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Crédito: REUTERS/Kevin Lamarque

Carlos Perktold*

Há poucos dias, li a declaração de um líder brasileiro de esquerda dizendo: “Tiramos um no norte, vamos tirar outro no sul”, referindo-se a Trump e Bolsonaro. Ele falava como se fosse um político americano democrata ou um eleitor cheio de ódio do nosso governo e daquele dos  Estados Unidos. Sua frase contém mais que ele imagina. Sua convicção de que foi a esquerda americana quem alijou o atual presidente revela subjacente ilusão tão grande quanto imaginar que ela é a salvação do mundo.

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É inútil insistir: a esquerda não aprende com o seu passado, arrasta o seu presente e não muda o seu futuro. Teve 15 anos para mudar o nosso País e não fez uma única prometida reforma de que tanto precisamos. Imaginam que agora, com Biden na presidência americana, o mundo e nós seremos diferentes. Outra ilusão.  Com Trump ou com Biden, a América sempre virá primeiro.

Breve, nossa esquerda descobrirá que ela inexiste nos Estados Unidos.  Quando havia, ela votava nos Kennedy. Há nela, em especial no Brasil, um sentimento equivocado de terem derrotado o trumpismo, um desgoverno e ideologia de extrema direita que deixou os ricos milionários e estes bilionários, abandonando a estratificação social pobre americana.  Outra quimera é desconhecer que lá no passado o capitalismo sempre veio em primeiro lugar e que agora, com Biden, o futuro será diferente.

American first foi um mote descarado e irritável de Trump, mas é um princípio americano desde as 13 colônias. Se não fosse assim, não teriam comprado o Alaska da Rússia, a Flórida da Espanha, a Lousiania da França e em 1848 roubado os 2.448.000 km2 da costa oeste do México, abrindo caminho para o Pacífico.  Expansionismo era o outro nome de America First.

Mais ilusão ainda é achar que se dois presidentes de países diferentes são amigos, os países o serão também. Isso são ideias e ética de monarquia casamenteira. Países têm interesses, clichê que Bolsonaro ainda não compreendeu e acha que ainda pode levar adiante seu noivado com Trump.  Este perdeu o dote que eventualmente poderia oferecer para seu noivo brasileiro.   E nosso presidente não aceita a derrota de seu ex-futuro parceiro e compromete o Brasil não reconhecendo a vitória de Biden. Como o leitor vê, ilusão não é privilégio da esquerda.

Outra fantasia é imaginar que, com a derrota de Trump, uma outra do atual presidente brasileiro em 2022 é automática. Não é. Se Bolsonaro não for reeleito, por certo, não será alguém da velha esquerda que voltará a ocupar o Planalto novamente. Como parte de seus repetidos erros, a esquerda imagina que o povo ainda está ao seu lado.

Quem votou nela durante anos na esperança de modificações radicais na nossa política se deu mal. Nada mudou, exceto a corrupção sem limites, o desgoverno, “emprestando” dinheiro e financiando países sem a menor condição de pagar esses empréstimos prejudicando o Brasil, e ainda os interesses pessoais politiqueiros prevalecendo sobre os nacionais, os quais foram maiores e piores que nos governos anteriores das velhas elites.  Se há integrantes da esquerda a admitir esses fatos históricos, a avassaladora maioria nega. O ego de cada um e o narcisismo generalizado não aceitam que todas as ilusões que os alimentaram durante dezenas de anos foram… ilusões.

Um dos amigos deste articulista pediu para não procurá-lo mais depois de minha informação de que aceitei a perda das ilusões, as mesmas que ele ainda mantém. Ilusão de uma geração inteira a imaginar que a esquerda mudaria o País.  A mesma do líder esquerdista citado no início desta matéria de que Biden é de esquerda e que o mundo agora está salvo.

*Advogado, psicanalista e escritor. perktold@terra.com.br

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