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ESG: Discurso ainda está dissociado da prática

Sobre a adesão ao movimento de neutralidade de carbono, executivos (36%) alegam não ter compromissos definidos

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Crédito: Reprodução

Assídua frequentadora dos noticiários e dos discursos corporativos, a sigla ESG (ambiental, social e governança) ainda tem pouco espaço nas empresas e na agenda dos principais executivos no Brasil e no mundo. A conclusão vem diretamente dos números apurados pela 25th Annual Global CEO Survey (25ª Pesquisa Global com CEOs), realizada pela PwC. A consultoria entrevistou cerca de 4.400 executivos de empresas em 89 países e territórios, entre outubro e novembro de 2021. Quatro por cento do total eram brasileiros.

O objetivo era trazer a visão e o nível de confiança dos principais executivos do mundo sobre o crescimento da economia global e dos negócios das empresas das suas principais indústrias, levando em consideração o panorama do mundo com avanço da vacinação, retomada da economia e todos os demais fatores que influenciam no movimento da economia mundial. Todas as entrevistas quantitativas foram realizadas de forma confidencial.

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De acordo com o sócio da PwC Brasil, Mauricio Colombari, já há algum tempo a PwC vem destacando os aspectos de ESG na pesquisa, mas este foi o ano com maior ênfase. Os resultados, em certa medida surpreendentes e frustrantes, demonstram um discurso ainda dissociado da prática e o peso das dificuldades macroeconômicas em economias fragilizadas como o Brasil.

Sobre a adesão ao movimento de neutralidade de carbono, 36% dos executivos brasileiros alegam não ter compromissos definidos, índice próximo à amostra global, 41%. Ao mesmo tempo, 38% não assumiram compromissos com iniciativas net-zero; índice global é de 44%. Quanto aos índices das empresas que assumiram compromissos com a neutralidade de carbono, são 27% no Brasil ante 22% entre os dados globais.

Entre os fatores que mais influenciam os compromissos de carbono neutro das empresas brasileiras, o principal é a mitigação dos riscos das mudanças climáticas, afirmam 67% dos CEOs entrevistados. Na sequência estão as entregas de produtos e serviços inovadores, para 62% deles. Em comparação aos índices globais, esses mesmos fatores aparecem com 61% e 52%, respectivamente.

Para aquelas companhias que alegam motivos para assumir compromissos de carbono neutro no Brasil, 57% dos CEOs afirmam não produzir uma quantidade significativa de gases de efeito estufa, 55% dizem não ter capacidade de mensurar as emissões e 52% apontam que o setor de atuação não tem abordagem estabelecida para descarbonização.

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“A COP 26 (Conferência sobre as mudanças climáticas realizada pela Organização das Nações Unidas, em Glasgow, em novembro de 2021) foi a Conferência com maior participação de entes privados. Por isso eu esperava que os resultados dessa pesquisa fossem mais significativos e fiquei decepcionado. O progresso foi muito modesto não só na questão da prioridade do tema dentro da agenda, como também aos compromissos e ações já estabelecidos. Todo mundo fala sobre isso, mas há pouca ação. Vemos esse quadro com apreensão, mas existe tanta coisa acontecendo, como as questões macroeconômicas no Brasil, por exemplo, que os executivos são obrigados a lidar com questões mais urgentes”, explica Colombari.

Entre as indústrias brasileiras que superam a média nacional de empresas que aderem ao compromisso net-zero, 27% delas, os setores de Consumo e Energia, Serviços de Utilidade Pública e Recursos Naturais (EUR) ficam acima desse índice, 34% e 29%, respectivamente. Abaixo da amostra do Brasil aparecem Serviços Financeiros, Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT), e Saúde, com 23%, 20% e 17%, nessa ordem.

Ao analisar o revés, 38% dos executivos brasileiros alegam não ter iniciativas ligadas ao compromisso de net-zero e apenas o segmento de TMT supera a margem nacional com 50% das empresas nessa direção. Com percentuais menores que o geral do Brasil estão empresas de Serviços Financeiros (35%), Consumo (34%), Saúde (33%) e EUR (28%).

“Isso demonstra que as empresas que pela própria natureza do negócio fazem emissões maiores, são as mais preocupadas em mitigar e neutralizar os gases de efeito estufa, mas, ainda assim, isso é pouco diante do volume de empresas que temos atuando com essas atividades. Isso é desconcertante porque temos muitos bons exemplos da iniciativa privada atuando e alcançando bons resultados dentro desses setores, mas no conjunto ainda é pouco”, avalia.

Para 63% dos CEOs brasileiros, a ameaça das mudanças climáticas deve impactar a venda de produtos e serviços nos próximos 12 meses. 45% deles acreditam que afetará o aumento de capital e 39% temem pela interferência no desenvolvimento de produtos e serviços. No mundo, as perspectivas sobre esses fatores são um pouco diferentes. Para 54% haverá impactos nas vendas, 28% no aumento de capital e 48% no desenvolvimento de produtos e serviços.

Os dados parecem incoerentes com a baixa adesão ao tema das mudanças climáticas no dia a dia das corporações. Mais uma vez a economia real ajuda a explicar o fenômeno.

“Aqui os CEOs parecem entender como efeitos das mudanças climáticas consequências físicas imediatas, como a paralisação de uma operação ou a quebra da cadeia logística por causa das chuvas torrenciais em determinado período ou a alguma mudança na legislação”, pontua.

Do mesmo modo, o aparente descaso com o grande volume de recursos para investimentos em projetos responsáveis no mundo – especialmente os anunciados pela Europa no seu plano de recuperação econômica pós-Covid-19 – está assentado sobre a falta de informação e de capacitação das equipes e seus líderes.

“É notório que existe no mundo, hoje, um volume espetacular de recursos destinados a projetos ‘verdes’ sem destino. As empresas não se sentem confortáveis porque, sequer, têm um inventário de emissões e estão deixando de captar recursos por meio de instrumentos sérios muito mais baratos. Elas perdem oportunidades porque essas são estratégias que não são pensadas e colocadas em prática de uma hora para outra. As empresas que estão aproveitando essa janela de oportunidade são sempre as mesmas e que estão discutindo isso há muito tempo. O Brasil tem um potencial para ser uma potência ambiental, mas estamos perdendo o bonde”, lamenta o sócio da PwC Brasil.

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