Alunos da Fundação Dom Cabral criam dispositivo para reduzir uso excessivo de celular
Alunos do curso de Administração da Fundação Dom Cabral (FDC), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), desenvolveram um dispositivo físico para ajudar usuários a reduzir o tempo de tela e interromper o uso automático do celular. Batizada de Ponto, a startup foi criada dentro da graduação da instituição e prevê lançar oficialmente o produto em 25 de abril de 2026, com a proposta de atuar em um mercado que ganha espaço com o avanço das discussões sobre saúde digital, foco e produtividade.
O dispositivo funciona como uma barreira física ao acesso ao aparelho, a partir de uma lógica simples: ao aproximar o celular, o uso é bloqueado; ao repetir o movimento, o acesso é liberado. Segundo os criadores, a ideia é induzir uma pausa no impulso de abrir aplicativos sem necessidade, comportamento cada vez mais associado à distração contínua em ambientes de estudo, trabalho e convivência social.
A Ponto surgiu ainda no primeiro semestre da graduação, dentro de um Projeto Integrador. O que começou como uma atividade acadêmica foi transformado em negócio pelos alunos e sócios João Guilherme Veras e Miguel Moraes. “A gente quis levar isso para além da faculdade. Não era só um projeto, era algo que fazia sentido na nossa rotina e que poderia impactar outras pessoas também”, afirmam.
De acordo com a Fundação Dom Cabral, o desenvolvimento da startup teve apoio de professores em frentes como produto, modelagem de negócio e orientação empreendedora. Para a professora e coordenadora da Graduação em Administração da FDC, Helena Belintani Shigaki, o projeto reflete a proposta de formação da instituição, baseada na identificação de problemas concretos e no desenho de soluções aplicáveis.
“Desde o início, os alunos são estimulados a identificar problemas reais e a desenvolver soluções com potencial de impacto. O hub de empreendedorismo da graduação surge com esta proposta de oferecer estrutura, orientação e um ambiente seguro para transformar ideias em projetos mais robustos”, diz.
Mercado e comportamento
A aposta da startup parte de uma percepção prática dos fundadores sobre o uso constante do celular em salas de aula, encontros sociais e momentos em família. Na avaliação dos alunos, trata-se de um comportamento que atravessa diferentes faixas etárias, embora tenha peso maior entre jovens da Geração Z.
“Queremos devolver às pessoas a capacidade de usar seu tempo de forma autônoma, sem se perder em aplicativos altamente estimulantes. Muitas vezes, o uso do celular acontece no automático, quando abrimos um aplicativo sem nem perceber o porquê. A Ponto cria um momento de consciência”, afirmam os sócios.
Além do apelo comportamental, a iniciativa tenta se posicionar em uma frente com potencial econômico ao conectar bem-estar, produtividade e consumo consciente de tecnologia. A empresa também mira receitas futuras com eventos presenciais voltados à desconexão digital, ampliando a atuação para além da venda do dispositivo.
Depois do lançamento, a startup pretende combinar a comercialização do produto com ações presenciais voltadas ao fortalecimento de relações offline. A estratégia aponta para a construção de uma marca associada não apenas a um item físico, mas a um serviço ou experiência em torno da redução do uso excessivo de telas.
Para o ecossistema de inovação, o caso também reforça o papel de ambientes universitários na geração de negócios a partir de problemas cotidianos, especialmente em áreas ligadas a comportamento, saúde digital e novas rotinas de consumo.
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