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Decreto que facilita posse de armas eleva demanda das lojas especializadas

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Já está nos planos da Casa Salles a construção de outras duas lojas físicas em Belo Horizonte, além de um e-commerce - Foto: Alisson J. Silva

Não é de hoje que os empresários de negócios ligados à posse de arma de fogo estão se preparando para um aumento de demanda no Brasil. Desde as eleições, as promessas de Jair Bolsonaro para flexibilizar a legislação já movimentaram o segmento. Mas, nos últimos dois dias a procura explodiu nas lojas de armas, nas escolas de tiro e nos estabelecimentos que prestam serviço de despachante especializado na documentação de posse de arma.

Isso porque, na última terça-feira, o presidente assinou o decreto que regulamenta o registro, a posse e a comercialização de armas de fogo no País, causando uma verdadeira corrida pelo produto e serviços relacionados.

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O decreto assinado pelo presidente facilita a posse de arma, ou seja, o direito de o cidadão ter uma arma em casa. As pessoas que desejarem a posse deverão ter acima de 25 anos e preencher uma série de requisitos, como passar por avaliação psicológica e não ter antecedentes criminais.

Mas, diferente do que acontecia até então, elas não precisarão mais apresentar uma justificativa. O registro e a análise da documentação continuam sob responsabilidade da Polícia Federal, mas, segundo Bolsonaro, poderá haver convênios com as polícias militares e civis para esse trabalho.

Localizada no hipercentro da Capital, a Casa Salles é a loja de armas mais tradicional da cidade. Por lá a procura aumentou quatro vezes em relação a um dia comum, segundo o proprietário, Guilherme Salles. “Ainda estamos no meio do dia e já atendemos cerca de 200 pessoas. Normalmente atendo 70 a 80 em um dia inteiro”, comemora. De acordo com ele, a assinatura do decreto pelo presidente foi um verdadeiro chamariz de clientes, o que resultou em muitas ligações para o estabelecimento, procura pelas redes sociais e visitas à loja.

“Eu não estou conseguindo atender as pessoas pelas redes sociais porque está uma loucura de gente ligando e procurando direto na loja. Percebi que há muitos curiosos, muita gente tentando entender o processo da posse e sondar os preços das armas, mas também há muitos interessados em comprar rápido. Até a venda aumentou para quem já tinha a documentação”, afirma.

Segundo ele, o perfil do consumidor é predominantemente de homens acima de 30 anos e que se queixam da falta de segurança no País. As principais armas procuradas são a pistola 380, que custa R$ 4.900; o revólver calibre 38, que custa R$ 2.900; e a espingarda cartucho 12, que custa R$ 3 mil e é vendida principalmente para quem mora ou trabalha na região rural. Salles acredita que as vendas vão acontecer, principalmente, depois do Carnaval e ele espera que a demanda cresça, na medida em que o presidente solte outras medidas de maior flexibilização.

Para atender o crescimento da demanda, o proprietário já está preparando a construção de outras duas lojas físicas na Capital, além de um e-commerce. Ele não revela o valor investido na ampliação, mas garante que será uma grande aposta, tendo em vista que uma das lojas vai funcionar num estilo mais premium com atendimento exclusivo, hora marcada e showroom. “Essa loja ficará na Savassi e será para atender o cliente com calma, explicando sobre a documentação e os tipos de arma. A terceira unidade também será na zona Sul da cidade”, afirma.

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Escolas também já registram demanda maior

Despachante – Na oficina de manutenção de armas, Arsenal Armeria, a procura de clientes também foi tão grande nos últimos dois dias, que a sócia Viviana Silva já está pensando em contratar novos funcionários. Localizada no bairro Calafate, na região Oeste, a empresa oferece o serviço de despachante especializado na documentação para quem quer pedir a posse de arma. Segundo ela, a empresa recebe cerca de dez pedidos por mês, mas entre terça-feira e ontem acumulou 15 processos em andamento.

“Nós imaginávamos que a procura ia aumentar, mas hoje foi um choque de realidade e não esperávamos por isso. Não estamos dando conta do telefone e estamos cogitando contratar mais pessoas para ajudar”, afirma. Segundo ela, o custo com o despachante e a taxa junto à Polícia Federal é de R$ 500.

Sobre o serviço de manutenção de armas, ela afirma que a demanda ainda não aumentou. Mas ela acredita que se o presidente aprovar uma anistia das armas que estão com documentação vencida em casa, o serviço deve crescer significativamente. O decreto assinado por Bolsonaro, no dia 15, não prevê anistia para quem perdeu o prazo para recadastramento, que terminou em 2009. Essa medida demanda mudança legislativa.

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