CRÉDITO: ALISSON J. SILVA

Consciente do seu papel histórico, inclusive em relação ao futuro, o Grupo Santa Casa BH aposta em planejamento para afastar de vez a crise e se consolida como um exemplo de gestão não apenas para os seus pares – os hospitais filantrópicos -, mas para empresas de qualquer setor. Prova disso, é a posição de destaque na nona edição do Anuário 360º, elaborado pela revista “Época Negócios”, em pesquisa conduzida pela Fundação Dom Cabral (FDC): 7º lugar geral e 2º lugar entre as empresas do setor de Saúde.

Primeiro hospital de Belo Horizonte, a Santa Casa de Misericórdia completou 121 anos em maio, e deu origem a um grupo com seis unidades: Hospital Santa Casa BH, Centro de Especialidades Médicas Santa Casa BH (atendimento exclusivo aos usuários do Sistema Único de Saúde – SUS), Hospital São Lucas (saúde suplementar e particular), Santa Casa BH Ensino e Pesquisa (educação e pesquisa na área da saúde), Funerária Santa Casa BH e Instituto Geriátrico Afonso Pena. O Grupo é o maior prestador filantrópico de serviços ao SUS de Minas Gerais e ocupa posição de destaque também no cenário nacional.

Ao todo, de acordo com dados do Relatório Anual e Balanço Social de 2109, o Grupo Santa Casa BH administrou 1.281 leitos e realizou 56,2 mil cirurgias; 2,91 milhões de atendimentos; contando com mais de 5 mil funcionários e quase 2 mil médicos, no ano passado.

Só a Santa Casa BH é responsável por 1.086 leitos distribuídos em 13 andares. Com capacidade instalada de 19 salas cirúrgicas, reúne o maior número de leitos de UTI (170), em um único edifício, destinados exclusivamente a pacientes SUS.

De acordo com o diretor de Gestão Corporativa e Relações Institucionais do Grupo Santa Casa BH, Gonçalo de Abreu Barbosa, a classificação no ranking, que pode parecer estranha para muita gente, é fruto de um trabalho árduo, que começa pelo convencimento e motivação da equipe. O reconhecimento dessa e de outras premiações e listas serve como combustível para o prosseguimento do trabalho. E parece que a estratégia vem dando certo, já que o Grupo subiu da 10ª posição geral, conquistada no ano passado, para a sétima, em 2020.

Entre as empresas mineiras, o Grupo ficou atrás apenas da AEC – Centro de Contratos, em quarto lugar. E, entre as empresas do setor de saúde, em segundo lugar, perdendo o lugar mais alto do pódio para o Hospital Albert Einstein, de São Paulo.

Planejamento – “O milagre da Santa Casa é planejamento. Para trabalhar aqui a pessoa tem que ter três características básicas: capacidade de trabalho em equipe, visão de futuro e não parar de estudar. Nós conseguimos solidificar esses conceitos. Vamos fazer um evento de planejamento estratégico para discutir os próximos cinco anos. A Santa Casa é, hoje, uma das instituições que mais investe na qualificação dos empregados. Temos o programa ‘Pra graduar’, em que bancamos 50% da graduação dos funcionários em qualquer curso, exceto medicina. Para esse curso também oferecemos ajuda em menor proporção. A demanda foi tão grande que criamos o ‘Pra pós-graduar’ e já estamos na oitava turma do MBA de executivos em saúde. Tudo isso ajuda a entender os bons resultados que tivemos nas categorias analisadas pela FDC. Em ‘visão de futuro’ ficamos em quinto lugar geral e primeiro no nosso setor e em sustentabilidade em terceiro lugar geral e primeiro no setor”, explica Barbosa.

Nas dimensões analisadas pela FDC, o Grupo Santa Casa BH ainda alcançou as seguintes colocações: 76º lugar geral e 4º lugar setorial em Desempenho Financeiro; 51º geral e 5º setorial em Inovação; 27º geral e 3º setorial em Pessoas. O único item em que o Grupo não aparece entre os cinco primeiros dentro do seu setor é em governança, no qual foi o 203º no geral.

Tragédia humana da pandemia deixou legado, diz Barbosa | Crédito: Divulgação/GSCBH

Gestão profissional consolidou-se na pandemia

A consolidação da gestão profissional da Santa Casa acontece enquanto a instituição filantrópica enfrenta a segunda pandemia da sua história. Ao mesmo tempo, a Covid-19 fez com que olhares de todo o Brasil se voltassem para o hospital referência no tratamento à doença na capital mineira. Sem deixar de lado seu caráter de hospital da comunidade, que é referência em serviços de média e alta complexidade (transplantes, cirurgias cardíacas, neurológicas, pediátricas, entre outras especialidades). Com entradas separadas para fluxo de pacientes e equipes assistenciais distintas – Hospital Respiratório (alas B, C e D) para atendimento ao novo coronavírus e Hospital Geral (ala A) -, todas as 35 especialidades continuaram atendendo. Assim, a instituição passou a ofertar 1.220 leitos. Desses, 692 foram destinados ao Hospital Respiratório, sendo 100 leitos de terapia intensiva, e 528 para o geral.

A reestruturação das duas unidades consumiu investimento de R$ 13 milhões. A Localiza doou R$ 635 mil para a aquisição de material de construção para a readequação estrutural de duas alas específicas para atendimento à Covid-19. Ajudas importantes chegaram também para compra de equipamentos: o Banco Alfa destinou R$ 1 milhão para camas mecânicas e elétricas e monitores multiparâmetros; o Tribunal de Justiça de Minas Gerais enviou R$ 2,1 milhões para equipamentos e testes diagnósticos e a JBS R$ 300 mil para enxoval e raio-x portátil.

Com o avanço da pandemia, o aumento do uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs) foi significativo. Por conta disso, a Direcional Engenharia comprou R$ 500 mil em EPIs (o suficiente para 15 dias), o Sinduscon MG tem entregado importantes volumes de equipamentos de proteção e a ArcelorMittal doou 2 mil face shields, além do apoio de outros importantes parceiros.

“A tragédia humana da pandemia nos trouxe muitos aprendizados. Logo de cara tivemos que aprender a trabalhar remotamente e a nos unirmos mais. Não deixamos de atender nenhum paciente porque éramos referência para a Covid-19. Esse é um grande ganho, entendemos e implantamos melhor novas tecnologia. Já usávamos, mas passamos a fazer mais intensamente e melhores ferramentas de análise e proteção de dados. Esses são legados que vão beneficiar a instituição e os pacientes daqui para frente. A digitalização da medicina e de toda a indústria que existe em volta de um hospital já não é tendência, é realidade. Cabe a nós entendermos isso bem, estudar internamente o que é melhor para o Grupo, resistir aos modismos e entregar, sempre, a melhor qualidade assistencial que pudermos”, finaliza diretor de Gestão Corporativa e Relações Institucionais do Grupo Santa Casa BH, Gonçalo de Abreu Barbosa.

Gestão das dívidas é motor da “virada”

Quem se depara com a cifra de R$ 500 milhões em dívidas e se lembra do noticiário dos últimos anos, que dava conta de uma situação caótica e uma dívida quase “impagável” pela Santa Casa de Belo Horizonte, mal pode acreditar que o Grupo possa figurar, em 2020, de uma lista as melhores empresas do País analisadas e eleitas pela Fundação Dom Cabral (FDC), em parceria com a “Revista Época”.

Mas é, justamente, a capacidade de renegociar essas dívidas um dos motores da “virada” do Grupo Santa Casa BH. Segundo o diretor de Gestão Corporativa e Relações Institucionais do Grupo Santa Casa BH, Gonçalo de Abreu Barbosa, mais do que o valor, é preciso entender o perfil dessa dívida. A partir disso, a análise que deu um terceiro lugar geral e primeiro no setor em sustentabilidade e o 76º lugar geral e 4º lugar setorial, em Desempenho Financeiro; passa a ser compreendido.

“Como toda a dívida está toda negociada, equalizada para o longo prazo, ela não afeta a operação. O importante da dívida é o perfil dela. Pagamos com uma taxa de juros bem baixa. Isso não significa, porém, que a situação seja tranquila. Hoje, como não temos apenas a Santa Casa de Misericórdia, mas também os outros hospitais e serviços do Grupo, conseguimos fazer uma administração melhor dos recursos, mas atendemos majoritariamente ao Sistema Único de Saúde (SUS), que paga mal e atrasado. Então continuamos dependendo, sempre, da ajuda da sociedade civil”, explica Barbosa.

Ainda assim, os investimentos seguem. Para os próximos dias está prevista a entrega do Instituto de Oncologia. Com isso, a capacidade de atendimento da especialidade crescerá 2,5 vezes. Atualmente, estão em funcionamento 10 consultórios, mas com as novas instalações serão 33, além de 80 pontos para tratamento oncológico, dois aceleradores lineares, quatro leitos para urgência, salas de observações e três portarias de acesso, uma para cada tipo de serviço prestado, ao custo de R$ 5 milhões.

Já o Hospital São Lucas (HSL), que comemora em outubro 98 anos, conta com 197 leitos, um moderno centro cirúrgico, além de Pronto Atendimento (pediátrico e adulto) voltado para pacientes de planos de saúde e particulares. O hospital é também referência no atendimento oncológico pediátrico e na realização do diagnóstico de epilepsia por meio do exame videoeletroencefalografia.

Recentemente o HSL inaugurou a Clínica “São Lucas Para Todos”, ampliando seu serviço particular com a realização de cirurgias eletivas (não urgentes). Com uma linha completa de cuidados cirúrgicos, oferece à população: cirurgia geral, cirurgia bariátrica, cirurgia pediátrica, ortopedia, urologia, ginecologia, entre outras.