Falta de profissionais qualificados é principal desafio das empresas brasileiras na contratação

Carência aparece de forma isolada no topo de levantamento
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Falta de profissionais qualificados é principal desafio das empresas brasileiras na contratação
Crédito: Adobe Stock

Encontrar profissionais qualificados ou com o perfil adequado à vaga é hoje o principal obstáculo enfrentado pelas empresas brasileiras na contratação. Levantamento do Pandapé, feito em julho deste ano, mostra que 65,3% dos profissionais e gestores de Recursos Humanos (RH) concentram sua maior dificuldade em um desses dois fatores.

A falta de candidatos qualificados aparece isoladamente no topo do levantamento, mencionada por 38,7% dos respondentes. Outros 26,7% afirmam que o maior desafio está em encontrar profissionais que correspondam ao perfil esperado para a função. Em comparação, apenas 8% apontam como principal problema receber uma quantidade insuficiente de candidatos.

Para a CEO da Redarbor Brasil (detentora do Pandapé), Ana Paula Prado, o cenário exige que as organizações revejam a forma como definem e conduzem suas contratações. “Durante muito tempo, medir o sucesso do recrutamento significava contar currículos. Hoje, o diferencial competitivo está na capacidade de identificar, com rapidez e precisão, os profissionais que realmente podem gerar resultados para o negócio. Volume de candidatos, por si só, já não resolve o desafio das empresas”, afirma.

Desafios

Embora estejam relacionados, encontrar um candidato qualificado e encontrar alguém compatível com o perfil da vaga não representam exatamente o mesmo desafio. A qualificação costuma envolver formação, conhecimentos técnicos, experiência anterior e domínio de competências específicas. A aderência à vaga, por sua vez, considera aspectos como capacidade de trabalhar no modelo proposto, disponibilidade, expectativas profissionais, habilidades comportamentais e compatibilidade com as atividades a serem desempenhadas.

Para Ana Paula Prado, o sucesso de um processo seletivo depende da qualidade das decisões tomadas antes mesmo da abertura da vaga. “Grande parte das dificuldades de contratação nasce antes mesmo da divulgação da vaga. Quando a empresa não define com clareza quais competências realmente importam para aquela posição, ela amplia a subjetividade do processo e reduz suas chances de encontrar o profissional certo. Contratar melhor começa com decisões mais claras”, diz.

Escassez

Outro resultado do levantamento mostra que a dificuldade de preenchimento não se limita a funções técnicas ou de alta liderança. Para 33% dos participantes, as vagas operacionais são as que normalmente levam mais tempo para serem ocupadas. As posições de liderança e gestão aparecem em seguida, mencionadas por 17,4% dos respondentes, enquanto as vagas administrativas foram apontadas por 16,5%. Já as funções de tecnologia, frequentemente associadas à escassez de profissionais, foram citadas por apenas 5,4%.

Na avaliação de Ana Paula Prado, os fatores que dificultam a contratação variam conforme o tipo de posição. “Cada tipo de vaga apresenta um desafio diferente de atração. Em posições operacionais, fatores como localização, jornada e remuneração influenciam diretamente a disponibilidade de candidatos. Já na liderança, o desafio está em combinar competências técnicas, capacidade de gestão e aderência ao contexto da empresa. A escassez existe, mas assume formatos diferentes”, afirma.

A ausência de profissionais adequados pode produzir efeitos que vão além da área de Recursos Humanos. Vagas abertas por períodos prolongados podem aumentar a sobrecarga das equipes, atrasar projetos, reduzir a capacidade de atendimento e dificultar planos de expansão.

Para enfrentar esse cenário, a executiva recomenda que as empresas combinem planejamento da vaga, participação dos gestores, critérios objetivos de avaliação e uso de dados durante o processo seletivo. A tecnologia pode apoiar esse processo ao organizar candidaturas, centralizar informações e dar mais consistência às avaliações. Ainda assim, a pesquisa mostra que 37% das empresas participantes não utilizam nenhum software de recrutamento e seleção, indicando que parte do mercado ainda conduz seus processos sem o apoio de ferramentas especializadas.

“O valor da tecnologia não está em acelerar etapas isoladas, mas em tornar cada decisão de contratação mais inteligente. Quando a empresa sabe quem procura e utiliza dados para apoiar essa escolha, o recrutamento deixa de ser apenas operacional e passa a contribuir diretamente para os resultados do negócio”, conclui Ana Paula Prado.

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