Setor Elétrico: EDP inaugura usina solar no Sul de Minas

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Setor Elétrico: EDP inaugura usina solar no Sul de Minas
Crédito: Divulgação/EDP

A elétrica EDP Brasil concluiu mais um projeto de usina solar em Minas Gerais. Dessa vez, o empreendimento de R$ 2,2 milhões, visa atender parte das unidades da Smart Fit, maior rede de academias da América Latina, e foi construído no município de Sacramento, no Sul do Estado. A instalação vai gerar 1.699 megawatts-hora (MWh) por ano, energia capaz de atender cerca de 707 residências no mesmo período.

Este é mais um negócio da divisão EDP Smart, braço da companhia responsável pela implementação de projetos solares para fornecimento de energia renovável a clientes comerciais e residenciais. Desde 2017, a empresa já negociou 58,9 megawatts-pico (MWp) em projetos de energia solar – 28,1 MWp já instalados e 30,8 MWp em desenvolvimento.

De acordo com o diretor da EDP Smart, André Pereira, a partir dos acordos, que no caso da Smart Fit terá duração de dez anos, a EDP se torna responsável pela construção, operação e manutenção dos sistemas. Assim, a elétrica cuidará de toda operação do empreendimento, que abastecerá sete unidades da rede.

“Eles não precisam se preocupar com nada, apenas em usufruir da redução de 24,3% na conta de energia (desconsiderando os impostos). Para uma academia desse porte, desconto bastante significativo”, destacou.

André Pereira | Crédito: Divulgação/EDP
André Pereira | Crédito: Divulgação/EDP

Quanto à aderência de novas unidades ao processo, Pereira afirmou que a EDP está sempre em busca de soluções para os clientes. E lembrou que além da redução dos custos, graças ao projeto, as sete unidades da academia terão fornecimento de energia 100% solar, o que evitará a emissão de 127 toneladas anuais de CO2, o equivalente ao plantio de 705 árvores.

BB – Dentro da mesma proposta, em 2020, a EDP também fez a entrega de uma usina de energia solar na modalidade geração distribuída para o Banco do Brasil (BB) no Estado. O empreendimento, localizado no município de Porteirinha, no Norte de Minas Gerais, tem capacidade instalada de 6,5 megawatts-pico (MWp) e vai garantir o fornecimento de energia renovável para 100 agências mineiras.

A instalação vai permitir à instituição economizar R$ 80 milhões ao longo de 12 anos. Ao todo foram 19 mil painéis solares instalados, com capacidade de geração de 14 mil MWh por ano. Além disso, o empreendimento vai possibilitar uma redução de 58% na conta de energia das agências do banco em Minas Gerais.

Já em 2019, outro destaque de entrega em solo mineiro ocorreu em Itacarambi, também no Norte do Estado, para a administradora de shopping centers, Multiplan. Ao todo, duas usinas com capacidade total de 8,33 MWp, foram construídas mediante aportes de R$ 30 milhões. Concebido na modalidade de autoprodução, ele será responsável por 100% do abastecimento energético do VillageMall, localizado no Rio de Janeiro, e proporcionará uma economia anual de R$ 5,5 milhões ao shopping, ou R$ 55 milhões ao longo de dez anos.

Destaque – Sobre a atuação da EDP em Minas, Pereira lembrou que o Estado tem lugar de destaque no cenário nacional quando o assunto é energia solar, em virtude da concessão de benefícios, bem como abundância de terras, boa incidência solar e uma distribuidora com cobertura de todo o Estado.

“Dados da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) mostram que Minas Gerais é o Estado que mais produz energia elétrica por meio de usinas fotovoltaicas de micro e minigeração no País. Nos nossos negócios não seria diferente e o Estado responde por 18% das operações na EDP Smart e temos buscado cada vez mais novos clientes e prospectando novos projetos em Minas para expandir a presença nesse mercado”, finalizou.

Cefet-MG desenvolve tecnologia para baratear a geração solar

CEFET / CAMPUS BH CRÉDITO: DIVULGAÇÃO
CEFET / CAMPUS BH CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

Pesquisadores do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) desenvolveram uma tecnologia em vistas de melhorar a eficiência e a confiabilidade, bem como reduzir o custo dos sistemas fotovoltaicos e tornar a tecnologia mais acessível. A pesquisa propõe uma estratégia de controle de inversores para aumentar a vida útil dos sistemas e, em longo prazo, torná-los mais viáveis.

De acordo com o professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica (PPGEL), Allan Cupertino, é sabido que a vida útil dos inversores é afetada, principalmente, pela temperatura de operação dos seus componentes. Dessa forma, a técnica proposta busca reduzir a temperatura de operação do inversor, minimizando as perdas.

“Durante a vida útil do sistema, pode ser necessário substituir o inversor duas ou três vezes, o que eleva o custo total do investimento e afeta a viabilidade dos sistemas fotovoltaicos. A redução dos custos operacionais e de manutenção tornam a energia elétrica mais barata”, explicou.

Algumas soluções para estender a durabilidade de inversores podem ser encontradas na literatura, mas a maioria das propostas exige modificações físicas e novo design. Neste sentido, o trabalho é inovador ao propor modificações no software de controle do inversor.

A técnica foi testada em um inversor fotovoltaico comercial de 1.5 kWb e a performance do equipamento, segundo o professor, foi satisfatória em comparação com a estratégia de controle convencional. Além disso, a redução do estresse térmico do equipamento resultou em uma redução em 62% da probabilidade de falha do inversor para quase 30 anos de operação.

“A pesquisa pode ser utilizada para aumentar a eficiência, reduzir a probabilidade de falha e proporcionar inversores fotovoltaicos com maior tempo de vida. O custo dos sistemas fotovoltaicos é reduzido em longo prazo, enquanto há um aumento da acessibilidade dessa fonte de energia aos setores com menor poder aquisitivo”, ressaltou.

A pesquisa resultou em publicação de um artigo no periódico IEEE Transactions on Power Electronics, revista internacional de grande impacto na área. O artigo Minimum dc-link voltage control for efficiency and reliability improvement in PV inverters é de autoria do estudante João Marcus Callegari, do professor Allan Cupertino, Victor Ferreira, do Chair of Power Electronics, Kiel University, Alemanha, e do professor Heverton Augusto Pereira da UFV e PPGEL.

Crescimento – A proposta torna-se ainda mais interessante ao analisarmos dados do crescimento do mercado de energia solar no Brasil e no mundo. Pesquisas da pesquisas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por exemplo, revelam que a energia solar liderou a expansão da matriz elétrica brasileira em 2020.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), em 2020 a capacidade instalada saltou de 4,6 GW para 7,5 GW, puxada por um aumento de 2,2 GW só da chamada geração distribuída – a partir de sistemas instalados em telhados, fachadas de edifícios e pequenos terrenos, por exemplo. A previsão é que o número alcance 12,6 GW neste ano, também impulsionado pela autogeração.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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