As feiras livres são impactados pelo isolamento social | Crédito: Divulgação

A reabertura da Feira Hippie de Belo Horizonte no domingo (27) será uma espécie de termômetro para entender a tendência do comportamento dos consumidores daqui para frente. Isso é o que destaca o administrador da Associação de Feirantes das Feiras Livres de Belo Horizonte e Grande BH (Asffel/BH), Marco Antônio Ramos.

Ao contrário do tradicional comércio da avenida Afonso Pena, que deixou de funcionar por seis meses devido à pandemia da Covid-19, feiras livres de alimentação na capital mineira permaneceram em atividade. No entanto, também sentiram os impactos da crise: segundo Ramos, no período, a queda nas vendas gira em torno de 30%. Ele credita o recuo ao próprio comportamento dos clientes e ao receio de saírem de casa em razão da disseminação da doença.

A retração registrada nas vendas impacta um número significativo de trabalhadores do segmento. De acordo com Ramos, são, ao todo, 52 feiras livres na capital mineira. Cerca de 300 pessoas atuam nas barracas espalhadas por diversos bairros da cidade, que vendem produtos tradicionais, como queijos, café, bolos, biscoitos, temperos, entre outros itens, atraindo inclusive pessoas de fora do município, segundo o administrador da Asffel/BH.

Retorno – Apesar dos impactos negativos, as coisas, pouco a pouco, estão voltando ao normal, diz Ramos. Com as reaberturas graduais do comércio e, mais recentemente, de algumas feiras que estavam impedidas de funcionar, a confiança do consumidor está sendo recuperada. Todo esse retorno ao movimento, avalia ele, vem indicando um caminho mais seguro para os clientes.

No entanto, apesar das boas expectativas, o administrador da Asffel/BH também não acredita que as coisas serão como antes, pelo menos por enquanto.

“Creio que ainda não será como era. Vai demorar um pouco para que as pessoas voltem a transitar como antes. Na minha opinião, será um retorno gradual até que se chegue ao normal”, avalia.

Para ajudar nesse retorno, Ramos diz que os feirantes têm feito todo o possível para transmitir segurança para as pessoas. Não faltam medidas para isso, relata o administrador da Asffel/BH, como o uso de máscaras, disponibilização de álcool em gel, entre outras ações do tipo.

“As pessoas estão criando confiança. Em alguns locais, já está até tendo fila”, relata Ramos.

Relevância – Com o retorno das feiras – ou do movimento a esse tipo de comércio – não são só os profissionais do setor que ganham. Ramos frisa que as feiras são de suma importância para a economia mineira. As de alimentação, salienta, são inclusive muito antigas. “Elas são uma vitrine para o Estado. Lutamos para que essa tradição permaneça”, afirma.

Aliás, depois que toda essa crise passar, as perspectivas são de que o setor saia ainda mais forte. De acordo com o administrador da Asffel/BH, já existe, inclusive, um projeto para que 100 novos pontos sejam implantados na capital mineira.