A Italínea prevê abertura de 60 lojas até o fim do ano | Crédito: Divulgação

As medidas de distanciamento social impostas como estratégia de combate ao Covid-19 levaram boa parte da população para dentro de casa, popularizando um modelo de jornada de trabalho batizado genericamente como home office.

Se desdobrando entre tarefas domésticas e os compromissos corporativos e sem poder sair para atividades de lazer, muita gente está descobrindo o funcionamento da própria casa e, assim, retomando velhos projetos e chegando à conclusão que nem tudo funciona como deveria.

O mercado imobiliário para residências aquecido e os depósitos de material de construção acusando crescimento das vendas em pequenos volumes para consertos e reformas, dão a pista para outros setores da economia.

Agora, a hora é de equipar a casa, trocar aquilo que não funciona direito e adquirir itens que ganharam importância em uma realidade em que as rotinas laboral e domésticas se misturaram definitivamente.

A chamada linha branca – composta por fogões, geladeiras, condicionadores de ar e eletrodomésticos de cozinha, entre outros – foi uma das que primeiro sentiu o efeito.

Dentro de casa, sendo obrigadas a cozinhar, muita gente está procurando mais comodidade e também economia. Velhos aparelhos, com mau funcionamento, estão sendo trocados por outros mais modernos e com menor consumo de energia.

Vimos a demanda crescer a partir de maio, afirma Costa | Crédito: Divulgação/Suggar

A Suggar, indústria mineira especializada em linha branca e seu braço no varejo, a Cook Eletroraro, viram a demanda crescer a partir de maio e teve o melhor mês junho da sua história em meio à pandemia. De acordo com o presidente da Suggar, Leandro Costa, a empresa precisou, em um movimento contrário à economia nacional, contratar e o quadro de funcionários já cresceu 10% desde meados de março.

“Existe uma demanda reprimida com os dois meses de queda. Junto a isso, os consumidores agora definitivamente se acostumaram com a compra on-line. Produtos que praticamente só eram vendidos em lojas físicas, como a lavadora de roupas, passaram a ser vendidos pela internet. Às vezes a pessoa não comprava on-line por causa do frete, agora com as lojas fechadas, só têm essa opção. Ao mesmo tempo, vimos uma certa falta de produtos no mercado porque as fábricas que ficam no Nordeste e em São Paulo ficaram paradas, de alguma forma isso nos ajudou também”, explica Costa.

E, se sair de casa para se divertir ficou quase impossível, a solução pra muita gente foi valorizar aquela área pouco utilizada da casa ou do apartamento e montar a sua própria estrutura de relaxamento.

As pessoas redescobriram a própria casa, diz Fabiano Souza | Crédito: Bárbara Dutra

A franquia da fábrica Riolax, na região Centro-Sul, especializada em banheiras, spas e ofurôs, apesar de ter passado os primeiros 45 dias da quarentena fechada, já registra vendas 45% maiores do que antes da pandemia.

Segundo o sócio-proprietário da franquia Riolax BH, Fabiano Souza, o resultado é uma grande surpresa e deve ser creditado à redescoberta da própria casa por gente que antes passava quase o tempo todo fora.

“Quando reabrimos, achávamos que nossos clientes dariam continuidade apenas a obras já começadas e foi uma boa surpresa receber novos consumidores. Muita gente que ficou dentro de casa, sem ter um lazer além da TV e do computador, viu que poderia aproveitar melhor o quintal ou a cobertura. A demanda por áreas gourmet aumentou muito nesse período e o movimento aqui na loja está até melhor do que antes do Covid-19”, afirma Souza.

Venda de cadeiras foi a primeira a aumentar, ressalta Oliveira | Crédito: Henrique Queiroga

Corporativo – Empresas fechadas e escritórios desertos poderiam ser um desastre para quem é especializado em móveis para ambientes corporativos. A realidade da Mobília – loja com mais de 40 anos dedicados ao segmento na região Centro-Sul e no Distrito Federal – foi diferente.

Em abril, a empresa registrou um aumento de vendas de cadeiras destinadas a home Office de mais de 200%, se comparado ao mesmo período do ano passado.

O CEO da Mobília, Fernando de Oliveira, revela que a cadeira é o primeiro móvel a impactar a qualidade devida de quem está trabalhando em casa, daí a explosão de vendas.

Agora que muitas empresas estão postergando a volta aos escritórios e outras já vão torná-lo um modelo permanente, outros móveis e soluções começam a ter as vendas aquecidas.

“Quem foi trabalhar em casa começou a perceber que não tinha o mobiliário adequado para ficar tantas horas por dia. E essa primeira percepção vem através da cadeira. Estão nos procurando as pessoas e também as empresas preocupadas em oferecer mais conforto para os seus colaboradores, financiando totalmente ou em parte ou comprando o equipamento para o funcionário. Agora que a venda de cadeiras tende a se estabilizar, outros itens começam a crescer. Desenvolvemos junto com nosso fornecedor, por exemplo, uma mesa específica para home office. Ela tem um desenho em cores mais identificadas com o estilo residencial porque as pessoas querem, além de funcionalidade, beleza e estilo, algo que tenha apelo estético também”, destaca Oliveira.

Gislene Lopes: as pessoas estão revendo a estética do ambiente | Crédito: Odilon Amaral

E para fazer modificações e implantar tantas inovações nas casas das pessoas, uma categoria profissional mal tem tempo de dormir: os arquitetos. Proprietária de um escritório que leva o seu nome, a arquiteta Gislene Lopes, além do home office, diz que muitos clientes estão buscando espaços como brinquedotecas para as crianças, o homeschooling e espaços de descompressão em casa.

“É impressionante como as pessoas passaram a ter um olhar diferente para casa. Agora tudo incomoda e os projetos são todos urgentes. Elas estão revendo a estética do ambiente, se preocupando com o aconchego. Antes estava bom ser funcional porque o uso era esporádico. Sempre trabalhei muito e continuo essa rotina porque me imponho um prazo para parar. A demanda continua crescendo, inclusive de quem já estava com o projeto em andamento e agora tem outras necessidades”, completa Gislene Lopes.

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