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O Pacto Global das Nações Unidas lançou o relatório “Leadership for the Decade of Action” (Liderança para a década de ação) em colaboração com a Russell Reynolds Associates, líder de consultoria e recrutamento de liderança.

O relatório tem o objetivo de descobrir o que pode ser aprendido a partir dos líderes de negócios os quais estão integrando a sustentabilidade através de estratégia, operações e envolvimento dos grupos de interesse e o que isso significa para definir como os diretores e a classe de executivos são selecionados.

O relatório revela uma necessidade urgente de líderes de negócios transformacionais os quais consideram lucros para além do curto prazo para fazerem da sustentabilidade e resiliência a longo prazo de nosso mundo uma prioridade principal dos negócios – tanto dentro e além de suas firmas e dos ecossistemas mais amplos.

O relatório foi apresentado por Lise Kingo, CEO e diretora executiva do Pacto Global das Nações Unidas e por Clarke Murphy, CEO da Russell Reynolds Associates, durante a Cúpula de Líderes do 20º Aniversário do Pacto Global das Nações Unidas em 15 de junho.

A apresentação foi seguida por um painel de discussões com Jim Hagemann Snabe, presidente do conselho da Maersk e Siemens e Ilian Mihov, reitor do Instituto Europeu de Administração de Empresas (Insead).

Segundo o relatório, o mundo não está no caminho para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030 e a pandemia do Covid-19 expôs ainda mais as fraquezas fundamentais dos nossos sistemas globais. Existe agora uma significativa oportunidade para líderes das diretorias e classe de executivos para colocarem a sustentabilidade no centro dos propósitos e estratégias corporativos.

Entretanto, a análise feita pela Russell Reynolds Associates revela que a experiência ou a mentalidade da sustentabilidade é uma exigência em apenas 4% de cargos não executivos e executivos seniores atualmente.

“Transformar nosso mundo tem tudo a ver com liderança. Na medida em que partimos para nos recuperarmos melhor do Covid-19, a natureza frágil de nosso progresso para alcançarmos o prazo de 2030 para transformar nosso mundo significa que a incorporação da sustentabilidade nas estratégias e operações de negócios não é somente a coisa certa para se fazer, é a coisa inteligente para se fazer. Os CEOs e membros da diretoria esclarecidos sabem que para ter sucesso você precisa ser sustentável. Precisamos que líderes de todos os lugares intensifiquem sua ambição e se tornem agentes da mudança sustentável. Este é o momento para a alta gerência e diretorias assegurarem que essas competências críticas sejam representadas e desenvolvidas por toda a organização”, disse a CEO e diretora executiva do Pacto Global das Nações Unidas, Lise Kingo.

Segundo o executivo-chefe da Russell Reynolds Associates, Clarke Murphy, a liderança sustentável não é uma ‘coisa boa de se ter’.

“Ela é um imperativo empresarial crítico, cada vez mais reconhecido por todos os grupos de interesse de todo o mundo, incluindo acionistas, consumidores, funcionários, governos e comunidades. Na medida em que a crise do Covid-19 se revelou, o mundo dos negócios tem um papel crítico a desempenhar no tratamento dos persistentes desafios em nossas sociedades e economias. Estamos precisando de um novo tipo de líder de negócios – um que possa impulsionar crescimento de longo termo através da integração da sustentabilidade na estratégia de negócios. A Russell Reynolds Associates trabalhará com as organizações para fazer da sustentabilidade parte do DNA de suas equipes de liderança”.

Para identificar como as organizações podem fazer da sustentabilidade o ponto central da cultura e liderança de sua organização, a Russell Reynolds Associates e o Pacto Global das Nações Unidas realizaram entrevistas aprofundadas e análise dos históricos de um grupo de cerca de 60 pioneiros de sustentabilidade – CEOs e membros da diretoria de vários continentes e indústrias com um notável histórico de se concentrarem e progredirem em relação a objetivos de sustentabilidade em conjunto com resultados comerciais.

A análise define as características, ações e atributos diferenciáveis de liderança os quais impulsionam o sucesso dos líderes sustentáveis. Eles combinam uma mentalidade sustentável com uma série de atributos diferenciados de liderança:

Pensamento de sistemas em vários níveis – Eles incorporam a interação de sistemas de negócios, societários e ambientais e impulsionam decisões que fazem da sustentabilidade uma vantagem competitiva;

Influência dos grupos de interesse – Eles não procuram gerenciar os grupos de interesse, em vez disso, eles os incluem ativamente na definição e acionamento das decisões;

Inovação disruptiva – Eles têm coragem para desafiar as abordagens tradicionais e eliminar a burocracia para impulsionar a inovação disruptiva necessária para eliminar o compromisso entre a rentabilidade e a sustentabilidade;

Ativação de longo prazo – Eles não têm simplesmente uma orientação na direção do longo prazo, eles estabelecem objetivos ousados e rigorosamente impulsionam ações conjuntas em sua busca. (Da Redação)

Tem início a era da responsabilidade

O Pacto Global deu as boas-vindas a milhares de líderes mundiais que se reuniram virtualmente no 20º Leaders Summit. O evento, que celebra os 20 anos do Pacto Global, teve quase 26 horas seguidas de discussões sobre como promover uma recuperação econômica mais sustentável.

Na abertura, o secretário-geral da ONU fez uma chamada aos negócios para que cumpram o seu papel em mundo que exige mais responsabilidades das empresas.

“Enquanto grandes decisões estão sendo tomadas sobre nosso futuro, as empresas precisam lidar com os riscos ambientais, sociais e de governança de forma holística, e ir além da maneira usual de fazer negócios”, afirmou António Guterres.

A chanceler alemã, Angela Merkel; os presidentes de Botswana, Colômbia, Costa Rita e Etiópia; o ex-vice-presidente dos Estados, Al Gore; o Enviado Especial de Finanças Climáticas da ONU, Mark Carney; e o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, são alguns dos líderes mundiais que participaram da conferência.

Os painéis também contaram com grandes nomes do mundo empresarial, como o vice-presidente do conselho do Pacto Global, Paul Polman, e o CEO da Schneider, Jean-Pascal Tricoire.

Confira abaixo alguns dos destaques do evento, que teve como tema “Recover Better, Recover Stronger, Recover Together”:

ODS e pandemia – Em sua fala, o vice-presidente do conselho do Pacto Global, Paul Polman, reforçou a relevância dos ODS em tempos de pandemia: “os ODS são mais necessários do que nunca. O Covid-19 mostrou que não podemos ter pessoas saudáveis em um planeta doente”.

A chanceler alemã, Angela Merkel, fez coro a Polman e destacou a importância dos ODS e do Acordo de Paris durante a recuperação econômica.

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, ressaltou que a recuperação após o Covid-19 não deve levar em conta somente a área da saúde, mas incorporar uma transformação sistêmica voltada a pautas sociais como racismo, equidade de gênero e diversidade.

“Recuperar melhor significa chegarmos a um padrão de desenvolvimento e progresso sustentável diferente do que tínhamos antes. Há um despertar geral em nosso mundo, com todas essas crises.”

Brasileiros em destaque – O Brasil participou com um time de peso de CEOs: Viviane Martins (Falconi); Artur Grynbaum (Grupo Boticário); Eduardo Fischer (MRV); Guilherme Weege (Grupo Malwee); Jean Jereissati (Ambev); Marcos Matias (Schneider Electric Brasil) e Roberto Marques (Natura).

Também marcaram presença o presidente do board da Rede Brasil, Rodolfo Sirol, e representantes de diversas empresas. Entre eles, os jovens da B3, Sodexo, Votorantim e Sicredi que participam do programa Inova 2030, e o diretor de People & Mgmt da Suzano, Argentino Oliveira, que falou em painel sobre o Target Gender Equality.

“Sem as redes locais, os ODS não serão atingidos”, afirmou a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed. E nossa rede está fazendo a sua parte: discutimos recuperação econômica, ODS e Amazônia.

“O caminho a superar a crise atual e outros problemas da região é, em primeiro lugar, a industrialização sustentável, em segundo, investimentos consistentes em pesquisa e desenvolvimento”, afirmou o CEO da Ambev, Jean Jereissati, em painel com representantes de outros países latino-americanos que têm parte da floresta em seu território.

Importância da atuação conjunta – Em sua fala, o CEO da Natura, Roberto Marques, destacou a necessidade das parcerias. “Não resolveremos os problemas enquanto indivíduos ou enquanto empresas individualmente. Precisamos de todo o setor empresarial, academia e sociedade”.

Também mostramos a força das parcerias em painel sobre o coletivo Covid Radar e o enfrentamento à pandemia. Durante o evento, evidenciamos as contribuições das empresas ao coletivo e a forma como a plataforma tem se mobilizado para ajudar a sociedade no combate à pandemia, seja ela por meio de doações, gerenciamento de dados e previsões de evolução da doença.

Nova liderança no Pacto Global – Lise Kingo, que liderou a visão e a estratégia do Pacto Global durante os últimos cinco anos, deu as boas-vindas à sua sucessora no cargo, Sanda Ojiambo.

A nova diretora-executiva tem mais de 20 anos de experiência em sustentabilidade corporativa. Em seu discurso inicial, Sanda Ojiambo deixou uma mensagem para o futuro: “desafios apresentam oportunidades para que as empresas possam se reinventar”. (Da Redação)