Cidades mais resilientes começam por construções preparadas para o clima extremo

Impermeabilização, por exemplo, pode ajudar as cidades a se adaptarem e se recuperarem de desastres climáticos
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Cidades mais resilientes começam por construções preparadas para o clima extremo
Foto: Reprodução Adobe Stock

Nas últimas décadas, os eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção para se tornar parte da realidade urbana. Chuvas intensas, enchentes repentinas, ondas de calor e variações bruscas de temperatura já fazem parte do calendário de praticamente todas as grandes cidades brasileiras. Diante desse cenário, a construção civil ocupa um papel central na resposta a esses desafios, seja na forma como projeta novas edificações, seja na maneira como reabilita estruturas existentes.

Dessa forma, a resiliência urbana, conceito que ganhou força nas últimas décadas, parte do princípio de que cidades precisam ser capazes de absorver, se adaptar e se recuperar de perturbações climáticas sem perder sua funcionalidade. Na prática, isso significa repensar desde o planejamento urbano até os materiais utilizados nas construções.

Um dos campos mais relevantes nessa transformação é a impermeabilização. Estruturas expostas à umidade excessiva, seja pela infiltração de água da chuva ou pelo contato com o solo, são mais vulneráveis à deterioração acelerada, ao surgimento de patologias e, em casos extremos, ao comprometimento estrutural. Portanto, os sistemas de impermeabilização de alta performance passaram a ser componentes essenciais do planejamento de edificações mais duráveis e seguras.

Da mesma forma, soluções de drenagem urbana têm ganhado protagonismo. Pisos permeáveis, jardins de chuva, telhados verdes e sistemas de captação e reúso de águas pluviais são exemplos de tecnologias que ajudam a reduzir o impacto das chuvas intensas sobre a infraestrutura das cidades, diminuindo alagamentos e aliviando a pressão sobre os sistemas de esgoto.

No campo dos materiais, a inovação também avança. O desenvolvimento de concretos mais resistentes à variação de temperatura, revestimentos com maior capacidade de proteção contra a umidade e soluções que combinam desempenho estrutural com eficiência energética reflete uma indústria que precisa entregar mais do que estética ou custo competitivo. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, as cidades concentram mais de 70% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que reforça a urgência de torná-las mais eficientes e adaptadas.

Outro ponto fundamental a ser destacado é que a tecnologia digital também tem contribuído para esse processo. Ferramentas de modelagem climática, simulação de desempenho de edificações e monitoramento em tempo real permitem que engenheiros e arquitetos tomem decisões mais precisas desde a fase de projeto, reduzindo riscos e aumentando a vida útil das construções.
É importante reconhecer que a transição para uma construção mais resiliente não acontece de forma isolada. Ela depende da integração entre fabricantes de materiais, projetistas, construtores e poder público, além de uma regulação que incentive boas práticas e estabeleça padrões mínimos de desempenho ambiental.

Portanto, vale concluir que o momento pede que a construção civil deixe de reagir aos efeitos das mudanças climáticas para assumir um papel ativo na mitigação dos seus impactos. Edificações mais resilientes não protegem apenas quem as habita, mas contribuem para cidades mais seguras, funcionais e preparadas para os desafios que estão por vir.

Selmo Soares
Sobre o autor

Selmo Soares

Gerente Executivo de Inovação e Desenvolvimento da Viapol

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