Idealpan investe R$ 40 milhões e pretende dobrar faturamento com nova fábrica em Minas
A Idealpan, fabricante de pão de queijo de João Monlevade, no Vale do Aço, prepara um investimento de R$ 40 milhões para construir uma nova unidade industrial em São Gonçalo do Rio Abaixo, também no Vale do Aço. O projeto é o principal movimento da companhia para sustentar o forte ritmo de expansão dos negócios e poderá levar o faturamento anual da empresa dos atuais R$ 150 milhões para cerca de R$ 250 milhões após o início da operação.
A nova estrutura será implantada em uma área de 60 mil metros quadrados (m²), às margens da BR-381, e deverá funcionar como um complexo industrial, com fábrica, centro de distribuição (CD) e novas linhas de produtos. A previsão da empresa é iniciar as obras entre janeiro e fevereiro de 2027, caso sejam concluídos os termos atualmente em negociação com o município.
“Estamos bem adiantados com algumas conversas. Só não foi finalizado ainda devido à parte jurídica da nossa empresa estar aprovando algumas condições de termo”, afirma o CEO e fundador da Idealpan, Paulo Cota.
A decisão de investir em uma nova planta ocorre em meio a um ciclo de crescimento acelerado da empresa. A Idealpan registrou expansão de aproximadamente 70% do faturamento entre 2024 e 2025 e trabalha para repetir o desempenho em 2026. Segundo Cota, a empresa já acumula crescimento entre 50% e 60% neste ano e acredita que conseguirá atingir a meta. “A gente cresce muito fortemente mesmo. E por isso toda essa operação de mudar a planta e de construir outro parque fabril”, afirma.
A empresa produz atualmente quase 50 toneladas de produtos por dia, e conta com aproximadamente 300 funcionários, frota própria de cerca de 60 veículos e carretas e está presente em 14 Estados. A Idealpan também contabiliza mais de 5 mil pontos de venda em todo o País.
O crescimento, segundo o executivo, já pressiona a capacidade instalada em João Monlevade. Uma nova área de produção inaugurada em agosto do ano passado chegou ao limite em menos de um ano. “Hoje está tudo lindo, maravilhoso, mas daqui a um ano já não está mais. Já está apertado. Uma área de produção nova que eu fiz em agosto do ano passado não deu nem um ano e já entrou em gargalo”, comenta Cota.

A limitação não é apenas física. A localização da atual fábrica, em uma área de relevo acidentado, também cria dificuldades para a movimentação de carretas. Em São Gonçalo, a empresa encontrou uma área com acesso direto à rodovia, o que deverá melhorar a logística de entrada de matérias-primas e distribuição dos produtos. “A ideia de São Gonçalo veio dessa necessidade de ter espaço para crescimento, não só espaço, mas também uma estratégia logística para a gente”, explica.
Expansão
A expansão deverá ter impacto direto sobre a receita. A projeção da Idealpan é encerrar 2026 com faturamento de aproximadamente R$ 150 milhões e alcançar a faixa de R$ 250 milhões no primeiro ano de operação da nova estrutura. “Com São Gonçalo a gente busca, no primeiro ano, ao startar lá, os R$ 250 milhões, essa faixa”, afirma o CEO. O salto representa um crescimento potencial de aproximadamente 67% na receita.
Para sustentar esse avanço, a empresa pretende ampliar o portfólio. O projeto de São Gonçalo não será restrito à fabricação de pão de queijo. A estratégia contempla a entrada em salgados e pães congelados, além da instalação de um centro de distribuição de maior porte. “A ideia é montar ali um complexo fabril de 60 mil m², onde se tenha fábrica em anexo, e um CD muito grande”, afirma Cota.
A intenção é concentrar a fabricação em uma única estrutura. A unidade de João Monlevade, inicialmente, poderá ser direcionada para novas linhas, enquanto a produção será gradualmente reorganizada. “A ideia é ter uma planta onde a gente tenha uma produção centralizada de todos os itens que temos para produzir em um local só”, explica.
Exportações
O investimento também prepara a empresa para uma nova frente de crescimento: o mercado externo. A Idealpan possui o certificado IFS Progress, relacionado a padrões internacionais de qualidade e segurança de alimentos, e já mira a exportação para Estados Unidos, Emirados Árabes e China.
De 70 metros quadrados a uma operação nacional
A Idealpan nasceu há dez anos a partir da experiência de Paulo Cota na padaria dos pais. Formado em Sistemas de Informação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), ele trabalhou como trainee na ArcelorMittal e fez intercâmbio na Nova Zelândia antes de decidir empreender.
Em 2015, abriu uma padaria de aproximadamente 70 metros quadrados. A fabricação de pão de queijo surgiu após problemas com o fornecedor do produto. Com recursos próprios esgotados, Cota recorreu ao pai para financiar a primeira máquina. “Eu peguei a máquina, botei no fundo da padaria deles”, conta.
Pouco mais de seis meses depois, a produção foi transferida para um galpão no quintal da casa dos pais. Em pouco mais de um ano, a empresa já ocupava um quarteirão. Hoje, são quase 10 mil metros quadrados de área própria, cerca de 300 funcionários e uma operação distribuída por 14 Estados. “Hoje a Idealpan é uma companhia. Ela está aí entre as maiores do Brasil”, afirma Cota.
Ouça a rádio de Minas