Donos de imobiliária estão buscando ajustes, diz Arlene Gomes | Crédito: Marcel Melo

O mercado imobiliário tem sido um dos setores mais beneficiados com a taxa básica de juros (Selic) a 2,25% ao ano, anunciada recentemente pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

De acordo com Arlene Gomes, uma das fundadoras do Imob Academy, startup sediada em Belo Horizonte e que atua na aceleração de negócios imobiliários, boa parte dos imóveis no Brasil é financiada. Com a taxa de juros muito baixa, o consumidor terá condições de financiar um valor maior com sua renda, adquirindo capacidade de compra real.

Ela também afirma que, devido à pandemia, o mundo passa por uma recessão e, com a queda da bolsa, brasileiros e estrangeiros começarão a investir mais em imóveis no Brasil, tendo em vista a alta do dólar.

“Os imóveis de baixa renda são um exemplo. O aumento do prazo para início do pagamento da primeira prestação, os incentivos dados pelo governo, em relação às baixas taxas de juros, o aumento do período de inadimplência, enfim, são benefícios que reforçam o bom momento para adquirir um imóvel, ou seja, um período favorável para as imobiliárias que souberem aproveitar”, afirma.

Novas metodologias – Além do momento propício para o setor, proprietários estão começando a ter resultados significativos com o investimento em novas metodologias e em inovação.

Eles têm utilizado os ensinamentos e técnicas do Imob Academy, que atua com pilares que pregam o conhecimento do perfil comportamental dos corretores e clientes, o investimento em especialização da área de atuação, o famoso nicho, além de ferramentas para captar imóveis e clientes, por meio de uma versão inovadora e mais eficaz do já conhecido funil de vendas.

A Época Negócios Imobiliários, que atua na região Centro-Sul de Belo Horizonte, está há cerca de três anos e meio no mercado. De acordo com a proprietária, Mirian Oliveira, em março, após passar por uma mentoria focada em gestão e na reorganização dos processos, está praticamente recomeçando o negócio do zero, mesmo estando em meio à crise econômica, provocada pela pandemia do coronavírus.

“Tudo está acontecendo aqui, pois estamos expandindo, investindo em novas ferramentas e metodologias, impulsionando anúncios e contando com mais profissionais. Estamos, inclusive, reformando a parte física da imobiliária. Em menos de um mês, após a mentoria, já fechei uma locação e três vendas. Tenho recebido um alto volume de demandas de imóveis para aluguel e, por dia, eu recebo, no mínimo, 10 pessoas procurando imóveis. Já houve época em que eu recebia apenas duas, por semana”, lembra Mirian Oliveira.

Os resultados positivos também são compartilhados por Paolo Rodrigues Costa Teixeira Ladeia, proprietário da Sinai Corretora de Imóveis, que atua na região da Pampulha. Ele diz que, após receber mentorias em gestão, foi possível identificar os principais gargalos que estavam impedindo a imobiliária de faturar mais.

“Percebi que minha principal dificuldade estava em converter os contatos em visitas, então, passamos a trabalhar em cima disso e a ver mudanças positivas. Desde o início da pandemia, diferentemente do que tenho ouvido de outras imobiliárias, meus contatos dobraram e estou tendo um resultado melhor. Realizando um comparativo, em fevereiro fechamos uma venda, em março não concluímos nenhuma, em abril foram três e, em maio, fizemos nove vendas. Em abril, por exemplo, não apenas batemos nossa meta, mas dobramos o valor”, comemora Ladeia.

O empresário Márcio Eduardo Pinheiro é proprietário da imobiliária Santa Mônica, na região da Pampulha, outra imobiliária que passou por uma renovação nos processos gerenciais. Ele ressalta que estava colocando em prática muitas ações por conta própria, sem uma orientação.

“O mercado imobiliário, hoje, se resume ao funil de vendas. Quando se tem essa ferramenta bem estruturada e elaborada, os resultados chegam em curto prazo e são significativos. Com a mentoria, mesmo durante essa crise e com o receio das pessoas em visitar os imóveis, por medo da contaminação, nós não paramos de vender e de investir. Pelo contrário, eu, inclusive, turbinei meus anúncios. Nos adaptamos às medidas de segurança e temos conseguido realizar as visitas”, explica.

Imobiliárias com mais tecnologia – Outra tendência, apresentada nesse contexto de pandemia, tem sido o aumento do uso de tecnologias no dia a dia das imobiliárias. A pesquisa “A influência do coronavírus no mercado imobiliário brasileiro – 2ª onda”, realizada pelo Grupo Zap entre abril e maio, mostra a percepção de clientes e profissionais do setor, em todo o Brasil, no contexto da pandemia em diversos pontos.

De maneira geral, os resultados encontrados indicam que as atividades no setor imobiliário melhoraram em relação ao início da crise, já que uma primeira pesquisa havia sido realizada.

De acordo com o estudo, houve um aumento do uso da tecnologia como ferramenta para auxiliar a busca, como por exemplo a adoção de tour 360º (11% para 21%), de transmissão de visitas via vídeo (25% para 37%), de ferramentas que permitam ver o imóvel mobiliado (6% para 11%) e a disponibilização de contato com o corretor via vídeo (33% para 43%).

Essa estratégia já era utilizada pela Sinai Corretora de Imóveis, antes mesmo da necessidade do isolamento social. De acordo com o proprietário, Paolo Rodrigues Costa Teixeira Ladeia, quando as regras de distanciamento e os cuidados com a higienização começaram, eles já estavam preparados.

“Acredito que saímos na frente, pois, em todas as nossas captações, produzimos fotos e vídeos de qualidade, e os clientes conseguem conhecer o imóvel de forma virtual”, aposta.

Para a mentora Arlene Gomes, os donos de imobiliária estão buscando ajustes, melhorias e repensando sua forma de trabalhar com foco na digitalização dos processos.

“Nesse momento, que pede o distanciamento social, tanto os donos de imobiliária quanto os clientes estão sendo obrigados a usar os recursos, como produção de vídeos e de visitas virtuais, para conseguir vender e alugar, e essa é uma realidade que veio para ficar”, afirma.