O P7 Criativo, cravado no centro da Capital e que terá como inspiração a vista da Serra do Curral, coloca Belo Horizonte em um lugar de privilégio e, ao mesmo tempo, desafiador

Pronto para se mudar para a sede definitiva, no antigo prédio do Banco Mineiro da Produção (nos anos 50) e, mais recentemente, do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), na Praça Sete, o P7 Criativo espera romper 2021 devidamente instalado bem no centro de Belo Horizonte.

O investimento de R$ 53 milhões – sendo R$ 17 milhões vindos do Banco de Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o restante da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) – recuperou o prédio projetado por Oscar Niemeyer. O projeto modernista e considerado de vanguarda data de 1953.

O emblemático edifício de 25 andares terá 23 deles ocupados pela Associação P7 Criativo. O espaço, criado para ser a primeira agência de desenvolvimento da economia criativa no Brasil, quer ser o hub que dará à Capital o status de cidade inteligente e humana.

Segundo o assessor especial do vice-governador e especialista em atração de investimentos, Marcos Mandacaru, mais do que um espaço físico, o P7 Criativo – fundado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) e Fundação João Pinheiro (FJP) – deve ser um movimento, um propósito, que vai unir tecnologia e cultura, fortalecendo a vocação da cidade para a inovação, desfrutando e ampliando o seu potencial para as atividades da economia criativa.

“A pandemia potencializou a lógica de que quando pensamos em ‘smart cities’, devemos pensar também em cidades humanizadas. Expandimos a lógica de cidade inteligente para a de cidade sustentável no mais amplo sentido da palavra ‘sustentável’. Estamos falando que tecnologia é educação e inovação. Dizendo que cidade inteligente vai do poste de luz até a gestão governamental e a qualidade das entregas que as esferas de governo fazem para os cidadãos. Em um país gigante e desigual como o Brasil, devemos entender essas diferenças e que Belo Horizonte tem a vocação e as potencialidades para ser esse lugar de conexão”, afirma Mandacaru.

A posição da cidade como capital da segunda economia do Brasil coloca Belo Horizonte em um lugar de privilégio e, ao mesmo tempo, desafiador. Resumo de um Estado com pouco mais de 20 milhões de habitantes (quase 10% da população brasileira) e com diferentes e importantes hubs de empresas de base tecnológicas como Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí (Sul de Minas); o Zebu Valley, em Uberaba; e o Uber Hub, em Uberlândia (ambos no Triângulo) e o Zero 40, em Juiz de Fora (Zona da Mata), entre outros, a cidade é uma espécie de vitrine da diversidade do Estado.

Ao mesmo tempo, conhecida pelos seus aparelhos culturais, inclusive um patrimônio Cultural da Humanidade reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) -, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha – ainda sofre com a falta de infraestrutura, com a carência de antenas para uma boa transmissão de dados através do 4G e do futuro 5G, prometido para o ano que vem.

Mandacaru: estamos falando que tecnologia é educação e inovação | Crédito: Will Araújo

Relevância – “Belo Horizonte pode se colocar – guardadas as devidas proporções – em relação a São Paulo, que é o nosso centro financeiro -, como São Francisco se coloca em relação a Nova York, nos Estados Unidos. Lá se transformou na referência que é hoje porque uniu aos ‘nerds’ e os ‘hippies’, equilibrando tecnologia e cultura, resultando na base da economia criativa dos Estados Unidos. Temos esse potencial porque reunimos uma academia de excelência, capacidade de atração de investimentos, logística e, principalmente, um ecossistema de inovação organizado. O P7 Criativo vem para reunir tudo isso, sendo uma plataforma presencial e virtual. É um trabalho que vai transbordar Belo Horizonte e Minas Gerais”, pontua o especialista.

Além de espaço para coworking, auditório, restaurante e um Memorial da Praça Sete, o P7 Criativo terá 10 andares exclusivos para as chamadas empresas-âncoras – que ficarão sediadas ou terão seus departamentos de inovação sediados no P7. Elas são importantes na estratégia de gerar conexões entre grandes, médias e pequenas empresas. Elas podem ser indicadas pelos membros fundadores da Associação ou fazer contato direto com o P7.

Oliveira: a arte tem uma relação próxima com a economia criativa | Crédito: Will Araújo

Criatividade – Definida pelo conjunto de negócios baseados no capital intelectual e na criatividade, capazes de gerar valor econômico, a Economia Criativa engloba a criação, produção e distribuição de produtos e serviços pautados na criatividade. E, nesse sentido, as cadeias produtivas da cultura e do turismo são, respectivamente, base e, talvez, a maior materialização do setor econômico criativo.

Presente em visita às obras do P7 Criativo, acompanhada pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, o titular da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult MG), Leônidas Oliveira, destacou a importância da criação da agência como fomentadora da economia criativa especialmente no momento de retomada da economia no pós-Covid-19.

“A economia criativa passa, necessariamente, pelo intelecto e o exercício do fazer, da manufatura. A arte tem uma relação muito próxima com a economia criativa na medida que desenvolve cadeias produtivas no território. Temos, por exemplo, uma rica gastronomia oriunda da genialidade e da criação do povo que vive aqui e que gera recursos e precisa ter vazão enquanto produto. Quando pensamos no turismo e na quantidade de experiências que a economia criativa gera, isso se torna ainda maior”, explica Oliveira.

A tecnologia como elo capaz de unir os membros da cadeia produtiva da economia criativa, para ele, tomou ainda maior relevo a partir da pandemia. Estaríamos no limiar de uma era em que a tecnologia vai favorecer a criatividade de uma maneira ainda não experimentada pela humanidade.

A Capital que nasceu nos últimos anos do século 19, fruto do cientificismo, parece ter a oportunidade ideal para concretizar, agora, a sua vocação.

“Belo Horizonte nasce fruto da tecnologia, tanto que as análises que levaram à escolha do lugar levaram em consideração o tudo que fosse necessário para garantir qualidade de vida aos habitantes da nova capital, de uma civilização-síntese. Minas Gerais, pela sua grandeza, por tantos povos diferentes, permitiu o desenvolvimento da criatividade, da inovação. Quando pensamos nisso tudo, é importante ‘fincarmos pés’ nesse território, no entendimento do Estado como esse lugar de criatividade. Tenho muita esperança que o P7 seja capaz de agregar toda essa diversidade criativa e, sobretudo, seja capaz que essa riqueza se transforme em economia, fortalecendo os arranjos produtivos locais, exportando para o Brasil e para o mundo”, completa o secretário de Cultura e Turismo de Minas Gerais.