Sabbatini: radiação que vem das antenas não é perigosa - Crédito: Divulgação

Empresários do setor de telecomunicações, tecnologia e representantes do poder público se reuniram, nessa quinta-feira (3), no fórum “Cidades Inteligentes, IoT e Conectividade: Perspectivas e Desafios”, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e pelo Sindicato Nacional das Operadoras de Telecomunicações (SindiTelebrasil).

O objetivo foi discutir a urgência de adequação da infraestrutura das cidades mineiras para receber a tecnologia 5G.

O vice-presidente da Fiemg, Teodomiro Diniz Camargos, afirmou que essa é uma “pauta atualíssima” do ponto de vista do desenvolvimento do Estado, tendo em vista que o avanço de novas tecnologias só será possível com uma boa infraestrutura de conectividade.

“Estamos falando da construção de um ambiente melhor para os negócios. Defender essas tecnologias é defender o futuro da indústria e, consequentemente, o futuro da sociedade”, afirmou.

O mesmo alerta foi feito pela líder de tecnologia, mídia e telecomunicações da Deloitte, Márcia Ogawa. Ela fez uma apresentação sobre o impacto da economia digital na sociedade e frisou que a conectividade é a base para obtenção de dados, que, por sua vez, é a matéria-prima para um projeto de cidade inteligente.

“O Brasil precisa entrar na economia digital. As indústrias brasileiras não estão conseguindo se conectar às cadeias globais de produção e nem liderar movimentos de cadeias globais. E o pré-requisito para que isso aconteça é ter uma boa infraestrutura de telecomunicações”, afirmou.

O presidente do Sindicato das Empresas de Software e Negócios Digitais de Minas Gerais (Sindifor), Fábio Veras, lembrou que a preparação das cidades para receber a tecnologia 5G não é um assunto restrito à área de telecom. Ele lembrou que será preciso criar uma rede e concentrar esforços para que esse assunto ganhe visibilidade.

“A educação não vai se modernizar, a cirurgia a distância nunca vai acontecer se não tivermos infraestrutura para a tecnologia. Se não resolvermos isso agora condenaremos as novas gerações a não terem acesso às novas tecnologias”, disse. Ele também fez um apelo ao governo do Estado: “No momento, falta dinheiro em Minas Gerais, mas não pode faltar liderança. O governador Zema, junto com a Associação dos Municípios, precisa fazer um mutirão a favor dessa agenda”.

Legislação municipal – Durante o evento foi reapresentado o ranking “Cidades Amigas da Internet 2019”, realizado pela Teleco, no qual Belo Horizonte ocupa a 97ª posição, uma das últimas. O levantamento analisou os 100 maiores municípios brasileiros e identificou aqueles que mais estimulam a oferta de serviços de telecomunicações no Brasil, por meio de políticas e ações públicas. A análise considera as restrições, a burocracia, o prazo e a onerosidade para a implantação de Estações Radio Base (ERBs) e Redes (subterrâneas ou aéreas).

O presidente da Teleco, Eduardo Tude, afirmou que a única forma de Belo Horizonte melhorar sua posição no ranking é alterando sua legislação sobre instalação de antenas no município. A lei em vigor é de 2001 e está totalmente desconectada com a realidade atual.

“Em Belo Horizonte, a autorização para a instalação de uma antena chega a demorar seis meses, enquanto a lei federal estabelece um prazo máximo de 60 dias. Há casos de cidades em que essa liberação é quase imediata”, disse.

Entre os pontos que precisam ser alterados, segundo Tude, estão as restrições em relação à distância mínima entre ERBs; vedações em determinadas regiões do município; exigência de estudos de impacto ambiental e de laudos radiométricos.

“Esse controle da radiação já é feito pela Anatel, não faz sentido pedir isso novamente”, completou.

O vereador Gabriel Azevedo afirmou que tem plena consciência da urgência do tema, mas não acredita que isso seja unânime na Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte. Ele sugeriu que representantes do setor façam um trabalho de corpo a corpo, explicando aos parlamentares a demanda e pedindo celeridade na mudança da lei. Um projeto de lei (851/2019) sobre o tema já está em tramitação na Câmara.

“Trata-se de uma mudança substancial no Código de Posturas, mas se houver uma pressão e uma explicação sobre a importância disso para a cidade, acredito que em dois ou três meses essa mudança pode acontecer”, disse.

Já o presidente do Instituto Edumed, Renato Sabbatini, foi um pouco mais pessimista em relação ao trabalho de convencimento dos vereadores, principalmente do que diz respeito à preocupação com a saúde da população. Ele afirma que o avanço das discussões tem sido prejudicado por fake news que relacionam as antenas com morte de pássaros e causa de câncer na população.

“Senhores empresários do setor de telecomunicações, não subestimem a resistência que vai haver por parte do legislador municipal em relação à alegação de que as antenas trarão problema de saúde. Vereadores e prefeitos são muito sensíveis à pressão da população e geralmente há grupos ativistas que forçam a situação e fazem com que a legislação saia um monstrinho”, alertou.

Sabbatini tem formação em fisiologia e biofísica, é um estudioso do tema e garantiu que a radiação que vem dessas antenas não é perigosa para o ser humano.

“Radiação é qualquer campo eletromagnético que se espalha e o ser humano faz isso há mais de 100 anos com rádio e TV e, agora, com wi-fi e celular. A população fica aterrorizada com a torre, mas ela é a menos problemática. A uma distância de 20 metros a intensidade desse campo é tão baixa que praticamente não afeta o ser humano. Têm pessoas que usa o celular o tempo todo e isso é estar muito mais perto da radiação”, disse.