Aécio Lira*, Vagner Cavenaghi** e Waldomiro Loyolla***

Como educadores de engenharia, cada um de nós com quase cinco décadas de atuação e, nos últimos cinco anos, dedicados a analisar os impactos da revolução 4.0 na educação, em especial nas engenharias, temos a afirmar que o pós-pandemia traz um novo mundo de oportunidades de inovar e evoluir, evitando perda de energia em discussões que eram inócuas e desfocadas da realidade.

Nós, profissionais e educadores, devemos assumir, nesta pós-pandemia, que hoje o nosso sistema de educação superior está contaminado pelo vírus da má qualidade e da inércia acadêmica, na sua maioria presencial, e não digital. A sala de aula, mesmo nas melhores escolas, não mudou.

Os docentes, na sua grande maioria, são reativos às mudanças. Vejam a paralisia total no sistema de ensino das universidades federais nestes meses de isolamento. Só seis das 69 universidades federais adotaram o ensino a distância após o Covid-19, com pouco menos de 100 mil, dos 1,1 milhão de alunos, tendo aulas virtuais, contra mais de 960 mil estudantes parados.

Este é o quadro nas universidades federais: total paralisia, prejudicando, em especial, os alunos. Mudanças urgem por se tratarem das ainda consideradas melhores universidades do País.

Em que pese as questões de infraestrutura tecnológica e acesso à tecnologia de comunicação (notadamente internet) em grande parte da comunidade acadêmica, uma verdade de fácil observação e constatação é que grande parte do corpo docente, em todos níveis de ensino, não está capacitada nem disposta a mudar sua maneira de ensinar, na sua maioria com aulas passivas, que se arrastam por décadas, focadas no modelo presencial de transmissão do conhecimento.

Estamos no mundo 4.0 pós-pandemia. A transformação digital não parou. Ela não entrou em quarentena e foi acelerada pela pandemia. Urge que mudemos a grande maioria dos atuais e obsoletos projetos pedagógicos e metodológicos nas graduações públicas e privadas e que os cursos presenciais evoluam para o modelo atual, já permitido pelo MEC, de hibridizar o ensino com 40% de aulas digitais.

A pós-pandemia exige ainda mais dos educadores, docentes e alunos: o mundo 4.0 está aí à nossa disposição com a necessidade de novos conhecimentos: engenharia de dados, big data, analytics, inteligência artificial, manufatura aditiva, internet das coisas, entre outras áreas estruturantes da revolução 4.0.

Nesta pós-pandemia, nossas graduações, em especial as engenharias, precisam evoluir nos seus currículos, da tradicional computação científica para uma computação intensiva de dados. Que a pós-pandemia promova também uma urgente atitude inovadora da parte dos conselhos profissionais das engenharias, arquitetura e urbanismo, pois as cidades não serão as mesmas.

A revolução 4.0 está em todos os setores da economia: na energia, na robótica, na fusão das engenharias com a medicina; todos, sem exceção, a serem impactados nos seus atuais modelos de negócios.

Neste mundo 4.0, nós, educadores e profissionais, e também os alunos, estamos diante de novos tempos de oportunidades na busca de novos modelos, baseados em conhecimento, competências, habilidades e desempenho efetivo. Já é coisa do passado buscar apenas o diploma, resultado de uma educação centrada em aulas passivas.

A pós-pandemia chama os docentes a assumirem o papel da real mudança das salas de aula, em nome da ciência cognitiva. Portanto, é hora de mudarmos! No processo de isolamento social foram muitos os setores impactados, mas no setor de educação saltou aos olhos a constatação do abismo no qual nos encontramos.

*Engenheiro civil e ex-diretor da Escola de Engenharia da UFMG

**Engenheiro civil e doutor em engenharia de produção pela USP

***Físico e doutor em engenharia elétrica pela Unicamp. Os três são fundadores da P500 Soluções Educacionais