CEO da Vale está ‘otimista’ com decreto sobre cavidades que destrava investimentos

De acordo com o executivo, já houve 'algumas demonstrações' de que esse decreto está próximo de ser publicado
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CEO da Vale está ‘otimista’ com decreto sobre cavidades que destrava investimentos
Foto: Washington Alves / Reuters

O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse nesta sexta-feira (28) que está “otimista” com a possibilidade de edição de um decreto que trata das cavidades no setor de mineração, que poderia liberar investimentos ao tornar mais célere o licenciamento ambiental.

“Está caminhando, depois de 20 anos, hoje acho que posso dizer que me sinto otimista que esse processo está próximo de sair, e liberaria sim volumes… ao longo dos próximos anos”, disse ele a jornalistas.

“Vai destravando a mineração para que os processos futuros possam ser mais céleres”, acrescentou ele, após participar de seminário do Lide.

De acordo com o executivo, já houve “algumas demonstrações” de que esse decreto está próximo de ser publicado.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse esta semana que o decreto sobre cavidades está atualmente na Casa Civil, onde estão sendo avaliados detalhes jurídicos e técnicos. Segundo ele, o assunto já está “consensuado” entre os ministérios de Minas e Energia e Meio Ambiente.

Pimenta observou que, sem a norma, há dificuldades de a Vale avançar com o licenciamento ambiental em lugares onde já opera, como a Serra de Carajás, no Pará, onde está uma das maiores minas de minério de ferro do mundo a céu aberto.

“Pode destravar um volume de produção relevante dentro da indústria, porque muito desse potencial de produção está restrito pela limitação de cavidades”, declarou.

Segundo ele, após a edição do decreto, as cavidades que não têm um interesse em biodiversidade poderão ser objeto de mineração. Ele disse ainda que a norma prevê compensações ambientais.

Pimenta tem defendido que o Brasil deveria voltar a realizar megaprojetos de mineração, de US$15 bilhões a US$20 bilhões, ressaltando a necessidade de reformas para que o setor destrave o potencial do segmento no país.

A Vale vê potencial para expandir a capacidade de produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano, caso consiga avançar com a exploração do chamado bloco C, na região de Carajás, disse o executivo recentemente.

Em outra frente, ele disse que o projeto de lei dos minerais críticos é um “avanço”. Mas comentou que é importante ver como vai ficar a regulamentação final, para que “não se perca celeridade para o desenvolvimento”.

O Senado deve analisar nas próximas semanas o projeto, com a criação de uma política nacional de investimentos em minerais críticos e estratégicos, com foco no processamento no território nacional, informou a Agência Senado, na véspera.

O CEO da Vale também disse que os investidores estão confortáveis para investir no Brasil, mas há oportunidades de melhorias no ambiente de negócios, incluindo no tema ambiental.

Mercado de Minério

Questionado sobre os prêmios do minério de ferro de mais qualidade sobre aqueles com menor teor de ferro, Pimenta disse que eles estão em patamares adequados, mas devem melhorar nos próximos anos à medida que avance o processo de descarbonização da siderurgia no médio e longo prazos.

“Os prêmios para minério de ferro de qualidade melhoraram”, disse ele, ponderando que o contexto atual é de “margens mais comprimidas da siderurgia mundial”, o que afeta os preços.

Ele comentou que o prêmio hoje é “adequado”, citando que o minério de ferro com 65% de teor de ferro tem um diferencial de US$16 a US$17 sobre a commodity com 61%.

“Ao mesmo tempo, a nossa visão é de que esse prêmio pelo produto de qualidade vai incrementar por uma queda de qualidade dos minerais ao redor do mundo”, disse, lembrando que quem tem o mineral de melhor qualidade, como a Vale, “vai comandar o preço”.

Ele citou um movimento recente de melhora dos prêmios, mas disse que “obviamente o grande valor virá no médio e longo prazos com a aceleração da descarbonização”.

“É um tema que provavelmente vai levar alguns anos.”

Conteúdo distribuído por Reuters

Roberto Samora
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Roberto Samora

Agência Reuters

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