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Mostra de Cinema de Tiradentes é remodelada

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Raquel Hallak | Crédito: Leo Lara/Universo Produção
Raquel Hallak | Crédito: Leo Lara/Universo Produção

A Mostra de Cinema de Tiradentes em 2020 talvez tenha sido um dos últimos grandes eventos de audiovisual do Brasil antes da pandemia. Um ano depois, após muitas idas e vindas, fechamentos e flexibilizações, a longa espera por uma vacina, o evento que abre o calendário do cinema nacional volta remodelado em uma versão especial e vencendo a desconfiança de patrocinadores e apoiadores.

A 24ª edição da Mostra de Tiradentes será realizada de 22 a 30 de janeiro, no formato on-line, com todas as atividades concentradas no site www.mostratiradentes.com.br e acompanhadas nas redes sociais da Universo Produção. A programação abrangente, diversificada e gratuita exibe 114 filmes (31 longas, 2 médias e 81 curtas-metragens) em pré-estreias e mostras temáticas; conta com a participação de 102 convidados no centro do 24º Seminário do Cinema Brasileiro que inclui 22 debates, a série Encontro com os Filmes e rodas de conversa; promove dez oficinas com a oferta de 225 vagas, realiza performance audiovisual, exposição, shows e atrações artísticas.

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De acordo com a diretora da Universo Produção e coordenadora-geral da Mostra, Raquel Hallak, a edição 2021 da Mostra de Tiradentes se beneficiou, de alguma forma, da realização de dois outros eventos comandados por ela ao longo de 2020: a Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) e a Mostra de Cinema de Belo Horizonte (Cine BH).

“Nunca poderíamos imaginar que em janeiro de 2021 estaríamos vivendo essa situação. Mas decidimos logo de cara que faríamos a edição desse ano. Não tínhamos um modelo, seria difícil, mas era uma edição necessária. Para nós é uma edição ‘especial’, porque vamos voltar ao modelo presencial, que também será diferente, aproveitando coisas que aprendemos ao longo da pandemia. Nesse período vivemos muitas experiências. Quando a pandemia foi declarada estávamos no auge da produção da Cineop. Ninguém sabia o que iria acontecer. Fomos adiando, tentando pensar modelos. Os parceiros não acreditavam numa possibilidade de fazer on-line. Perdemos apoios, mas não desistimos. Em BH as pessoas já entendiam mais que o virtual era viável, que um evento híbrido poderia ser uma solução. Entramos mais respaldo e também realizamos a mostra”, relembra Raquel Hallack.

Organização – Para realizar o evento do Campo das Vertentes a equipe trabalhou três cenários possíveis ao longo de 2020 até chegar a hora de tomar a decisão. Os índices de acompanhamento de progressão da doença indicavam que a possibilidade de uma versão totalmente física era cada vez mais inviável. Foi aí que o martelo foi batido: seria uma versão totalmente remota.

O tamanho da mostra, a participação de convidados internacionais, reinventar um modelo de produção já consagrado e dar uma resposta à população de Tiradentes e região era uma grande preocupação. A ordem era manter uma programação fiel à tradição do evento e capitalizar o melhor que o mundo virtual tem a oferecer: o alcance.

“Se por um lado perdemos a oportunidade do encontro afetuoso e das conversas de negócios pelas ruas de Tiradentes, de outro ganhamos em alcance. A internet possibilita que pessoas de todo o mundo acompanhem. Que outros distribuidores, outros diretores de festivais vejam a nossa programação. Tiradentes tem o papel de apresentar o cinema nacional para a cadeia produtiva internacional e pelo on-line isso fica mais fácil”.

Os custos de produção da mostra ficaram mais enxutos, já que não foi mais necessário gastar, por exemplo, com hospedagem e alimentação de convidados e imprensa. Outros, porém, como a produção de vídeos e a própria plataforma foram inflados. A opção foi construir uma plataforma exclusiva para o evento e não apenas transmitir pelas redes sociais. Foram economizados cerca de R$ 1 milhão. Das cerca de 250 empresas mineiras contratadas normalmente como fornecedoras, esse total caiu para 100.

Drive-in – Mas as ruas tricentenárias da cidade colonial não ficarão muito tempo saudosas do cinema nacional e nem a sétima arte brasileira vai ficar sem os encantos de Tiradentes. “Aconteceu também uma mudança no perfil desses fornecedores, agora mais ligados à tecnologia. Lamentamos muito porque a cidade e a região perdem. Sabemos a importância que a Mostra tem para a geração de empregos em toda a região. Mas a edição especial continua projetando o nome de Tiradentes para o mundo. E não vamos desistir de estar lá tão logo seja possível. Vamos fazer em outro momento um cine drive-in com, pelo menos, parte da Mostra e uma exposição na praça para envolver a cidade”, promete a diretora da Universo Produção e coordenadora geral da Mostra de Tiradentes.

Cadeia produtiva do audiovisual passa por transformação

O audiovisual é uma cadeia produtiva que se faz na aglomeração. Dos sets de filmagem às salas de exibição tudo acontece em conjunto. E, por isso, assim como outras artes e a educação, principalmente, viu suas estruturas totalmente paralisadas e depois transformadas muitas vezes ao longo de 2020.

A realizadora paranaense Ana Johann participa com o filme “A Mesma Parte de um Homem”, da Mostra Aurora, dedicada a filmes de realizadores com até três longas-metragens. Na Aurora são sete produções inéditas de estética fortemente inventiva e realizados com poucos recursos.

“Toda crise é valiosa pra gente poder se aprofundar nas nossas questões criativas e também nas de orçamento. Nosso filme é um projeto muito longo, o roteiro começou a ser escrito em 2012 e a gente só foi gravar no início de 2019. Fiquei montando ao longo daquele ano e terminamos início de 2020. Começamos a nos inscrever nos festivais, mas alguns foram cancelados ou reduzidos. Estamos felizes em começar 2021 como lançamento. Tenho a impressão que o século começa agora em 2021. Antigas questões foram repensadas. Um filme custa caro. Temos que pensar como dar acesso às pessoas. A cadeia produtiva do cinema não parou só por causa da pandemia, mas por falta de políticas públicas. Eu sou roteirista, posso trabalhar de casa, mas não havia uma diretriz. A Ancine (Agência Nacional do Cinema) já estava parada muito antes da pandemia”, explica Ana Johann.

Ana Johann | Crédito: Divulgação
Ana Johann | Crédito: Divulgação

No total Tiradentes vai exibir 31 longas. Também na mostra Aurora está “Rosa Tirana”, primeiro longa do diretor Rogério Sagui. Sem conseguir entrar em editais, a produção foi bancada com recursos próprios e muita colaboração da comunidade e equipe, em Poções, no sertão baiano. A finalização da obra aconteceu em 2020.

“A pandemia nos alcançou na pós-produção, que é, talvez, a parte mais cara. A primeira dificuldade foi da verba, seguimos contando com a colaboração da comunidade. Todo mundo reduziu o valor do trabalho. Outra dificuldade foi fazer a distância. Só fiz a montagem presencial, quando ainda não tinha nenhum caso de Covid-19 na cidade. Sonorização e colorização foram feitas à distância. Não é um processo fácil, mas acho que o distanciamento pode ser uma tendência. Eu teria que ir pra João Pessoa, seria mais um custo. Não é um filme comercial. Buscamos uma distribuidora para o filme. Acho que a internet fez com os festivais chegassem pra mais pessoas, mais distribuidoras e outros festivais. Isso aumenta as nossas chances de competir pelo mercado”, avalia Sagui.

Rogério Sagui | Crédito: Inácio Teixeira / Divulgação
Rogério Sagui | Crédito: Inácio Teixeira / Divulgação

Sob demanda – Ao longo da pandemia as distribuidoras também precisaram rever sua rotina. De um lado, produções paralisadas, de outro, as salas fechadas. Junto a tudo isso, a demanda da Internet através dos modelos on-demand crescendo.

Segundo o diretor da Embaúba Filmes, Daniel Queiroz, essa é uma fase de transição que já havia começado mesmo antes da pandemia. A cadeia de exibição de cinema tem as chamadas janelas. Primeiro o filme passa pelas mostras e festivais, onde são apresentados para a imprensa. Depois as salas de cinema e as locadoras – que já não existem mais – antes da TV. Isso estava mudando nos últimos anos, acabando as locadoras e surgindo a circulação pela internet, principalmente o on-demand. A pandemia radicalizou isso sem as mostras e sem as exibições.“O grande desafio é a comercialização, como ter retorno financeiro. Até aqui a exibição no cinema era o principal meio. Os festivais on-line levam os filmes para o mundo todo e não são todos os festivais que remuneram os filmes. Eles acabam competindo com o lançamento comercial. Temos, no Brasil, o cinema mais comercial destinado ao mercado, mas a grande maioria dos filmes brasileiros não é feita nesse sentido. Esse cinema mais independente também nunca teve uma comercialização muito fácil. Em BH, por exemplo, só o Cine Belas Artes exibe esse tipo de filme. Isso não é diferente em outras capitais. Não são tantos os compradores (canais de TV). E as locações pela Internet são muito pontuais. Por outro lado, observamos na pandemia mais possibilidades de circulação na internet. Sofremos muito com a descontinuidade das políticas públicas. Existe, hoje, uma política clara contra o setor cultural. Devemos lembrar que o cinema é uma cadeia de produção industrial, que agrega gente de diferentes áreas”, analisa Queiroz. (DM)

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