No Fa.Vela não tratamos do futuro de trabalho, mas do trabalho do futuro, diz Souza | Crédito: Rodolfo Rizzo

Conhecida por ser uma aceleradora de negócios sociais, o Fa.vela lançou, em setembro, a Futuros Inclusivos, braço de consultoria para empresas. A nova vertical pretende atender à demanda de empresas, de forma sistematizada e com metodologia própria, que buscam por implementar uma política diversa e plural de maneira sustentável.

Até aqui, essas empresas pediam apoio ao Fa.vela, que precisava modificar sua atuação para não deixar ninguém desamparado. A aceleradora de negócios já impactou mais de 1,8 mil pessoas com 260 projetos impulsionados e liderados por 500 empreendedores acelerados, e mais de 20 programas de letramento empreendedor e pré-aceleração realizados pela organização em mais de 25 municípios em Minas Gerais, Espírito Santo e Pará.

De acordo com o diretor e cofundador do Fa.vela e Head da Futuros Inclusivos, João Souza, a valorização das redes produtivas locais durante a pandemia deu visibilidade a uma perspectiva que já existia: a importância econômica das redes locais. Isso fez com que mais empresas buscassem conhecer o funcionamento dessas redes e quisessem integrar sua rotina de produção e comercialização às localidades. A visão de um futuro sistêmico, que vai além de ações pontuais pautadas sobre o assistencialismo, levou à criação da Futuros Inclusivos.

“A Futuros é uma plataforma de inovação social que foi construída ao longo dos anos, pela nossa experiência. Começamos a ter um olhar de levar mais inovação aos nossos processos e percebemos que a discussão sobre futuros é ainda muito excludente. Uma parcela muito grande das pessoas e das empresas está fora dessa perspectiva de inovação. No contraponto disso começamos a entender que esses pequenos empreendedores, todo dia, estão criando futuro, às vezes, porém, o dia de amanhã já é o futuro. Entendemos que isso era um processo, e o Fa.Vela tinha essa perspectiva. Começamos a levar essas tecnologias a ajudar outras organizações. Daí surge a Futuros, porque cada vez que uma empresa buscava uma consultoria conosco, tínhamos que repensar nosso escopo de trabalho. Com a Futuros Inclusivos podemos aplicar a metodologia que desenvolvemos de forma customizada para cada um que nos procura”, explica Souza.

Rede de parceiros – Empresas de diferentes portes e setores já firmaram parcerias com a plataforma. De modo geral, tudo começa com uma boa e profunda conversa. O alinhamento de propósitos, que foge das ações puramente assistencialistas e pontuais é fundamental para a continuidade do trabalho. Dessa forma, muitas vezes, é mais fácil trabalhar com empresas de menor porte, com menos estratos hierárquicos, do que com a gestão muito distante da operação.

Alguns setores, pela própria natureza do negócio, saíram na frente nessa busca, como, por exemplo, educação e alimentação.

“No Fa.Vela não tratamos do futuro de trabalho, mas do trabalho do futuro. Como fazer com que mais pessoas possam ocupar os postos de trabalho que vão existir. Se temos uma grande massa sem acesso aos avanços tecnológicos, como faço o letramento tecnológico dessas pessoas. Em alguns casos, como essas pessoas possam criar o seu trabalho do futuro. O negócio da Futuros é sobre descolonizar futuros. Ter mais pessoas periféricas trabalhando e pensando no futuro. Já não existe nenhuma lógica de pensar em futuro sem pensar em pluralidade. As empresas precisam entender o que isso significa para o negócio deles. Fazemos uma imersão, quais as possibilidades alinhadas ao negócio, como ela pode entregar mais para a sociedade através do produto ou serviço que ela já presta, de forma sustentável. Isso é geração de impacto sistêmico”, pontua o Head da Futuros Inclusivos.

Crédito: Divulgação/Mariana Mulheres que Inspiram

Mariana ganha aceleradora de mulheres

Criado para amenizar os impactos do rompimento da Barragem do Fundão na cidade de Mariana, região Central de Minas Gerais, em 2015, o Grupo Mariana Mulheres que Inspiram expande as suas ações e ganha casa própria.

No dia 9 de outubro, foi lançada a Aceleradora de Mulheres, espaço localizado na rua da Paria 438, no bairro Passagem de Mariana, destinado à capacitação de moradoras de Mariana e regiões adjacentes no interior de Minas Gerais.

O local abriga cursos de capacitação em consultoria financeira, marketing digital, atendimento psicossocial e jurídico, cursos na área de inovação e tecnologia, entre outros segmentos. A iniciativa é pioneira, pois será a primeira aceleradora focada no desenvolvimento profissional de mulheres de Minas Gerais.

“É uma fase muito importante para o nosso grupo. Começamos com 15 mulheres, hoje somos 420. É uma grande vitória para todas nós podermos inaugurar um espaço que vai capacitar e, sobretudo, empoderar mulheres”, comemorou a fundadora do Mariana Mulheres que Inspiram, Marciele Delduque.

Além de capacitação, o espaço também funcionará como um coworking, onde as mulheres envolvidas com o projeto poderão utilizar como uma base, para desenvolver seus trabalhos, receber clientes e fomentar parcerias.

A expectativa do grupo é que a Aceleradora de Mulheres atenda um total de 1.600 mulheres até outubro de 2021.