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O Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, 9ª melhor escola de negócios do mundo, com sede em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), de acordo com ranking do jornal britânico Financial Times, e a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), principal associação de promoção da inovação no País, trazem uma nova rodada da pesquisa sobre os impactos da Covid-19 em empresas inovadoras.

No primeiro levantamento foi possível avaliar em que medida e como as empresas esperavam inovar frente à mudança de cenário. Agora, passados quatro meses desde a chegada da pandemia ao País, o objetivo é avaliar se as estratégias adotadas foram eficientes e quais desafios foram superados ou surgiram no período.

Intitulada “Empresas Inovadoras e a Pandemia da Covid-19: uma reavaliação”, a pesquisa foi aplicada entre os dias 15 de junho e 9 de julho e contou com a contribuição de 152 respondentes, sendo eles executivos de empresas dos diversos setores da economia: indústria, serviços, saúde, educação, agricultura e tecnologia.

Permaneceu a percepção de alteração das agendas prioritárias das empresas desde o início da pandemia. Quando questionadas sobre a postura para equilíbrio das agendas de curto e de médio e longo prazos, uma maior parcela das empresas (57,2%) disse estar focada no curto prazo, mas também planejando estratégias sobre novos negócios, produtos e processos para os médio e longo prazos. Na primeira pesquisa, este número girava em torno de 50,9%. Outro dado importante que a pesquisa traz é a queda significativa das empresas que estavam focadas exclusivamente no curto prazo, 5,9% ante 12% em abril.

“É possível observarmos a reação de alguns segmentos frente à crise: no de tecnologia, por exemplo, a maior parte das empresas não demonstrou ter sofrido impacto negativo até o momento. Já a indústria, bem como no primeiro levantamento realizado, segue sendo desfavorecida, com 54% dos respondentes afirmando serem perceptíveis as consequências prejudiciais”, comenta o Gerente Executivo do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda.

“As empresas de todos os portes e setores parecem ter se adaptado melhor do que a expectativa inicial sugerida, de forma que não foi observado um aprofundamento dos impactos negativos sobre as atividades delas”, diz o presidente da Anpei, Humberto Pereira. “Dessa forma, a crença anterior de que a partir de maio ou junho os inconvenientes começariam a ser sentidos caso a pandemia perdurasse, não se confirmou”.

Outro ponto interessante trazido pela pesquisa foram as respostas obtidas com os questionamentos sobre os impactos prejudiciais do “novo normal” nas atividades de PD&I (pesquisa, desenvolvimento e inovação) das empresas. 53,3% dos respondentes afirmaram não terem sentido tais efeitos, contra 41,4% que os relataram e outros 5,3% que ainda não souberam responder.

“A percepção de impacto da crise nas atividades de PD&I das empresas aumenta de acordo com o porte. As grandes empresas parecem ter sido as mais negativamente afetadas no que tange estas atividades, com 53% do grupo afirmando essa percepção. Por outro lado, as microempresas foram as menos abaladas, com apenas 27% percebendo impactos negativos”, diz Carlos Arruda.

“Provavelmente, este fenômeno se dá pela natureza do negócio das microempresas, que na nossa amostra tendem a ser de serviço e tecnologia, havendo uma mais fácil transposição das atividades de PD&I para o home office”, diz Humberto Pereira.

Quarentena estendida – Já no que tange um possível aumento das medidas de isolamento social no Brasil, o que levaria a uma nova redução nas atividades econômicas do País, a expectativa desses empresários é de agravamento. Quando perguntados, dentro dessa perspectiva, qual prazo máximo dariam para que os impactos nas atividades de PD&I não sejam aprofundados, 33,3% disseram que a partir de setembro, enquanto 25,4% entendem que os impactos no setor virão em julho. Dentre os que disseram não ter sentido impactos negativos, grande parte (49%) concorda que não haverá mudanças, independentemente da duração da quarentena.

“Dentre aqueles que trabalham com a possibilidade de consequências futuras com provável redução das atividades de PD&I, apenas 11,2% acreditam que haverá uma perda de equipes especializadas sem perspectivas de retomada”, aponta Carlos Arruda.

“Outros 7,2% acreditam que haverá uma perda de laboratório, centro de PD&I e projetos, sem perspectivas de retomada”, alerta Humberto Pereira.