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A transformação digital na educação ganhou força com a Covid-19 e intensificará o ensino a distância | Cr[edito: ÁLVARO HENRIQUE / Secretaria de Educação do DF

Vazias. Nada de corre-corre entre as salas, de risadas e namoros mal disfarçados, poses para uma selfie ou aquela foto da turma, nenhuma gíria sendo inventada, nenhum pedido de silêncio ou súplica por atenção. Nem mesmo em tempos de guerra, as escolas ficaram tantos meses sem receber alunos como em 2020.

Cada uma ao seu modo, atendendo de crianças que mal sabem falar até veteranos de todas as idades, as instituições de ensino, consideradas, pela sua tradição milenar, porto seguro por muitos, simplesmente fecharam em março deste ano e a maioria não tem data para voltar.

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Nesse meio tempo, a tecnologia entrou em campo para que os conteúdos continuassem chegando até os alunos, pelo menos até aqueles que têm acesso a uma internet com o mínimo de qualidade. De outro lado, pais inseguros e alguns até sem dinheiro, impactados pela crise econômica desencadeada pela pandemia, tiraram os filhos pequenos das escolas particulares e foram atrás de descontos e flexibilidade nas formas de pagamento. E, tentando equilibrar as finanças sem deixar professores e alunos desassistidos, gestores públicos e privados enfrentam uma crise inédita e avassaladora.

O futuro da educação é, talvez, uma das questões mais complexas a ser respondida no que se convencionou chamar de “Novo Normal”. Entre as lições deixadas pela Covid-19 está a transformação digital, que permite o ensino a distância, e também que a figura do professor é imprescindível no processo de aprendizagem. Tivemos uma demonstração inequívoca de que a tecnologia pode juntar pessoas, mas também pode ser uma ferramenta perversa de exclusão social.

O certo é que o modelo emergente será híbrido, buscando o melhor do mundo físico e do mundo on-line. E que até aqueles que não achavam graça na sala de aula estão morrendo de saudades.

Atividades híbridas serão tendência

Eis a palavra que parece nortear a cabeça de educadores e gestores de instituições de ensino: hibridismo. Modelos que mesclem atividades remotas e presenciais devem dominar o mercado daqui para frente. A ideia é que uma vez introduzida uma determinada tecnologia – nesse caso as aulas intermediadas pelo computador ou dispositivos móveis – ela não saia mais de cena. Desse modo, os momentos presenciais tendem a ganhar relevância e serem aproveitados ao máximo.

Segundo o diretor acadêmico da Anima Educação, Rodrigo Neiva, a transformação digital já estava em curso em grande parte das escolas, porém a pandemia acelerou o processo de uma forma nunca imaginada. Professores, alunos e instituições foram capazes de uma verdadeira revolução de hábitos e crenças para garantir a continuidade dos processos de aprendizagem.

“Essas tecnologias vieram para ficar. Um ponto muito importante nessa análise é o papel do professor, ele é fundamental no planejamento das aulas. E esse momento de convivência entre aluno e professor vai ser muito mais efetivo a partir de agora. Percebemos um esforço muito grande dos professores para se apropriarem desse novo contexto. Vimos alunos e pais reconhecendo isso desde o começo. Todo esse trabalho tem uma importância para a saúde mental do aluno, além de capacitá-lo para enfrentar o novo mundo que vem aí”, avalia Neiva.

A diretora Educacional do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Ana Amélia Rigotto, também aposta no hibridismo e diz que o ensino remoto e as tecnologias que foram implantadas de forma emergencial em 2020 precisam entrar no planejamento estrutural e permanente das escolas a partir de 2021.

“Não dá mais para alegar o ineditismo dessa crise. Para 2021 e daí para frente, sabemos o que precisa ser feito. A introdução da tecnologia de forma emergencial feita este ano deve entrar na planilha das instituições de ensino como investimento permanente. A sociedade já exigia esses investimentos antes e a pandemia só veio acelerar o processo. As escolas que se saíram melhor nesse tempo foram, justamente, as que já tinham iniciado essa transformação”, avalia Ana Amélia Rigotto.

A escola faz parte da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, que mantém quatro colégios e três centros educacionais nas cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Juiz de Fora (na Zona da Mata Mineira), além de Belo Horizonte.

Segundo a presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Zuleica Reis Ávila, a indefinição quanto a um calendário para o próximo ano é angustiante para toda a comunidade escolar. Inadimplência, concentração do mercado e evasão escolar, especialmente na educação infantil, assombraram 2020 e devem continuar perturbando o trabalho dos gestores no próximo período letivo.

“Vejo um futuro ainda muito incerto por falta de diretrizes das autoridades. O que nos resta é planejar 2021 como se o calendário estivesse decidido. O ensino infantil passa pelas maiores dificuldades e cerca de 13 escolas já encerram suas atividades em Belo Horizonte. Crianças, pais e professores estão exaustos. Temos lutado incessantemente e precisamos pensar que o colapso do sistema particular vai sobrecarregar, mais uma vez, o sistema público”, denuncia Zuleica Reis Ávila.

“A gestão das escolas mudou muito. Primeiro devemos assumir a hibridez de uma forma fluida, as salas virtuais vão ficar e elas têm um papel importante. Por outro lado, os momentos da socialização passam a ser muito valorizados por alunos e professores, e precisamos fazer a gestão desses espaços de convivência como laboratórios, bibliotecas e áreas comuns. O digital pode ajudar a romper barreiras, desenvolvendo projetos com colegas de outras cidades, outros países, por exemplo. Vamos ter que desenvolver unidades curriculares pensando nessas interfaces. Muitas escolas dedicaram esforços e recursos para a capacitação dos professores, mas outras não se atentaram para isso. Quem estava mais preparado teve mais condição de sobreviver à crise”, completa o diretor acadêmico da Anima ­Educação.

Em 2020, ao contrário dos outros anos, os pátios das escolas estiveram vazios depois de março e o corre-corre entre as salas foi substituído pelo EAD | Crédito: Luciana Montes

Edtechs surfam na onda do novo normal

A chegada da Covid-19 ao Brasil jogou luz sobre as ­edtechs, que são empresas de base tecnológica especializadas na produção de conteúdos educacionais digitais. Fundada em 2014, a Desenrolado, com mais de 20 mil conteúdos produzidos e 500 mil alunos impactados, viu sua rotina e seu negócio mudar ao longo da pandemia.

Segundo um dos sócios-fundadores da Desenrolado, Igor Pelúcio, mais do que videoaulas personalizadas, vlogs, audiolivros, chats, podcasts, trilhas digitais, entre outros materiais educacionais, o que a empresa se propõe a fazer são materiais que possam facilitar o aprendizado sem abrir mão ou mesmo diminuir a importância do professor.

“A escola é aquela instituição que não pode parar. Cada vez que ela para, paramos o desenvolvimento das pessoas, do País. Este ano, para evitar a paralisação, ela teve que se reinventar. Estamos no mercado há mais de seis anos e já havia crescimento de conteúdo digital, há, pelo menos, cinco. O que aconteceu foi um aumento do que já estava sendo usado e a criação de novos modelos. O professor teve que se adaptar. Esse processo precisa ser humanizado, interativo. O que mais aprendemos, é que a essência não muda. Os alunos ainda querem professores engajados. O professor é um grande guia. Se você tem uma videoaula, é o professor que sabe quando ela deve ser inserida. Precisamos ainda mais de professores que funcionem como mediadores, até por ter tanto conteúdo digital disponível. O segundo aprendizado é: não acreditamos em 100% EAD na educação básica. Acreditamos no hibridismo com assertividade pedagógica. Mesmo que seja remotamente, o aluno precisa da presença do professor. Educação é feita de gente para gente. Não é porque é remoto que não é humano”, defende Pelúcio.

Escola de negócios – Na outra ponta, empresas de todos os setores precisam continuar qualificando suas equipes e lideranças. Apontada como uma das melhores escolas de negócios do mundo, a Fundação Dom Cabral (FDC), sediada em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), também viu sua rotina alterada, metodologias repensadas e propósito expandido.

De acordo com o vice-presidente da FDC, Aldemir Drummond, as principais mudanças do ponto de vista da tecnologia já estavam acontecendo de alguma forma e foram aceleradas. Agora é preciso entender o que funcionou e deve permanecer ou o contrário, inclusive no campo pedagógico.

“Algumas coisas funcionam até melhor que antes e outras não. Muitas dessas soluções híbridas tendem a crescer muito. Tinha empresa que gastava o mesmo em logística e no programa de educação. Será que isso fazia sentido? Do lado das escolas, estamos começando a aprender sobre isso, inclusive do ponto de vista pedagógico. Agora podemos atingir muito mais gente. A fundação está fazendo um movimento muito grande de tentar trabalhar mais com a base da pirâmide. Exatamente pela percepção de que não dá mais para viver em um país com uma desigualdade tão grande. Isso está crescendo e traz uma série de mudanças na instituição, na forma como nos comunicamos e nos apresentamos, por exemplo”, pontua Drummond.

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