Sem contar com o 13º salário, o funcionalismo público do Estado não conseguiu aliviar as contas, o que acabou impactando no resultado da inadimplência em Belo Horizonte. Segundo levantamento divulgado ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), o índice de consumidores com o nome inscrito no cadastro de devedores do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) terminou o ano passado em alta. Em dezembro de 2018, na comparação com igual mês de 2017, o aumento foi de 0,75%. Outro fator a influenciar o índice é a taxa de desemprego, que vem desacelerando, mas ainda é elevada.

Economista da CDL-BH, Ana Paula Bastos informa que, nessa época, é aguardada uma queda da inadimplência devido à injeção do 13º salário, utilizado por muitas famílias para pagar as contas. “A inadimplência cresceu em dezembro porque estamos em uma situação atípica em Minas. Com o parcelamento do salário, os servidores estaduais já vinham ficando endividados. O não pagamento do 13º piorou a situação”, disse.

Ao final de sua gestão, o governador Fernando Pimentel (PT) informou que não faria o pagamento do 13º salário. Nesta semana, o governador Romeu Zema (Novo) divulgou que fará o pagamento parcelado em 11 vezes.
Na passagem de novembro para dezembro, a inadimplência recuou 1,54%. Nesse caso, o impacto vem do pagamento do 13º salário pelo setor privado.

Dívidas – O número de dívidas daquelas pessoas que estão inadimplentes teve queda de 2,36% na comparação dezembro 2018/dezembro 2017. Na passagem de novembro para dezembro houve retração de 2,71%.
Segundo Ana Paula Bastos, isso pode indicar que os consumidores estão mais conscientes. “As pessoas viveram um período de crise intensa, tiveram que conviver com orçamento apertado. A crise é ruim, mas pode levar as pessoas a fazerem um melhor gerenciamento de suas despesas e, com isso, há tendência de compras mais conscientes”, diz a economista, pontuando que ainda há muita falta de educação e planejamento financeiros.

Quanto ao gênero, há uma maior concentração da inadimplência no público feminino, com alta de 0,46% na relação dezembro 2018/dezembro 2017. Já entre os homens, houve retração de 0,55%. Essa característica é atribuída ao fato de o desemprego ser maior entre as mulheres, que, além disso, têm rendimentos menores no comparativo com os homens.

Em relação à faixa etária, o maior crescimento no número de devedores refere-se aos idosos. Entre os consumidores de 65 a 94 anos, a alta foi de 21,5% em dezembro de 2018 na comparação com igual mês do ano passado. Tal situação é explicada porque, em muitos casos, os idosos são responsáveis financeiros pelas famílias e ainda têm mais despesas com saúde.

Empresas – O índice de inadimplência das empresas de Belo Horizonte também registrou alta, com crescimento de 6,98% na relação dezembro 2018/dezembro 2017. De acordo com o levantamento, esse resultado está atrelado à lenta recuperação da economia e à alta taxa de desemprego. Por outro lado, a economista Ana Paula Bastos ressalta que a elevação do índice é inferior à dos últimos anos. “A melhora no ambiente da economia está impactando a receita das empresas”, disse.

Na passagem de novembro para dezembro, a inadimplência das empresas caiu 0,34%. Nesse caso, há um impacto positivo do movimento de Natal.

O número de dívidas por empresa cresceu 3,53% em dezembro de 2018 no comparativo com dezembro de 2017. Já no comparativo dezembro com o mês anterior, houve retração de 1,10%.