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Imbróglio: imóvel do Othon Palace segue à deriva

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Othon Palace | Crédito: Luciana Montes
Othon Palace | Crédito: Luciana Montes

“Um ícone no coração da cidade”. Assim era o antigo prédio do Othon Palace Hotel, localizado na avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte. Marco da arquitetura da Capital e com a fachada tombada pelo Patrimônio Municipal, o gigante com 295 apartamentos está fechado desde 18 de novembro de 2018. Sem destino certo, não encontrou interessados no primeiro leilão realizado em outubro do ano passado. Os R$ 30 milhões de lance mínimo – considerado, por muitos consultores do mercado imobiliário, um valor baixo pela localização do imóvel – não foram capazes de seduzir investidores em meio à pandemia.

O hotel foi inaugurado em 1978, com quase 29 mil metros quadrados de área construída. Quando foi fechado, sofria, a exemplo de toda a cadeia hoteleira de Belo Horizonte, com uma crise de superoferta e tarifas abaixo da média nacional. Mesmo assim tinha boa ocupação e eventos constantes. Naquela época, o comunicado enviado pela rede à imprensa foi lacônico e, depois de um dia inteiro de especulações, se limitou a confirmar o fechamento da unidade e também do Bahia Othon Palace, em Salvador (BA), na mesma data.

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Consultada mais uma vez no fim de novembro de 2020, a rede enviou a seguinte nota: “A Rede de Hotéis Othon, uma das mais tradicionais do País, promoveu recentemente um leilão para a venda do prédio onde funcionava o Belo Horizonte Othon Palace, no centro da capital mineira. No entanto, não foi encontrado um comprador no processo de leilão. Desde então, a direção da rede tem buscado alternativas, e está em processo de conclusão da venda do imóvel, levando em consideração todo o trâmite necessário da Recuperação Judicial. O imóvel, que possui sua fachada como um marco histórico de Belo Horizonte, sendo tombada pela prefeitura, não possui restrição para sua utilização”.

Othon Palace | Crédito: Arquivo DC
Othon Palace | Crédito: Arquivo DC

Crise anunciada – O certo é que a falta de compradores resume um cenário complexo que vai além da crise econômica desencadeada pela Covid-19. Para o consultor estratégico em hotelaria na MVS Consultoria, Maarten Van Sluys, ainda que surja um comprador, dificilmente ele será um mineiro.

“O fato de não termos nenhum lance no leilão virtual representa uma situação emblemática. Sabemos que a hotelaria em algumas capitais de perfil corporativo, como Belo Horizonte, está, ainda, em um momento de incerteza em virtude da pandemia. O imóvel onde foi o Othon tem uma vocação quase que única para a atividade hoteleira. Ele é, sem dúvida, um endereço de grande visibilidade dentro da cidade. No entanto, embora o preço, em relação à metragem, tenha sido convidativo, o imóvel tem outros problemas: ele precisa passar por uma remodelagem completa e o fato de não ter, praticamente, nenhuma vaga de estacionamento, é um impeditivo para a adequação do prédio para outra atividade. Quero crer que, com a melhora lenta, porém, permanente, dos números da hotelaria pelos próximos dois anos, a gente consiga vislumbrar uma aquisição daquele imóvel por um grupo hoteleiro de porte, que possa transformar novamente aquele endereço em uma referência para a hotelaria de Belo Horizonte”, explica Van Sluys.

Ex-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Roberto Fagundes reclama da ausência do poder público na solução do problema. Para ele, não haver interessados na compra do antigo hotel denota desprestígio para a cidade. A busca por um comprador internacional poderia ser a solução, aproveitando, especialmente, a desvalorização do real frente ao dólar, o que deixa a situação favorável para os investidores estrangeiros.

“Houve uma série de fatores que levaram ao fechamento além da parte financeira. Os débitos do hotel são muito altos. Nessa tentativa de leilão levantou-se que os valores das obrigações são quase o mesmo da venda do imóvel, o que torna o negócio inviável. De qualquer maneira, pelo preço do dólar, o Brasil se tornou um lugar barato. Entendo que os governos municipal e estadual deveriam se unir para buscar a solução. BH nunca teve uma grife internacional. Nunca tivemos um Hilton ou Sheraton, por exemplo. O jeito seria arrumarmos um negociador para trazer uma rede internacional. Fazer uma oferta irrecusável, abrir mão de impostos. O que adianta cobrar um imposto que ninguém vai pagar?”, analisa Fagundes.

Já a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) se limitou a dizer, por meio de nota: “A Prefeitura de Belo Horizonte esclarece que participou de reuniões com empreendedores interessados, porém há alguns impedimentos. Trata-se de imóvel em processo de inventário e de massa falida. Apesar das questões judiciais, a PBH está empenhada em auxiliar e dar todo apoio para intermediar as negociações”.

Trabalho especializado ajudaria na venda 

O encerramento das atividades do Othon Palace Hotel em 2018 e o consequente esvaziamento do imóvel trazem à tona outras questões além da econômica, com o fechamento de cerca de 150 postos de trabalho. Os tapumes sujos que pretendem proteger um patrimônio tombado pela municipalidade são a representação de uma região que passa por um processo de desvalorização: o hipercentro da Capital.

Já muito impactado pela crise econômica desencadeada pela Covid-19, o centro padece com muitos negócios fechados, portas cerradas e aumento do número de moradores de rua na região, vindos da própria Capital e cidades vizinhas, empurrados pela diminuição de renda e desemprego. O cenário é de uma crescente sensação de insegurança nas ruas.

Para o urbanista e sócio-diretor da Bloc Arquitetura, Alexandre Nagazawa, o prédio é um emblema do abandono da região. A desvalorização do Centro com o empobrecimento da população afasta possíveis moradores e empresas, gerando um processo cíclico perverso.

Othon Palace | Crédito: AGENCIA i7
Othon Palace | Crédito: AGENCIA i7

“É um desperdício deixar de lado uma infraestrutura consolidada como aquela. Do ponto de vista urbano, o imóvel é um prédio bem localizado, com toda infraestrutura em volta. Ele poderia ser várias coisas: habitacional, uso misto, ou até hotel. Eu vejo como um grande entrave a questão jurídica, com dívidas muito altas. Isso afasta os empreendedores. A unidade de BH até pouco antes do fechamento estava operando, isso quer dizer que o equipamento estava em bom estado de conservação. Mesmo que existam problemas de acessibilidade próprios de construções mais antigas, existem técnicas para corrigir isso sem impactar a parte histórica. O problema é que quanto mais o tempo passa, mais o prédio se deteriora sem uso”, explica Nagazawa.

Outro complicador no processo de venda é a presença de unidades pertencentes a outros proprietários. Vendidas há décadas, as lojas da galeria, por exemplo, têm proprietários diversos e podem estar envolvidas em espólios ou outros processos jurídicos.

É uma mescla de coisas para explicar. Hoje ele tem a galeria aberta. As unidades autônomas foram vendidas há décadas e cada pedaço tem um dono. Teoricamente esses proprietários teriam alguma voz no caso de alguma intervenção. O importante é entender que aquele é um espaço espetacular. É um bem que requer e merece um destrave jurídico”, pontua o urbanista.

Para o consultor imobiliário e diretor da Renan Peixoto Consultoria Imobiliária, Renan Peixoto, falta um trabalho especializado na venda desse tipo de empreendimento, um negociador experiente.“O Othon está em um ponto nobre da cidade. Durante anos era um luxo simplesmente estar lá. Considero que para negociar aquele imóvel deveria ser feito um trabalho mais dirigido no Brasil e também fora do País. Existe mercado, mas falta identificar compradores. Levar pessoas que tenham visão para transformar em um loft, algo diferenciado. Hotel não dá mais. Não podemos deixar um patrimônio como aquele se perder. É ruim para a imagem da cidade e do Estado. Existem potenciais compradores no Brasil, inclusive em BH”, destaca Peixoto. (DM)

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