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José Eloy dos Santos Cardoso*

Como participante ativo do ex-tripé do desenvolvimento mineiro pela ex-empresa de desenvolvimento Companhia de Distritos Industriais de Minas Gerais (CDI-MG), como classificava o ex-governador mineiro Aureliano Chaves, participei ativamente pela CDI, por exemplo, da instalação da Fiat Automóveis e sua fábrica de motores que era a FMB, ambas em Betim, e de outras como a Helibrás, em Itajubá, etc.

De fato, como classificaram meus colegas professores como Vanúria Ferrari (Una), Fernando Sette (UniBH, Alexandre Costa (PUC-Minas) e outros mais, as condições locacionais do Estado são excelentes. Como expressaram na matéria do DIÁRIO DO COMÉRCIO publicada no dia 17 de novembro, as condições locacionais mineiras são ótimas em termos de proximidade com outros estados consumidores e produtores como São Paulo, Rio de Janeiro e até do exterior em função do Aeroporto Internacional de Confins e até de acessos rodoviários.

No entanto, meus colegas deixaram de mencionar apenas um pequeno detalhe. A CDI-MG foi, na minha opinião, indevidamente extinta e incorporada à Codemig. Vários outros ex-governadores mineiros, com exceção de Fernando Pimentel, se referiam a essa empresa como importante componente do tripé do desenvolvimento junto com o Indi e a Cemig. Para isso ela foi criada e cumpriu seu papel enquanto existiu. Será que a ausência dela não estaria hoje fazendo falta a nosso Estado? Qualquer empresa nacional ou multinacional que queira se localizar em Minas Gerais irá sentir a falta de terrenos totalmente prontos infraestruturados e aptos à localização, inclusive em termos de áreas, energia elétrica, abundância de água tratada, perto de redes de recepção de sinais de recepção via satélite, etc, totalmente oferecidos pelo Estado.

Quando estagiei no Japão, trouxe para Minas Gerais toda a experiência japonesa em termos de localização industrial. Escolhi os terrenos junto com a equipe da CDI e criamos os distritos industriais de Extrema, Pouso Alegre, Itajubá, Santa Rita do Sapucaí, Elói Mendes e outros. Quem viajar e passar no Sul de Minas de automóvel ficará totalmente admirado com o desenvolvimento industrial daquelas áreas que foram importantíssimas nos anos 70/80/90 no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro, que chegou a superar até duas vezes a média de crescimento brasileiro naqueles saudosos anos. Inúmeras empresas só vieram para Minas Gerais porque aqui tínhamos as condições locacionais ideais. Agora com o Ibovespa futuro demonstrando possibilidades e condições de captação de capitais externos no crescimento e recuperação da economia brasileira depois da pandemia do novo coronavírus, por certo a não existência de terrenos aptos para a localização imediata vai contar.

Fica claro que a vinda da Fiat italiana para Minas Gerais foi uma exceção. A participação do Estado no projeto foi importante, inclusive com participação no capital, como determinou o governador Rondon Pacheco. Foram esses os principais fatores. A doação dos terrenos infraestruturados com cerca de 3 milhões de metros quadrados e a construção dos galpões feita pela CDI foram um marco no desenvolvimento mineiro. Todos os galpões tanto da Fiat quanto de sua empresa de produção de motores, que é a FMB, foram realizados pela empresa criada nos anos 60 para cumprir uma lacuna existente em Minas Gerais.

Através de artigos publicados no DIÁRIO DO COMÉRCIO, critiquei abertamente a extinção da CDI-MG e sua incorporação à Codemig. Acho que tinha razão. Acompanhei detalhadamente o processo de crescimento da economia mineira desde os anos 60, quando o BDMG produziu e publicou o “Diagnóstico da Economia Mineira”. Seria bom nos dias atuais criarmos uma outra CDI iguais às existentes em São Paulo e Rio de Janeiro. Fica aqui esta indagação.

*Economista, professor titular de macroeconomia da PUC-Minas e jornalista. cardosozeloy@gmail.com