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A Fundação Ezequiel Dias (Funed) vem, desde o dia 12 de março, realizando exames para identificação do Covid-19 nas amostras biológicas suspeitas, recebidas de todos os municípios de Minas Gerais e de unidades de atendimento de saúde.

Os profissionais da instituição vêm trabalhando ativamente em horários extraordinários e finais de semana para atendimento às demandas de análises e liberação de resultados no mais curto espaço de tempo possível. Até o dia 30 de março, a Funed já havia recebido 5.956 amostras para análises, sendo que 2.100 amostras já foram analisadas e 3.856 amostras estavam em processo.

Para aumentar a capacidade de produção, a Funed vem estabelecendo parcerias com outros laboratórios públicos e/ou privados para atendimento da demanda. Do dia 23 até o dia 26 de março, a Funed recebeu documentos para habilitação de laboratórios que manifestaram interesse em compor a RedeLab Covid-19. A fundação está, neste momento, analisando os documentos recebidos para dar prosseguimento a essa parceria. Os laboratórios candidatos a compor a Redelab Covid-19 deverão atender, no mínimo, aos seguintes pré-requisitos:

Ser um laboratório que realiza análises de caráter clínico/científico em amostras biológicas humanas, classificado com nível de segurança biológica NB2;

Ter recursos humanos e infraestrutura adequada para a execução do método RT-PCR em tempo real;

Seguir as normas de qualidade e biossegurança, além de encaminhar as amostras para o Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais, na Funed, a título de controle de qualidade.

Por questões de urgência e logística, a Funed tem trabalhado inicialmente com o cadastramento de laboratórios mais próximos, dentro da região metropolitana. Essa decisão se embasa ainda na eventual necessidade de suporte técnico-científico durante a implantação da metodologia nos laboratórios habilitados, além dos processos de validação e verificação de equipamentos com kits da Funed.

Contratação emergencial – O Instituto Octávio Magalhães (IOM), Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen/MG), da Funed, é responsável pelo processamento das amostras e possui atualmente 238 funcionários. Desses, 23 trabalham no Serviço de Gerenciamento de Amostras (Sgab) e 32 trabalham no Serviço de Virologia e Riquetsiose (SVR). Hoje, todos os funcionários estão ligados direta e indiretamente às análises das amostras de Covid-19, desde seu recebimento até a liberação do resultado.

Outro ponto importante para aumentar a capacidade produtiva no diagnóstico da doença é que a Funed obteve autorização do governo do Estado para a contratação emergencial de sete servidores, sendo um analista, quatro técnicos e dois administrativos para complementação de pessoal. Esse processo seletivo já foi concluído, sendo que os novos servidores e iniciaram suas atividades na quarta-feira (1/4).

Fluxo do serviço – As amostras chegam à Funed previamente cadastradas no Sistema Gerenciamento de Ambiente Laboratorial (GAL). A porta de entrada das amostras na Funed é o Serviço de Gerenciamento de Amostras Biológicas (Sgab), onde estas são recebidas, conferidas e encaminhadas ao laboratório responsável pela realização dos exames, o Serviço de Virologia e Riquetsioses (SVR).

Cabe à Funed a realização e liberação das informações laboratoriais no sistema GAL, em que o solicitante e gestores da saúde pública têm acesso autorizado. São eles: unidade de atendimento solicitante, Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Ministério de Saúde (MS), Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), entre outros. Já a divulgação de resultados e fechamento de casos é de responsabilidade da SES-MG. A Funed não divulga resultados laboratoriais.

Tempo de exame – Há variação no tempo de liberação de resultados, segundo demanda recebida. Na quarta-feira (1/4), as amostras, eram recebidas, conferidas, processadas e os exames tinham resultados liberados no sistema GAL em aproximadamente cinco dias, a partir da entrada das amostras na Funed.

Prioridade de exames – A priorização dos exames é realizada a partir da solicitação dos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) estadual e municipal, assim como por gestores da saúde pública. São priorizados, por exemplo, os casos graves com internação em CTI/UTI e os profissionais de Saúde.

Kits exames – Os kits para o diagnóstico molecular estão sendo regularmente fornecidos pelo Ministério da Saúde em quantidade suficiente para atender a capacidade produtiva da Funed, que hoje é de liberação de aproximadamente 400 exames ao dia.

Os kits de coleta naso-orofaringe são disponibilizados pela Funed para todas as unidades de saúde responsáveis pelas coletas, mediante solicitação encaminhada por e-mail, seguindo fluxo já estabelecido para outras infecções causadas por vírus respiratórios. A Funed vem liberando normalmente os kits e, até o momento, não há falta dos mesmos para entregas.

Parceiros – O governo de Minas Gerais vai ampliar a rede de testes para o novo coronavírus. Único laboratório público em Minas Gerais, a Funed publicou ontem (2/4) a habilitação de 19 laboratórios aptos a realizarem o diagnóstico para identificação do Covid-19. Com a ampliação da Rede, a Funed prevê que serão processadas, por dia, 1.800 amostras, o que irá subsidiar a SES-MG a tomada de decisões e o monitoramento efetivo da circulação do vírus.

Para o vice-presidente da Funed, Rodrigo Leite, a ampliação da rede de laboratórios é um ganho não somente para o governo como para toda a sociedade. “Com uma maior celeridade no diagnóstico dos exames, é possível, por exemplo, tomar decisões em tempo oportuno, que venham contribuir para mitigar os efeitos da pandemia em nosso Estado”, reforçou.

A partir de agora, os exames também serão realizados em Viçosa e Rio Paranaíba, pela Universidade Federal de Viçosa (UFV); em Diamantina, pela Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); em Montes Claros, pela Unimontes; em Ipatinga, pelo Hospital Márcio Cunha, da Fundação São Francisco Xavier; em Sete Lagoas, pelo Laboratório Santa Lúcia; em Lagoa Santa, pelo Loci Genética Laboratorial e em Pedro Leopoldo, pelo Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa).

Em Belo Horizonte, além da Funed, os exames também serão realizados pelos laboratórios da Fundação Hemominas, da Fiocruz Minas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica e do Simile Instituto de Imunologia Aplicada.

O método para a realização dos exames será o RT-PCR, que identifica o material genético, no caso o RNA do vírus presente na amostra. Essa técnica é a indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e é baseada no princípio da reação em cadeia da polimerase (PCR) para identificar o material genético dos vírus.

A Funed habilitou os laboratórios em duas categorias, que são os parceiros e os colaboradores. “Os parceiros trabalharão de forma integrada com os laboratórios da Fundação, com fluxo contínuo de insumos, reagentes, equipamentos, processos e de profissionais, ou seja, serão como uma extensão da própria Funed”, explicou a diretora do Laboratório Central de Saúde Pública da Funed, Marluce Oliveira. Já os colaboradores, “terão mais autonomia e serão responsáveis por todas as fases do exame, desde o recebimento da amostra até a liberação do resultado no sistema”, complementou.

Força-tarefa vai consertar equipamentos

Empenhado em minimizar o impacto da crise do novo coronavírus em Minas Gerais, o governador Romeu Zema anunciou ontem mais uma importante ação: a requisição de respiradores em todo o Estado, em cerca de mil estabelecimentos, para o tratamento da doença.

Os aparelhos, atualmente estragados e inutilizados em clínicas particulares, hospitais e estabelecimentos médicos, serão consertados e empregados na luta contra a propagação do Covid-19. Quando a pandemia passar, os equipamentos serão devolvidos aos respectivos proprietários. Aqueles que se dispuserem poderão, ainda, realizar a doação ao governo estadual.

De acordo com a determinação do governador, o recolhimento dos equipamentos com defeito será realizado pela Polícia Militar em diversas regiões do Estado. A manutenção será realizada por meio de parcerias, com objetivo de ampliar a quantidade de aparelhos disponíveis em Minas para o tratamento do novo coronavírus.

“Os respiradores estragados irão para conserto. Já temos empresas e engenheiros que se dispuseram a consertá-los. Temos notícia de centenas de aparelhos que estão inutilizados em clínicas particulares, hospitais e poderiam ajudar muito o Estado nesse momento de dificuldades. Após essa pandemia, os respiradores serão devolvidos aos estabelecimentos.

Aqueles que não quiserem de volta, podem doar ao Estado. Os respiradores são de extrema importância para os pacientes de coronavírus com dificuldade respiratória”, afirmou o governador.

Zema ressaltou o empenho de todo o governo em encontrar soluções para preparar o Estado para a crise. “Temos tomado muitas medidas para minimizar o impacto dessa pandemia em Minas Gerais. Nossas ações já possibilitaram uma queda de internações pela doença, nos últimos dias. Mesmo assim, continuamos atentos e preocupados com a vida.

Quero repetir: passamos por um momento extremamente difícil, mas temos como prioridade a vida dos mineiros”, disse.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Giovanne Gomes da Silva, reforçou o empenho da instituição para colaborar com as ações de prevenção à doença e destacou que a medida terá grande importância para todos os mineiros.

“É uma operação de guerra. A Polícia Militar vai colocar todo o efetivo necessário para fazer a arrecadação em mais de 1,3 mil pontos em 24 horas, esta é a nossa meta. Não haverá nenhum prejuízo para os proprietários. Na verdade, será um ganho, porque o Estado vai arrecadar o equipamento, fazer a manutenção e depois devolvê-lo em condições de operação após a crise do Covid-19. Mais uma vez a Polícia Militar está indo além da sua missão constitucional para contribuir para o bem-estar do cidadão”, garantiu o comandante-geral. Segundo ele, os equipamentos que não puderem ser consertados serão devolvidos posteriormente aos respectivos proprietários. (Agência Minas)

USP desenvolve respirador 15 vezes mais barato

Uma equipe multidisciplinar da Escola Politécnica, da Universidade de São Paulo (Poli-USP) projetou um ventilador pulmonar emergencial de baixo custo, que poderá servir para o atendimento de pacientes do Covid-19. Batizado de Inspire, o protótipo tem mais duas vantagens: pode ficar pronto em menos de duas horas e é feito de peças que podem ser encontradas no País, ou seja, não necessita de componentes importados.

Os respiradores disponíveis no mercado custam, em média, R$ 15 mil, enquanto o valor do Inspire é de R$ 1 mil, aproximadamente. O modelo desenvolvido pelos pesquisadores da Poli-USP foi registrado com uma licença open source, o que significa que qualquer pessoa interessada pode acessar o passo a passo de manufatura e fabricá-lo. A exigência é de que se obtenha autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O professor Marcelo Knorich Zuffo, da Poli-USP, ressalta que o protótipo foi concebido para ser usado “em uma eventual condição catastrófica”, causada pela falta de ventiladores pulmonares comerciais. “Nosso projeto é de um ventilador de emergência”, ressalta o acadêmico, que divide a coordenação do projeto com o docente Raúl Gonzalez Lima, especialista em engenharia biomédica.

“Inclusive, a gente já está conversando com as autoridades para fazer uma delimitação bem clara sobre quais as circunstâncias em que esse produto deve ser usado”, acrescenta Zuffo.

O projeto está, atualmente, em fase de “integração e homologação”, com o sistema de inspiração e expiração já sendo testado, explica Zuffo. Agora a equipe também avança na validação química do padrão respiratório e mantém interlocução com o governo federal, para tentar emplacar parcerias que permitam a produção do ventilador em maior escala. A última reunião foi realizada na terça-feira (31), com representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, do Ministério da Saúde e da Anvisa.
No total, cerca de 40 pessoas compõem a equipe do projeto. Os pesquisadores têm passado até 18 horas do seu dia desenvolvendo as atividades, iniciadas no dia 20 de março.

Zuffo comenta que a iniciativa foi possível porque os membros da equipe já detinham conhecimento sobre a montagem de ventiladores pulmonares industriais. “Como nós tínhamos esse know-how à disposição na universidade, resolvemos criar meios para que esse conhecimento dos professores fosse disponibilizado à sociedade», diz. «A gente resolveu se mobilizar quando percebeu a dramaticidade dessa situação nos outros países.

Temos relatos de que em Nova York não há ventiladores e, então, voluntários ficam apertando a bombinha para o paciente não morrer durante a noite.”

Segundo o coordenador, a equipe colocou no ar o site do projeto, para divulgá-lo entre membros da comunidade científica, e tem recebido um volume expressivo de contribuições.

Lá, é possível acompanhar o diário de bordo do grupo, que informa cada uma das etapas atingidas. “A gente abriu o site para criar um mecanismo de comunicação entre professores e a comunidade desse movimento. E já estamos tendo contribuições concretas. Há muita gente baixando e já começou a vir modelo de algoritmo, desenho de projeto industrial”, afirma.

Zuffo conta ainda que a equipe se surpreendeu com a quantia de R$ 161 mil, arrecadada em uma vaquinha on-line criada para dar subsídio ao projeto. O resultado alcançado superou as expectativas dos pesquisadores, que imaginavam conseguir juntar em torno de R$ 20 mil. “Isso mostra que temos uma sociedade extremamente generosa, e a gente está tentando responder a essa generosidade da forma mais responsável e séria possível, a despeito da gravidade da situação”, finaliza o professor da USP. (ABr)