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Matheus Vieira Campos *

Um grande desafio enfrentado pelo empreendedor brasileiro é o de encontrar uma forma de contornar a instabilidade do mercado interno e garantir seu desenvolvimento. Uma opção que se apresenta nesse contexto é a de levar os negócios para o exterior. O movimento de internacionalização, que tem ganhado força entre as empresas brasileiras, mostra que a saída para o crescimento pode estar além das fronteiras do País.

Uma pesquisa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), realizada em 2017, entre 229 empresas brasileiras, apontou que 83,6% delas consideram a expansão internacional como altamente importante. Além disso, 62% afirmaram ter intenção de iniciar operações no exterior em um futuro próximo.

A expansão internacional traz consigo inúmeros desafios. É preciso prospectar parceiros no exterior, estudar a legislação e os procedimentos do país-alvo, e administrar questões de bitributação. Mas, se houver disposição para enfrentar esses desafios, os benefícios podem ser surpreendentes.

Iniciar uma atuação em território estrangeiro tem um enorme potencial para conquistar uma nova clientela e expandir as vendas. Apesar de não ter garantias de estabilidade permanente, a diversificação dos riscos por si só já garante mais segurança. Afinal, quanto menos concentrado for o negócio, mais as chances de prosperar. Além da proteção da volatilidade do mercado interno, a internacionalização permite atender clientes globais e buscar mais inovação para o negócio.

O que afasta muitos empresários da expansão internacional é o custo. Afinal, para iniciar a atuação em outro país, é preciso construir toda uma estrutura organizacional, o que exige um investimento elevado. Como manter a lucratividade diante do aumento das despesas? O segredo está na pesquisa. É preciso conhecer os dados e tendências sobre o mercado estrangeiro, conversar com outros empreendedores que lá atuam e, de preferência, ir até o local.

Se debruçar sobre as minúcias do mercado no país-alvo também é a uma forma de escolher o destino. Atualmente, EUA e América Latina são os destinos favoritos dos empreendedores brasileiros para exportar, montar escritórios próprios e implantar unidades produtivas. Trata-se de mercados com características distintas, cujas receptividades podem variar de acordo com o segmento.

Uma estratégia utilizada por muitos empreendedores é encontrar um aliado local. 61,7% dos entrevistados pela pesquisa da Apex afirmaram que pretendem optar por uma aliança estratégica, ou seja, parcerias com empresas locais ou estrangeiras por meio de acordo de cooperação.

Internacionalizar é sinônimo de ganhar um status de autoridade no segmento. A visibilidade e a experiência adquiridas neste processo valem mais do que uma lucratividade de curto prazo, porque garantem independência em relação às instabilidades da economia e, consequentemente, a longevidade.

Coordenador regional da Câmara Americana de Comércio de Belo Horizonte (Amcham-BH)