empresa sabe como administrar isso. Não existe certo ou errado, existe a melhor decisão para o contexto. A comunicação precisa ler o contexto em tempo real e ser mais empática”, afirma Araújo.
Ao reunir profissionais de diferentes áreas e experiências, o objetivo do seminário é estimular uma discussão qualificada sobre o papel estratégico da comunicação na criação de relações mais humanas, transparentes e relevantes. Uma comunicação que ajude a liderança a ter uma postura que alie desempenho e propósito e seja capaz de criar pontes entre as bolhas sociais.
“As bolhas sociais são mais um sintoma da nossa sociedade. Lidar com pessoas está cada vez mais difícil, então passamos a fechar o nosso círculo de relacionamentos tornando o nosso mundo restrito. Nas últimas eleições a gente dizia que a política dividia as famílias. Hoje as marcas estão dividindo as famílias. Precisamos construir pontes mais flexíveis e resistentes”, aponta.

O evento será aberto pelo head de growth & communications na Inovabra, ecossistema de inovação do Bradesco, Paulo Emediato, com a palestra “O mundo em bolhas sociais”. Na sequência, o painel “Como as marcas estão lidando com as bolhas sociais”, com a chief sales & marketing officer do Grupo DVT Ludmila Ximenes e o diretor de comunicação externa, interna e reputação da Ambev, Gabriel Didier.
“Começamos com o Paulo Emediato, que é um grande estudioso sobre o futuro e um grande provocador. Então, abrimos falando das bolhas sociais num tom de incômodo. Os dados a gente já tem, agora é saber nos conectar emocionalmente com isso. Depois, o painel com dois convidados preciosos. O diretor de comunicação da Ambev. Imagine quantas marcas a Ambev tem falando com públicos completamente diferentes. Então, não é só fazer propaganda, tem que ter vínculo com esses públicos. E a Ludmila, que é mineira, foi diretora de comunicação do Mineirão por muitos anos, e hoje é do grupo DVT, que faz o Circuito Sertanejo. E é impressionante como a gente desconhece a cultura do interior. Então eu acredito que essa dobradinha vai ser muito boa”, diz.
E, para encerrar, a palestra “Como construir pontes em um mundo de bolhas”, com a fundadora da VB Cultura de Governança, Vânia Bueno. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.
“A Vânia é uma jornalista focada na governança. Ela vem nos alertar sobre a nossa responsabilidade enquanto comunicadores, não só uma responsabilidade técnica, mas também social”, explica.
Para o diretor regional da Abracom, a cultura mineira tem muito a agregar ao debate sobre o papel da comunicação corporativa nos tempos atuais.
“A mineiridade tem uma habilidade e um certo humanismo que cultiva valores como honra, vínculos pessoais e com as próprias marcas. Então, os mineiros tendem a ser mais habilidosos nessa transição. O maior desafio da comunicação corporativa é construir essas pontes, fortalecer as relações de maneira mais empática e que não nos permite fugir da nossa responsabilidade enquanto marca e profissionais. Então, a nossa habilidade humana nos permite sermos mais flexíveis. Nos permite fazer isso com mais jeitinho, mais delicadeza. E isso não significa que não é voltado a negócios”, pontua o diretor regional Abracom em Minas Gerais.
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