Moda mineira enfrenta queda nas vendas e disputa com plataformas estrangeiras

Superar concorrência externas e barreiras tributárias são os principais desafios do segmento no Estado para ser competitivo
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Moda mineira enfrenta queda nas vendas e disputa com plataformas estrangeiras
Aproximadamente 15% do comércio mineiro está ligado à moda em Minas Gerais | Foto: Divulgação Sinvesd

A moda de Minas Gerais quer e precisa de ajuda. O segmento está passando por um momento de instabilidade e tem buscado soluções para se estabilizar novamente. Segundo um estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), em julho de 2026 o volume de vendas de tecidos, vestuário e calçados acumulava queda de 5,1% em 12 meses no Estado, contra uma retração de apenas 1,4% no Brasil.

E isso ocorre justamente em um estado onde a cadeia tem peso econômico maior: a moda representa 15% do comércio mineiro, reúne 18 Arranjos Produtivos Locais (APLs) em 87 municípios, que englobam cerca de 67 mil empresas formais e 80 mil empregos diretos.

Alguns fatores contribuem para esse cenário menos animador da moda mineira: a competição desigual com outros estados e até mesmo com empresas estrangeiras, que conseguem agilidade nas operações e condições econômicas e fiscais melhores do que as que Minas oferece.

A “taxa das blusinhas”, que cobrava impostos de compras de até US$ 50 em lojas virtuais de outros países, deu um fôlego ao segmento há dois anos. Todavia, quando foi revogada recentemente, o impacto foi imediato, com retração e queda nas vendas.

“Ao observarmos o caminho de tendência da moda de 2024 em diante, notamos que o setor passou a ter um desempenho melhor principalmente a partir da taxação de produtos de até US$ 50. Como Minas tem uma representatividade maior do que a média nacional, o estado tende a sentir mais esses impactos, tanto na indústria quanto no varejo”, explica a economista da Fecomércio, Fernanda Gonçalves.

Ela acrescenta que a taxação, em agosto de 2024, trouxe uma tendência menos negativa. ” Passamos a ter um desempenho acima da média nacional do mesmo setor até meados de 2025. De novembro a dezembro, veio uma queda mais acentuada, que ficou mais negativa do que a do setor nacional quando a taxação foi retirada. A falta de taxação não afeta só o comércio e o varejo. Afeta a indústria também”, observa.

Ações e desafios

A moda representa cerca de 5,2% dos estabelecimentos do Estado, acima dos 4,4% registrados no Brasil. No comércio, a participação também é maior: aproximadamente 15% do comércio mineiro está ligado à moda, contra 13,6% da média nacional. Logo, os dados indicam que o setor é de importância estratégica para a economia de Minas Gerais.

Com esse peso todo, o maior desafio dos empresários da moda hoje é equilibrar competitividade e rentabilidade em um ambiente de consumo mais cauteloso e de concorrência cada vez mais intensa, principalmente no comércio digital internacional. Isso exige investimento em produtividade, conexão com as inovações, diferenciação dos produtos e mais eficiência na gestão dos negócios.

“Falamos muito para (os empresários) não esquecerem do digital. Quem tem comércio físico deve sempre conectá-lo ao digital: colocar os produtos nas redes sociais, mostrar o diferencial do produto e também do atendimento, seja no físico, seja no digital”, aconselha.

Fernanda Gonçalves acrescenta que oferecer um frete mais rápido e uma logística eficiente para entregar o produto ao cliente é um diferencial que muitas vezes as plataformas chinesas não conseguem oferecer, já que demoram mais para chegar à casa do consumidor. “Aqui, com logística e inovação, é possível entregar mais rápido que essas plataformas”, observa a economista da Fecomércio.

Outra crítica do setor da moda é a alta carga tributária que impacta a competitividade. “Temos de ampliar as estratégias: plataformas especializadas, redes sociais e logística para entregar o produto mais rápido, além de mostrar ao consumidor que o item que ele procura na plataforma estrangeira existe aqui, com ótima qualidade, e pode chegar em menos tempo. É um mecanismo combinado com o digital para se tornar mais competitivo”, conclui a economista da Fecomércio.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


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