Crédito: Charles Silva duarte / arquivo dc

O aumento da confiança de consumidores e empresários brasileiros no segundo trimestre de 2019 na comparação com o mesmo período do ano passado e o desempenho da economia não tão bom como o esperado neste mesmo período impactaram os resultados do setor de franchising apurados pela Pesquisa Trimestral de Desempenho do Setor, desenvolvida pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) e divulgados ontem.

O mercado de franquias registrou crescimento nominal de 5,9% no 2º trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2018. A receita passou de R$ 40,734 bilhões para R$ 43,122 bilhões. No semestre, o aumento foi de 6,4% (R$ 79,496 bilhões para R$ 84,586 bilhões). Já a receita acumulada nos últimos 12 meses teve um crescimento de 6,9%, passando de R$ 168,360 bilhões para R$ 179,933 bilhões.

A previsão para o segundo semestre foi revista. O crescimento do faturamento esperado para entre 8% e 10% foi revisado para 7%. Os demais índices foram mantidos: empregos e unidades com 5% e número de redes com 1%.

De acordo com o presidente da ABF, André Friedheim, o segundo trimestre exigiu investidores mais cautelosos, ainda temerosos com a solução de pendências importantes por parte do governo, sendo a principal delas a reforma da Previdência.

“Esse cenário ainda de instabilidade fez com que algumas projeções para o ano fossem revistas. O importante desses dados é perceber que o setor de franquias manteve sua trajetória de crescimento demonstrando que as boas práticas e a profissionalização das relações e operações são base para o desenvolvimento da economia. Hoje, o franchising responde por 2,6% do PIB brasileiro. Isso reflete a abertura de novas unidades e ganhos de eficiência e escala que os franqueadores começaram a colher depois de um momento de crise. As empresas olharam pra dentro, para os próprios negócios e se reformularam”, explica Friedheim.

Entre os segmentos merecem destaque no período analisado pelo crescimento em faturamento, “Serviços e outros negócios” e “Serviços educacionais”, com 8,9% e 8,7%, respectivamente. Já o maior dos segmentos – “Alimentação”-, cresceu 5,4%, em linha com o resultado do setor como um todo.

“A área de serviços tem passado por um crescimento muito grande e eu reputo isso à profissionalização dos serviços no Brasil. O franchising traz essa profissionalização. As regras de negócios e boas práticas motivam a aderência do serviço ao modelo de franquias e justificam esse crescimento”, avalia o presidente da ABF.

O movimento de abertura e fechamento de lojas na comparação entre os meses de abril a junho deste e do ano passado teve um saldo positivo de 2,1%, com 4,3% operações abertas e 2,2% fechadas. No 2º trimestre, o volume de unidades de franquia em operação no País chegou a 159.656. O percentual de lojas fechadas foi maior (2,2%) do que o registrado no segundo trimestre de 2018 (1,3%). Atualmente são abertas, em média, três unidades franqueadas por hora no Brasil. 45% dos municípios brasileiros já têm, pelo menos, uma unidade franqueada.

“Essa taxa de expansão é fruto do aumento da confiança empresarial com a definição eleitoral, que ocorreu principalmente no último trimestre de 2018 e no primeiro de 2019. São contratos celebrados no período que entraram em operação no segundo trimestre e impactaram positivamente o desempenho do setor. O percentual de fechamentos maior se explica também pelo amadurecimento do setor durante a crise, que olhou para dentro, criou novos formatos, otimizou territórios e hoje trabalha com operações mais competitivas”, pontua o executivo.

Minas Gerais melhora participação no ranking nacional

Dados da Pesquisa Trimestral de Desempenho do Setor, desenvolvida pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), divulgados ontem, mostram que Minas Gerais melhorou sua participação no ranking nacional, passando para 7,9% no segundo trimestre de 2019, contra 7,7% de participação no faturamento, no mesmo período de 2018. Dessa forma o Estado permanece na terceira posição no ranking, atrás de São Paulo – que regrediu de 37,8% para 36,9% – e Rio de Janeiro – que se manteve com 9,7% de participação. Em número de unidades instaladas Minas Gerais oscilou pouco, de 9,1% para 9,2%, também se mantendo na terceira posição.

Também mereceram destaque os estados de Santa Catarina, que passou de 4% para 4,5%, e Mato Grosso, de 1,9% para 2,1%. De acordo com diretor executivo da ABF, Marcelo Maia, esses resultados demonstram o fortalecimento da tendência de descentralização do setor de franquias.

“Grandes marcas estão saindo do eixo Rio-São Paulo e Minas Gerais aparece como primeira opção pelo tamanho da economia e o número de cidades. Hoje, pelo nível de confiança de empresários e consumidores, o Estado se insere neste contexto e tem possibilidade de crescer ainda mais”, explica Maia.

Para o presidente da ABF, André Friedheim, a crise fez com que as franqueadoras se voltassem para dentro, estudando novos modelos e encontrando oportunidades em mercados menos explorados. Isso ajudaria a explicar o crescimento não só de Minas Gerais, mas também de outros estados.

“Os novos formatos que surgiram servem para cidades pequenas e também para buscar novas oportunidades em praças já consolidadas. Eles começam a enxergar em Belo Horizonte, por exemplo, que é uma grande capital, outras oportunidades, observando pontos comerciais alternativos que não eram vistos e agora passaram a ser locais de expansão”, pontua Friedheim.

Analisando o desempenho por região, o Sudeste continua liderando apesar de ter caído de 56,8% para 56,1% em participação no faturamento nacional. Tanto em termos de faturamento como de unidades, nota-se um aumento da participação das regiões Sul (9,7% para 10,3% em faturamento), Nordeste (13,6% para 13,9%) e Centro-Oeste (8,4% para 8,6%) no total do mercado.

“O resultado por região corrobora com a tese de descentralização do setor, apostando na profissionalização fora do eixo Rio-São Paulo. O Brasil ainda é um país com muito espaço para crescimento especialmente dos serviços e o franchising tem no seu modelo o treinamento e a capacitação de empresas e colaboradores como base”, analisa o presidente da ABF.

Empregos – Cada nova unidade franqueada aberta gera, em média, oito novos postos de trabalho. De acordo com a pesquisa, no segundo trimestre houve um aumento de 10% no número de empregos diretos do franchising frente ao mesmo período de 2018. O total de trabalhadores registrados subiu de 1.224.987 para 1.348.235. O crescimento de empregos gerados pelo franchising em 2018 foi de 8,8%. Em comparação com o 1º trimestre de 2019, os empregos diretos cresceram 1,7%.

“A reforma trabalhista contribuiu para esse resultado. A flexibilização das relações facilitou a contratação principalmente nos segmentos de serviços. O franchising, além disso, dá uma grande contribuição com a capacitação de colaboradores. Várias franqueadoras têm programas de primeiro emprego e a ABF trabalha intensamente levando informação e formação para todas as regiões do Brasil”, completa o presidente da Associação.