O café brasileiro precisa ser valorizado também dentro de casa

Iguaria vai além do cotidiano; conheça a experiência envolvente e as histórias por trás de cada xícara
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O café brasileiro precisa ser valorizado também dentro de casa
Foto: Reprodução Adobe Stock

Durante décadas, o Brasil construiu sua reputação internacional como uma das grandes potências do café. Somos reconhecidos pela escala, pela diversidade de regiões produtoras e, cada vez mais, pela qualidade de grãos capazes de competir entre os melhores do mundo. Ainda assim, por muito tempo, uma parte relevante desses cafés de excelência foi mais conhecida e valorizada no exterior do que pelo próprio consumidor brasileiro.

O Dia Internacional do Café é uma oportunidade para discutir essa mudança. O café deixou de ser visto apenas como uma bebida cotidiana e passou a ser também uma experiência ligada à origem, ao terroir, ao método de preparo e à história de quem produz. O consumidor quer entender melhor o que está na xícara e começa a perceber que, assim como acontece com o vinho, existem diferenças importantes entre variedades, regiões, pontuações e perfis sensoriais. É um avanço que também amplia o repertório do consumidor brasileiro.

Esse movimento ajuda a abrir espaço para os cafés especiais e, em um nível ainda mais elevado, para os chamados cafés superespeciais, com pontuações acima de 84 pontos. São grãos que exigem rigor em todas as etapas, cultivo, colheita, torra e preparo. Mas qualidade não deve significar distância do consumidor. O desafio do setor é justamente tornar esse universo mais acessível, sem perder a excelência.

Foi a partir dessa percepção que nasceu a Coffee++. Em viagens e feiras internacionais, chamava atenção ver cafés brasileiros de altíssima qualidade sendo celebrados lá fora, enquanto muitos consumidores no Brasil ainda tinham pouco acesso a esses mesmos grãos. A proposta da marca surgiu para ajudar a inverter essa lógica: valorizar produtores, selecionar origens de destaque e fazer com que mais brasileiros possam conhecer o que o país produz de melhor.

A democratização passa também por oferecer diferentes portas de entrada. Há quem prefira comprar café em grãos e explorar métodos de preparo; quem escolha o café já moído; quem busque a praticidade das cápsulas; ou quem esteja começando a descobrir esse universo por meio de soluções mais simples, como o drip coffee. Quanto mais fácil for experimentar, maior será a chance de o consumidor desenvolver repertório e reconhecer qualidade.

Outro ponto essencial é aproximar a origem da xícara. Quando o consumidor conhece o produtor, a região, a variedade e as características daquele café, a bebida ganha identidade. Essa valorização fortalece toda a cadeia e cria uma relação mais consciente com um produto profundamente ligado à cultura e à economia brasileiras.

Há ainda uma mudança interessante na forma como o café vem sendo incorporado a hábitos ligados à saúde e ao bem-estar. Um café de qualidade pode ser apreciado sem açúcar, permitindo que o consumidor perceba melhor sua doçura natural, seus aromas e suas notas sensoriais.

Celebrar o café, portanto, é também celebrar quem produz, quem pesquisa, quem seleciona e quem transforma um grão de excelência em experiência. O Brasil já é admirado no mundo pelo café que produz. O próximo passo é fazer com que o próprio brasileiro conheça, valorize e tenha acesso, cada vez mais, a essa qualidade.

Leonardo Montesanto
Sobre o autor

Leonardo Montesanto

Empresário, fundador e curador da Coffee++


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