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Luiza Trajano lança meta de 50% de participação feminina na liderança

Evento visa preencher metade dos postos políticos e econômicos com mulheres até 2030, acelerando mudanças no mercado de trabalho
Luiza Trajano lança meta de 50% de participação feminina na liderança
Foto: World Economic Forum/Benedikt von Loebell

A fundadora do grupo Mulheres do Brasil e presidente do conselho do Magalu, Luiza Trajano, lançou nesta terça-feira (5) o Summit Mulheres nas Profissões, evento projetado para reunir cerca de 10 mil participantes em torno de uma meta ambiciosa: preencher 50% dos postos de liderança política e econômica no Brasil com mulheres até 2030. O foco é acelerar mudanças estruturais no mercado de trabalho.

Segundo Luiza, é preciso consolidar os avanços recentes obtidos pelas mulheres na agenda de equidade de gênero e também evitar retrocessos. A empresária defendeu que a presença feminina em posições estratégicas nas altas cúpulas do poder altera diretamente o ambiente corporativo e institucional, e que o avanço da participação feminina está diretamente ligado ao desenvolvimento econômico e social do país.

“Um país não vai ter desenvolvimento se a gente não souber tratar as mulheres”, disse. “Uma mulher com assento no conselho muda a dinâmica mesmo.” No Magalu, dos 42.744 funcionários, 48% são mulheres. Na liderança, elas somam 45%.

Neste ano de eleições, uma das bandeiras do grupo Mulheres do Brasil é incentivar o voto feminino. Segundo a empresária, é inadmissível que as mulheres, mesmo formando a maioria estatística da população (51,5%), ocupem a minoria dos cargos de liderança no Brasil.

“No Congresso, são apenas 18%. É preciso mudar isso, mulher tem que votar em mulher”, disse Luiza, ressaltando que não é candidata nas eleições deste ano.

Questionada pela reportagem se foi convidada a algum cargo público -em 2022, foi cotada a sair como vice de Luiz Inácio Lula da Silva-, ela respondeu que não e que também não é filiada a qualquer partido político. “Mas isso não impede que eu atue de forma política, defendendo direitos”, disse a empresária. Para ela, mais mulheres em cargos de comando podem levar inclusive à queda no número de feminicídios.

Trajano também destacou o papel da mobilização coletiva para alcançar resultados duradouros. “A sociedade civil unida é uma força muito grande em torno de um objetivo”, afirmou.

Marcado para os dias 4 e 5 de agosto no Expo Center Norte, zona norte de São Paulo, o Summit vai contar com uma estrutura de grande porte. A ideia é ter entre 11 e 13 arenas temáticas dedicadas a áreas como saúde, justiça, tecnologia (incluindo inteligência artificial), agronegócio, política e empreendedorismo, distribuídas em cerca de 14 mil m². A programação contará com mais de 300 palestras, voltadas a diferentes perfis de público, incluindo mulheres de baixa renda e trabalhadoras de serviços gerais.

Com a proposta de ampliar a presença de mulheres no debate, o evento terá espaços de acolhimento com berçário e área infantil. Será oferecido serviço de transfer para facilitar o trânsito de moradores da periferia, além de possíveis pacotes promocionais com companhias aéreas e hotéis, a fim de facilitar a presença de participantes de outros estados e até países.

O preço do ingresso é R$ 100. Serão negociadas cotas de patrocínio pela Atmos, organizadora do evento, mas os valores não foram divulgados.

Luiza disse esperar atrair os homens para o debate, por considerá-los essenciais para a promoção da equidade de gênero como pauta coletiva.

Criado em 2013, o grupo Mulheres do Brasil surgiu a partir da articulação de cerca de 40 mulheres convidadas por Luiza para discutir empreendedorismo feminino com o governo federal. Desde então, a rede se expandiu para cerca de 140 mil integrantes, com mais de 160 núcleos no Brasil e presença em 20 países.

O grupo se define como suprapartidário e atua em 20 frentes, com destaque para o combate à violência contra a mulher, além de iniciativas em educação, saúde e igualdade racial. A estratégia da organização é atuar de forma prática, somando esforços com projetos já existentes e evitando a duplicação de iniciativas.

Com o Summit, o grupo pretende transformar a mobilização em metas concretas e mensuráveis, apostando na combinação de articulação da sociedade civil e pressão por mudanças estruturais para acelerar a equidade de gênero no país.

Hoje, segundo a pesquisa State of Women in Leadership 2026 do LinkedIn, as mulheres são 32,2% das lideranças nas empresas no Brasil, somando 45% da força de trabalho nacional. Segundo Luiza, a meta de 50% de mulheres no comando pode até ser ambiciosa, mas é necessária.

“A gente ficou pensando se jogava a meta para 2031, 2032. Como eu gosto muito de desafio, a gente decidiu 2030. E se a gente não tiver alcançado, não tem importância”, afirmou a empresária. “É o mesmo raciocínio de quando você está de regime. Quer emagrecer 15 quilos? Então põe meta de 17, que aí você chega nos 15”, brincou.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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