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“O livro é uma extensão da memória e da imaginação.” A frase, do escritor argentino Jorge Luís Borges, é uma metáfora apropriada para o Minas Geo/gráfica, primeira obra produzida na editora experimental do Cefet-MG. Basicamente, o livro trata disso: da memória das editoras mineiras, recuperada pelos alunos de Letras e contada pelas mentes criativas da professora Ana Elisa Ribeiro e do design Mário Vinícius. 

Prefácio – Há uma particularidade no Bacharelado em Letras do Cefet-MG: os formandos são habilitados para a Edição. E uma forma de introduzi-los ao assunto, logo no 1º período, é a disciplina Contexto Social e Profissional, ministrada pela professora Ana Elisa.

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Até então, a bibliografia utilizada para esses primeiros contatos eram os três volumes publicados pelos Cadernos Viva Voz, da Faculdade de Letras da UFMG, que estão desatualizados, pois datam de 2008 e 2009. “Muita coisa aconteceu ao mercado editorial mineiro nos últimos 10 anos. Eu nutria o sonho de atualizar isso, mas na forma de verbetes sobre editoras e feito aqui por nós, obviamente”, destaca a professora.

Para isso, um dos trabalhos da turma 2019/1 foi reprogramado e os alunos tiveram a missão de pesquisar e escrever sobre as casas editoriais de Minas. “Passamos a produzir verbetes, a partir de um padrão de um projeto espanhol de que participo. Com os verbetes dos estudantes, eu e Mário [Vinícius] escrevemos os de editoras que faltavam (e mesmo assim faltaram várias!, que vamos corrigir em breve)”, conta a professora, que também se envolveu nas atividades de padronização, revisão, marcas e projeto gráfico.

Posfácio – Para que o objeto sonhado pelos autores se materializasse, a professora Ana Elisa escreveu um projeto de financiamento na Diretoria de Extensão e Desenvolvimento Comunitário. “Aprovado, tivemos condições de sonhar mais alto, pensar num livro impresso realmente lindo, coisa que conseguimos com a Impressões de Minas, uma das gráficas mais especiais da cidade”, comemora.

Ao mesmo tempo, a editora-laboratório do curso também estava em discussão, e o livro passou a figurar como uma possibilidade inaugural do catálogo, já que foi feito com estudantes de graduação, o que acabou acontecendo. “É o primeiro livro que sai com a marca da Led (Editora Laboratório do Bacharelado em Letras). O gesto de publicar um primeiro livro é fundacional e é assim com todas as editoras que existem ou existiram. Embora ainda haja muito a fazer, a Led já existe com esta marca, este livro e abre alas para os próximos projetos, que virão logo, também na parceria entre professores e estudantes”, ressalta.

Foram impressas 500 unidades do livro, cujo destino são bibliotecas mineiras e de outros estados, centros culturais e professores de Letras ou Edição. A versão digital do Minas Geo/gráfica está disponível, na íntegra, no site da Led.

A obra também passa a compor a bibliografia do curso do Cefet-MG, ajudando a contar a história da cena editorial de uma Minas literária. “Somos um Estado originário de uma parte enorme da literatura brasileira. É uma vergonha não termos noção disso e de como as nossas editoras fazem a diferença. Isso é de alto impacto social”, pondera a professora.

Os contornos do livro, também, materializam um esforço constante de alunos, pesquisadores e professores da Instituição para situar Minas Gerais no mapa da história editorial nacional. “Deixando uma questão como nossa história editorial entregue à dinâmica já vigente, que privilegia sempre a parte que corresponde ao eixo RJ-SP (…), ela simplesmente passará por inexistente, ao passo que a história deles, já em uma espécie de ‘movimento retilíneo uniforme’, seguirá sendo contada. Então, acho que iniciativas como o Minas Geo/gráfica servem para, concretamente, desconstruírem esse tipo de aparência, de superficialidade”, finaliza Mário Vinícius.

 

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