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Falta de conectividade prejudica a renda

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59,4% das pessoas que moram no Brasil não sabiam se teriam comida no dia seguinte entre março de 2020 e março de 2021 | Crédito: Billy Cedeno/Pixabay

Estar entre as 15 maiores economias e ao mesmo tempo ser o nono país mais desigual do mundo faz do Brasil um grande paradoxo e expõe uma das nossas maiores fragilidades: a falta de equidade nas oportunidades de desenvolvimento da população.

Durante os inimagináveis últimos 18 meses assolados pela pandemia, o estado de calamidade social brasileiro ficou ainda mais claro. Durante a primeira onda da Covid-19, no primeiro semestre do ano passado, mais de 30% dos 211,8 milhões de brasileiros tiveram de ser socorridos na etapa inicial do auxílio de R$ 600 aprovado pelo Congresso, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em julho de 2020 – cerca de 68 milhões de brasileiros na primeira fase e cerca de 57 milhões na segunda rodada, a partir de setembro, quando o auxílio foi reduzido para R$ 300.

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O necessário isolamento social como arma de combate ao alastramento do SarsCov-2, que colocou trabalhadores e crianças em casa, deixou nítida mais uma face perversa da conjuntura econômica e social do Brasil: a desigualdade digital.

Um estudo realizado pela consultoria PwC Brasil, em parceria com o Locomotiva Instituto de Pesquisa, divulgado recentemente, mostra que se as classes mais pobres tivessem o mesmo patamar de acesso à web disponível para as mais altas, sua renda poderia dar um salto de 15,3% – evidenciando que a falta de “conexão” está ligada à renda. Ainda, segundo o levantamento, apenas 29% da população acima de 16 anos está plenamente conectada, ou seja, tem acesso à internet em todos os momentos, sem problemas graves de instabilidade.

Para o presidente do Conselho do Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB), Hugo Bethlem, a desigualdade digital coloca os mais pobres em situação ainda mais vulnerável, pois tira deles qualquer possibilidade de acesso a direitos básicos como a educação e o emprego.

“Lembro quando em 1996, no lançamento do Hopi Hari, em uma palestra, o Joelmir Beting disse que pela primeira vez a tecnologia estava a serviço do pobre. Ele se referia ao pager. Aquele aparelhinho permitia que o trabalhador que estava na favela fosse localizado praticamente em tempo real. Era o primeiro endereço digital da história dele. Hoje chegamos à era do smartphone. A quantidade de brasileiros que têm acesso é impressionante. Somos o país dos pré-pagos. Muitas vezes o celular é prioridade sobre itens de consumo básico. A pandemia, porém, trouxe a pergunta: Qual a qualidade desse acesso?”, analisa Bethlem.

Não é à toa que uma pesquisa divulgada na última semana pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que a visão dos brasileiros sobre políticas nacionais de saúde, educação e meio ambiente piorou durante a pandemia. Outros 40 países fazem parte do estudo e o Brasil vai na contramão dos resultados gerais e a insatisfação é maior entre os mais pobres.

A pandemia é fruto da ganância do homem, diz Hugo Bethlem | Crédito: Thaïs Helena Falcão/Olho do Falcão.

Na percepção dos 40% mais pobres nos países pesquisados, as políticas públicas de educação tiveram uma piora de 2,3%, no Brasil esse número despencou 22%. Já quando o tema é políticas públicas em saúde, no mundo houve uma percepção de melhora de 2,3%, enquanto no Brasil foi de piora de 10,5%. E na atenção às crianças, no mundo houve piora de 1,4%, no Brasil, o índice caiu 6%.

Isso significa que no Brasil as políticas públicas pioram mais do que no resto do mundo e quando isso diz respeito aos mais pobres, piorou mais ainda. Em todos os itens analisados, um melhor acesso remoto, ou seja, mais igualdade digital, poderia ter levado o País, a resultados, pelo menos, um pouco menos ruins.

“Isso mostra que não estamos no mesmo barco diante da terrível tempestade que é pandemia. Enquanto alguns estão em navios superequipados, a maioria mal tem uma tábua para se agarrar. Já é passada a hora de pensarmos sobre as nossas responsabilidades e agirmos enquanto membros de uma sociedade Isso vale, inclusive o setor produtivo. Não adianta falar que a obrigação é do governo. As ações públicas não vieram e nem virão. A iniciativa privada precisa arcar com a sua responsabilidade”, alerta.

Fome

Cento e vinte e cinco milhões de brasileiros sofreram alguma insegurança alimentar ao longo da pandemia. Os dados foram divulgados pelo grupo “Alimento para Justiça” da Universidade Livre de Berlim, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Brasília (UnB). Isso significa que 59,4% das pessoas que moram no Brasil não sabiam se teriam comida no prato no dia seguinte em algum momento entre março de 2020 e março de 2021. 

A esse número assombroso, outras estatísticas se juntam para mostrar o quanto a fome assola o Brasil. Levantamento feito também pela FGV, divulgado em abril, revelou que o número de cidadãos que vivem abaixo da linha da pobreza triplicou nesse período, e atinge cerca de 27 milhões de pessoas, 12,8% da população brasileira.

Desde o final do século passado, o Brasil, mediante diversas políticas públicas, conseguiu diminuir sensivelmente os níveis de pobreza. O melhor resultado no acesso à alimentação estável e saudável no País foi alcançado em 2013, quando 22,6% dos brasileiros tinham algum grau de insegurança alimentar. Em 2009, essa fatia representava 30,2% da população. A série histórica começa em 2004, ano seguinte à criação do Bolsa Família, quando 16,8% dos brasileiros enfrentavam insegurança alimentar grave ou moderada, e outros 18% estavam em insegurança leve, somando 34,8%.

“A pandemia é fruto da ganância do homem sobre a natureza e escancara nossas mazelas. Não tem outra preocupação maior que essa – a fome – em termos de desigualdade. E todos esses fatos estão interligados. Vimos que um terço da população tem efetivamente acesso digital. O resto finge que tem. A década perdida é agora. O afastamento digital poderia ter sido amenizado, se a iniciativa privada, as empresas que geram lucro, tivessem assumido o seu papel social. Não estou falando de filantropia. Muitas fizeram pontualmente, mas é preciso pensar estruturalmente. Estou falando de papel social, do que as empresas devem entregar para a sociedade além dos seus acionistas. Os líderes precisam se fazer muitas perguntas. É fundamental que eles acordem”, conclui o presidente do ICCB.

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