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Opinião

A evolução do agronegócio brasileiro

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Crédito: REUTERS/Paulo Whitaker

Benjamin Salles Duarte *

Em 1940, a população brasileira recenseada era de 41,1 milhões de habitantes, e com uma taxa de urbanização de apenas 31,2%, portanto, 68,8% viviam nos cenários rurais onde ainda eram submetidos a consideráveis restrições históricas de acesso à saúde, educação, transportes, energia elétrica, tecnologias ligadas às culturas, criações, assistência técnica pública e privada, tendo-se estabelecido um modelo familiar patriarcal, secular, sem formular juízo de valor e compreensível à época, naqueles cenários em que as inovações também eram escassas. Muitas condicionantes adversas estão sendo superadas, mas campo ainda abriga centenas de demandas estratégicas, face à diversidade e vocações da agroeconomia brasileira!

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Contudo, faz-se justo relembrar, mesmo numa conjuntura rural adversa, que o café sustentou os avanços da indústria brasileira por décadas consecutivas e continua com um ciclo vigoroso em pleno viger do século XXI. Minas Gerais responde por 70% do café arábica exportado e lidera a cafeicultura brasileira. Além disso, a oferta de carne bovina passou de 7,24 milhões de toneladas em 2002 para 9,90 milhões em 2018, mais 36% (USDA)

Esses e outros fatos e eventos recentes ou seculares, cujas narrativas são de domínio dos economistas, historiadores e sociólogos, reforçam e revelam a tenacidade e determinação hercúleas dos produtores rurais em enfrentar barreiras e desestímulos nesse longo caminhar do agronegócio brasileiro. Contudo, as imperfeições de mercado ainda persistem e penalizam a pequena produção em muitas regiões do País.

Já em 2018, o Brasil ostenta 208,4 milhões de habitantes, 407% mais do que em 1940, dos quais estimativamente 85% vivendo nas cidades e regiões metropolitanas contra os 31,2% em 1940. O grande mercado de alimentos, antes rural, também migrou progressivamente para os centros urbanos. Contudo, o novo Censo Demográfico em 2020 deverá fazer uma estratégica leitura demográfica no território brasileiro. Informação é insumo à tomada de decisão de governantes e governados!

Entretanto, o sistema agronegócio, vigoroso, num de seus segmentos mais estratégicos que agrega os produtores rurais, em nível de campo, demanda cada vez mais e sempre as inovações tecnológicas, pesquisas de ponta, novas habilidades humanas, máquinas e equipamentos agrícolas de última geração, sementes avançadas, mudas de qualidade, defensivos agrícolas em larga escala, biotecnologias, biodefensivos, genética animal e vegetal, qualificação da mão de obra, acesso à informação e adoções nas áreas de georrefenciamento, geoprocessamento e planejamento nas paisagens rurais, e dentro da porteira!

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E mais, a exigir novas conquistas na agricultura irrigada, plantio direto, eficiente conservação do solo e da água, bases físicas da produção agropecuária, rentabilidade, certificados de origem e produtos rastreáveis nos domínios da agricultura, fruticultura, horticultura, orgânicos, agroecológicos, e produtos artesanais.

O campo perdeu muita gente, sim, mas jamais sua importância à economia brasileira exaustivamente pesquisada ao longo da história! O Brasil precisa também consolidar uma classe média rural próspera, que possa usufruir dos benefícios do bem-estar social, entendido no foco da qualidade de vida, como política de governo, auferir renda suficiente e adotar as inovações geradas pela pesquisa agropecuária num processo de troca de saberes e gestão compartilhada. Aliás, o “campo continua sendo também um grande mercado para tecnologias, produtos e serviços.”

E mais, comparando-se a safra de grãos de 1976/77 com a de 2017/18, a área de cultivos cresceu 65,4%; a produtividade média, 193,4%; e a produção, 385,2%. Noutro cenário evolutivo do agronegócio brasileiro, em 1998 o superávit nas suas exportações é de US$ 13,5 bilhões, e em 2018 atinge US$ 86,7 bilhões ou mais 542,2%, a preços correntes (Conab/Mapa). Igualmente entre 1977 e 2017, o agro foi responsável, em média, por 40% do valor total das exportações brasileiras, e pico de 46,2% em 2015 (Embrapa/Mapa). Fatos são fatos!

Hoje em dia, “a tecnologia praticada pelos agricultores explica 70% do crescimento da agricultura”, segundo o pesquisador da Embrapa Eliseu Alves. Um cenário de conquistas que também devem ser creditadas a muitos atores públicos, privados, e abriga ainda grandes desafios internos e externos nos tempos que se prenunciam numa economia globalizante!

* Engenheiro agrônomo

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