Padarias da Capital lucram com vendas de ceias natalinas

Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Padarias da Capital lucram com vendas de ceias natalinas
Crédito: Freepik

Em um ano em que a panificação foi fortemente atingida pelas restrições de funcionamento do comércio em combate ao novo coronavírus, as ceias e os produtos característicos desta época vieram para somar a outras ações e colaborar para um desempenho positivo das padarias no fechamento de 2021. No cardápio, pratos típicos, aves e carnes assadas, rabanada, doces diversos e os tradicionais panetones de frutas cristalizadas, chocolates e até sabores inusitados, como os salgados. Tudo ao gosto do freguês.

Padarias localizadas em diferentes regiões de Belo Horizonte identificaram crescente demanda por parte do consumidor, que com o avanço da vacinação contra Covid-19, neste fim de ano, não abriu mão de estar reunido com amigos e principalmente familiares. Para se ter uma ideia, segundo o presidente do Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), Vinícius Dantas, a comercialização de ceias e produtos típicos neste exercício aumentou em cerca de 5% sobre 2020. Em valores, o crescimento foi ainda maior e, em alguns casos, chegou a 40% de alta. O motivo está, justamente, nos formatos dos produtos ofertados.

“A ceia do ano passado foi menor e as pessoas compraram lembranças. Neste ano, as confraternizações voltaram a ocorrer e as encomendas foram maiores”, explica.

Sobre o volume, Dantas diz que para o Réveillon as vendas foram, em média, 50% menores do que para o Natal. Mas que, de toda forma, os estabelecimentos precisaram se planejar e alguns não conseguiram atender todos os pedidos, tamanha a procura. “O ano foi difícil, mas no final o crescimento aconteceu e tivemos um desempenho razoável. As vendas de dezembro contribuíram muito”, resume.

Na empresa do dirigente, a Ping Pão, que tem sete unidades na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), por exemplo, as opções foram variadas. Em uma parceria com a Sadia, a rede ofereceu diferentes entradas, pratos principais e sobremesas, além de pães especiais, patês, antepastos, acompanhamentos e kits de ceias completas. Diante da procura elevada, os pedidos foram encerrados antes mesmo do previsto. As de Natal, ainda no dia 22 de dezembro, e as de Ano Novo, no dia 26.

A Boníssima, com três lojas na capital mineira, também preparou produtos especiais. De acordo com a sócia da rede, Luiza Carneiro, o cardápio trouxe entradinhas, bruschettas, tortas, quiches, platters, tábua de frios, saladas, massas, guarnições, carnes, peixes, além dos tradicionais quitutes da época como sobremesas na taça, tortas e panetones premium.

“As opções para Natal e Ano Novo foram as mesmas e as vendas ficaram bem próximas das realizadas no ano passado. Não tivemos crescimento e nem queda. Acreditamos que esse ano as pessoas festejaram mais, mas ao mesmo tempo, também viajaram mais. Apenas para o Natal foram mais de 250 pedidos”, afirma.

Já em relação ao desempenho dos negócios no decorrer de 2021, ela diz que deverá aumentar em 10% sobre 2020, enquanto para o ano que vem, a expectativa é “normalizar o consumo”. “Esperamos um ano sem muitas surpresas como foram os últimos dois, com alguns meses com picos de vendas e outros com queda”, completa.

Na Villa Castelli, no bairro Castelo, a estratégia incluiu não apenas os produtos típicos, ceias e carnes assadas, mas também decoração natalina e ceia montada na própria padaria. De acordo com o sócio proprietário, Clayton Quadros Severino, as encomendas aumentaram cerca de 25% frente ao fim do ano passado. E, embora a expectativa fosse de um crescimento mais robusto, em função da volta das confraternizações, o desempenho já é considerado satisfatório.

“As opções para o Ano Novo foram mais restritas, porque a demanda é tradicionalmente menor. Muitas pessoas viajaram de férias e as vendas já até diminuíram nos últimos dias. De toda forma, vamos encerrar 2021 com faturamento 30% maior e esperamos alcançar pelo menos 25% de crescimento no ano que vem. O retorno presencial ao trabalho e às escolas já reflete em nossas vendas. A expectativa é que isso se mantenha em todo o decorrer de 2022”, acredita.

Por fim, a rede de supermercados Verdemar, embora ainda não tenha fechado um balanço das vendas, também ofereceu diversas opções aos clientes. O carro-chefe foram as ceias e os panetones – estes últimos com produção de 170 mil unidades, entre doces e salgados. E com sabores inusitados como os trufados (chocolate, maracujá, mel e especiarias, light e premium feito com frutas secas, nozes, amêndoa, avelã, castanha de caju, cereja, castanha do pará e damasco) e os panetones salgados de bacalhau, cebola caramelizada e queijo gruyere, carne seca com queijo minas, queijo provolone e presunto e calabresa com açafrão.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas