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Negócios

E-commerce é aposta de artesãs para ampliar renda

Projeto da UFMG originou novas estratégias de atuação da Imani Anna

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Objetivo das artesãs é trazer fortalecimento da cultura afro-brasileira enquanto missão | Crédito: Luísa Ferraz
Objetivo das artesãs é trazer fortalecimento da cultura afro-brasileira enquanto missão | Crédito: Luísa Ferraz

As bonecas pretas produzidas artesanalmente por cinco mulheres de Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte, significam renda e representatividade. Em meio à pandemia da Covid-19, as artesãs responsáveis pela Imani Anna, como é chamado o negócio, precisaram se adequar a um antigo chamado para fortalecer a presença dos produtos no mundo digital.

Contudo, antes mesmo dessa necessidade de se adequar aos fechamentos das feiras, onde as vendas estão concentradas, as empreendedoras perceberam que era necessário aprimorar a gestão do negócio. 

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“A princípio, a gente entendia que empreender é técnica e artesanato. Mas na prática, não é tão simples. E a gente percebia alguns gargalos”, conta Ana Paula Soares Medina, artesã que integra o Imani Anna.

Essa percepção foi o que estimulou o grupo a participar do edital de 2018 do Programa Colmeia, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que tem o objetivo de promover conhecimento por meio de oficinas e rodas de conversas sobre empreendedorismo, gestão financeira e a utilização de ferramentas de marketing digital para produtores da economia popular solidária. 

Com a participação nas oficinas do Colmeia, o grupo Imani Anna começou a pensar em pontos específicos e definir quem era o público das bonecas e dos bonecos de pano, a persona do empreendimento e todo o processo de gestão que faz a engrenagem funcionar, conforme conta a artesã Ana Paula Medina. 

Mensalmente, em 2020, as artesãs produziram em média 15 bonecas por mês, de variados modelos, sendo que o preço de cada uma era em torno de R$ 84. No entanto, a produção em 2021 oscilou e a Imani Anna teve uma baixa no número de pedidos, dado que o grupo acredita representar a queda também no poder de compra da população. 

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O trabalho para a produção de cada artesanato leva, em média, cinco horas até a finalização. No entanto, as artesãs trabalham por processos. A cada dia, uma das etapas é cumprida: corte das roupas, do “corpo”, costura e demais passos. Os insumos utilizados são, em sua maioria, tecido de malha, tricoline, fibra de silicone, lã e tinta própria para tecido, e a produção considera, ainda, a utilização de retalhos. 

A busca pela formação se tornou uma constante na vida das mulheres artesãs, que, além da venda do artesanato, têm diferentes fontes de renda. Recentemente, o grupo realizou cursos de fotografia para realçar a beleza e os detalhes trazidos nas peças produzidas e seguiram ativas nas redes sociais. 

“A pandemia nos obrigou a andar por um caminho que a gente ainda não conhecia. Nós tivemos a sorte de conseguir o auxílio (emergencial) para todo o grupo e, ao mesmo tempo, buscamos mais conhecimento em marketing, redes sociais, para chegar ao nosso cliente”, afirma Ana Paula Medina. 

A artesã lembra também que para itens de artesanato é importante que as pessoas tenham contato com o produto. Apesar disso, os resultados com o engajamento nas redes sociais logo foram sentidos. Hoje, o Imani Anna é mais conhecido e cresceu enquanto empreendimento, sendo que as vendas on-line é que estão garantindo a maior parte da renda resultante da comercialização das bonecas.

O impacto positivo da nova gestão do negócio, e que é fruto do incentivo do Colmeia, é que a complementação da renda das artesãs se torna mais expressiva. Contudo, um segundo segredo para a gestão dos negócios está em um ponto para lá de especial: entender o propósito daquilo que se faz. 

“Por várias vezes nós pensamos em desistir de fazer as bonecas. A produção começou em 2007, com a passagem de muitas mulheres. E hoje somos cinco. E a cada dificuldade a gente repensava a existência do empreendimento. E durante esses anos a gente tentava identificar por que as pessoas gostavam tanto das bonecas pretas. Até que percebemos que é pela falta de representatividade. E se ver em um produto é muito importante, ter referência”, diz Ana Paula Medina, que acrescenta que o objetivo é trazer fortalecimento da cultura afro-brasileira enquanto missão.  

O Programa Colmeia 

Conforme explica a professora da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG, Sibelle Diniz, o Colmeia é um programa de extensão de longa duração criado em 2014 e que é composto por diversos projetos que buscam apoiar os produtores na comercialização de itens, prestando assessoria por meio de construções pensadas conjuntamente

No período anterior ao início da pandemia da Covid-19, a própria Face recebia feiras de economia popular solidária com a exposição dos produtos dos empreendedores aprovados no edital para participação nos eventos e no Colmeia. Naquele momento, eram realizadas oito feiras de artesanato anualmente, com a apresentação de 10 a 12 produtores. Em média, a cada semestre 40 grupos de produtores faziam parte das oficinas do Programa. 

“A feira era esse lugar de comercialização e onde eram feitas também as atividades formativas, com trocas entre os produtores e formação para nossos estudantes que aprendiam muito ali e construíam soluções para os selecionados”, explica a professora Sibelle Diniz. 

Atualmente, o Colmeia realiza o trabalho de forma remota e realiza, principalmente, apoios à comercialização não presencial, com a monitoria de, em média, 50 grupos de produtores. Com a pandemia, o Programa estruturou conteúdos para que os produtores da economia popular solidária selecionados tivessem conhecimento sobre as vendas on-line e em redes sociais, além de reuniões virtuais para o compartilhamento de experiências dos próprios artesãos e artesãs

“A gente sabe que para a maior parte dos produtores houve perdas, queda de rendimento. Por isso, a nossa ideia era que eles conseguissem recompor ao menos uma parte com o comércio digital. E a gente percebe dois grupos de produtores: um grupo que conseguiu se estruturar bem durante a pandemia, que já tinha facilidade com isso, e outro que tem mais dificuldade com a tecnologia e que só agora estão se recompondo com o retorno das feiras presenciais”, observa Sibelle Diniz.

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